sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Luiza Helena: CEO do Magazine Luiza

O Blog Ética nos Negócios teve a satisfação de conversar com uma admirada executiva que espelha as inquestionáveis qualidades femininas e o crescente destaque da mulher no mundo dos negócios. Estamos falando da Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, superintendente de uma das maiores redes de varejo do país: o Magazine Luiza.
Blog: Sempre iniciamos nosso bate-papo no Entrevista CEO conhecendo um pouco da pessoa que estamos entrevistando. Por isso, gostaríamos que você nos contasse um pouco sobre a Luiza Helena.
Luiza Helena: Sou francana, casada e mãe de três filhos. Desde 1991, quando o Magazine Luiza criou uma holding, me tornei diretora-superintendente da empresa. Iniciei minhas atividades profissionais no Magazine Luiza aos 12 anos, quando abdiquei das férias escolares para trabalhar na loja. Quando ingressei profissionalmente na empresa passei por todos os departamentos do grupo, da cobrança à gerência, das vendas à direção comercial, até me tornar superintendente.
Coordenei a criação das Lojas Eletrônicas Luiza, um projeto pioneiro no varejo nacional, hoje chamado de Lojas Virtuais. Nestas lojas há um vasto catálogo de produtos que são demonstrados na tela de um computador. Participei da idealização da Liquidação Fantástica, que acontece sempre no início do ano e tem produtos com até 70% de desconto.
Blog: O Magazine Luiza foi fundado há quase meio século. Fale-nos desta história de sucesso, do seu início até os dias atuais.
Luiza Helena: O Magazine Luiza foi fundado por meus tios, Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato. A história começou quando eles adquiriram uma pequena loja de presentes, chamada ‘A Cristaleira’, em Franca, interior de São Paulo. Hoje, o Magazine Luiza possui 352 lojas, distribuídas por sete estados brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nosso desenvolvimento tem sido fundamentado no espírito da honestidade e no bom trato ao cliente, sem esquecer, é claro, da valorização de nossos maiores incentivadores, os mais de 10 mil funcionários do Magazine Luiza.
Blog: O Magazine Luiza é uma das maiores redes de varejo do país. Atuando em vários estados, com centenas de pontos de vendas e milhares de colaboradores. Quais são seus principais desafios, motivações e expectativas como superintendente? Minha principal expectativa, como superintendente, é que o Magazine Luiza continue crescendo, sem perder sua alma.

Blog: Temos acompanhado as mulheres ocupando, cada vez mais, posições de destaque tanto nas empresas como nos governos. Na sua opinião, porque isso vem ocorrendo? Quais as principais características e diferenças entre uma gestão feminina e masculina? E, se ainda existem preconceitos neste sentido e o que se pode fazer para supera-los?

Luiza Helena: Acredito que homens e mulheres têm as mesmas chances de ter sucesso, desde que se empenhem e mostrem seu valor. No Magazine Luiza não há diferenças para homens e mulheres, até nosso número de funcionários é equilibrado. Desta forma incentivamos a igualdade de direitos e preservamos um ambiente de respeito. Acredito que hoje em dia o mercado valoriza muito mais o trabalho das mulheres que provam sua capacidade por meio de muito esforço e dedicação. É claro que ainda há muitas barreiras a serem transpostas, mas já evoluímos muito. Para ter sucesso uma empresa precisa ter velocidade, rentabilidade e qualidade. Neste aspecto algumas qualidades femininas passaram a ser indispensáveis, como a flexibilidade, intuição, processo educativo e interação. Devido a todos esses aspectos as mulheres estão tendo um espaço muito maior porque a elas foi permitido desenvolver essas habilidades. Eu costumo dizer nas minhas palestras que toda mulher tem de conhecer a sua força, junto com isso respeitar profundamente a força masculina. Eu acredito na junção da força masculina e feminina. Quando elas se juntam, seja na educação dos filhos, nas empresas, em qualquer coisa, todos nós saímos ganhando muito mais.

Blog: Já que o assunto é tecnologia. Como o Magazine Luiza encara as novas tecnologias, em especial a internet, para a consolidação de seus negócios?

Luiza Helena: Quando criamos as Lojas Virtuais, em 1992, a internet praticamente ainda nem existia. Criamos esse novo conceito para tornar possíveis as vendas em pequenas cidades, sem termos um custo muito alto com a construção de lojas grandes. As lojas virtuais exigem uma pequena estrutura física, porque nelas não há exposição de produtos. As pessoas definem suas compras por meio de um terminal multimídia. Após termos consolidado essa experiência, criamos, em 1999, o site magazineluiza.com, que hoje é a melhor loja da rede em resultados de vendas. As lojas virtuais e o site respondem por 12% do faturamento da rede.

Blog: O Magazine Luiza possui muitos prêmios conquistados. Quais são os principais? E, a que se deve tamanho reconhecimento público?

Luiza Helena: Há nove anos figuramos entre as 10 melhores empresas para se trabalhar, segundo o guia do Instituto Great Place to Work. Em 2003, conquistamos o primeiro lugar. Todo esse reconhecimento se deve a atitudes inovadoras na gestão dos Recursos Humanos. Em 2006, o Magazine Luiza foi premiado em Caxias do Sul (RS), com o troféu O Mercador, como destaque do comércio pelo Sindilojas (Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul) e o Sindigêneros (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios). Também recebemos o Prêmio Empresa Mais Admirada, do segmento Varejo de Eletro-eletrônico, na 9ª edição da pesquisa realizada por CartaCapital/TNS InterScience. Conquistamos ainda o prêmio O Equilibrista, de Destaque do Comércio, que foi concedido pelo Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de Campinas.

Blog: Queremos começar este assunto, falando sobre as pessoas que compõe uma organização e são responsáveis por seu sucesso ou fracasso. Especialmente, no caso do Magazine Luiza, o atendimento ao público e aos consumidores devem ser uma marca de excelência numa empresa varejista. Atualmente, sua empresa conta com 10.000 colaboradores. Qual é a fórmula do Magazine Luiza para administrar, treinar, motivar e comprometer tanta gente? Quais os valores inerentes a sua empresa e que devem ser incorporados por cada um dos seus funcionários?

Luiza Helena: A política de Recursos Humanos do Magazine Luiza está baseada na valorização do ser humano e na crença da sua evolução. A empresa realiza uma série de programas que visam dar qualidade de vida, capacitação técnica e evolução pessoal, para que as pessoas tenham uma visão de mundo mais ampliada. A empresa tem grande investimento em treinamentos e cursos de técnicas de vendas, produtos e comportamentais. A empresa tem uma série de benefícios. Um deles é o cheque-mãe, uma ajuda mensal de R$ 200 para mulheres que trabalham na empresa e têm filhos de até 10 anos, para pagamento de creches e babás. O Magazine Luiza ainda oferece bolsas de estudos a todos os funcionários que queiram estudar. O percentual da bolsa varia de 20% a 70% do custo total da mensalidade. A ajuda é fornecida para qualquer tipo de formação, desde segundo grau até nível universitário, e outros cursos, como informática e inglês. Também há um plano de saúde nacional, que é extensivo a funcionários e dependentes. O Magazine Luiza negociou um plano odontológico muito bom. Nós temos alguns apoios para a construção da casa própria e casos de doenças graves, por exemplo. Para os pais dos funcionários, negociamos planos de saúde e odontológicos, com preços muito acessíveis. Temos convênios com algumas financeiras e bancos para oferecer crédito pessoal, com juros menores. A retaguarda do departamento de Recursos Humanos é colocada à disposição dos funcionários para ajudá-los nos problemas pessoais. Além disso, nós temos um plano de previdência privada para todos os colaboradores.

Blog: Como é encarada e também disseminada a ética no Magazine Luiza? Na sua opinião, qual a importância e as reais necessidades de uma empresa exercer a ética nos negócios?

Luiza Helena: Internamente temos um Código de Conduta Ética. Na integra, o texto diz o seguinte: “A Comunicação, na Empresa, é aberta e direta a todos. As lideranças têm por obrigação divulgar esta prática, em que os colaboradores podem se comunicar com qualquer pessoa, independente do nível hierárquico. Nenhum colaborador sofrerá pena, punição ou retaliação por denunciar ou testemunhar práticas de má fé ou lesão ao patrimônio da Empresa. Todos os colaboradores da Empresa têm acesso à Liderança (gerentes de departamento, gerentes regionais, diretoria, superintendência). O Magazine Luiza possui uma política de portas abertas.”

Blog: Por tudo que o Magazine Luiza representa no cenário nacional, sua empresa de ser admirada e formar a opinião de vários empresários do setor. Que conselho(s) e exemplo(s) você pode dar a estes varejistas em relação a ética nos negócios?

Luiza Helena: O que posso dizer é que a ética é imprescindível para quem deseja alcançar um crescimento sustentável.

Blog: Para muita gente, a Responsabilidade Social é um modismo passageiro e até uma nova ferramenta de marketing. O que essa expressão significa para você e o que a Responsabilidade Social representa para o Magazine Luiza?

Luiza Helena: O que hoje é chamado de Responsabilidade Social faz parte de nossa cultura desde que minha tia fundou sua primeira lojinha, em Franca-SP, no interior de São Paulo. Sempre tivemos a ética, a honestidade e o respeito aos clientes, aos funcionários e aos fornecedores como premissa básica em todas as nossas ações e decisões. Sempre participamos ativamente nas comunidades onde atuamos, não apenas gerando empresas, mas sendo uma empresa solidária e aliada nas ações voltadas para a melhoria da sociedade. Então, mesmo que a moda passar, continuaremos praticando estes princípios e estas ações, independente do nome que tiveram no passado e que vierem a ter no futuro.

Blog: A Responsabilidade Social é factível num ponto de vendas varejista? E numa cadeia de lojas como é o Magazine Luiza? Como isso é possível?

Luiza Helena: Em qualquer empresa, independente do tamanho, do número de funcionários, ou do ramo de negócio (lícito, é claro), é possível praticar a Responsabilidade Social, na medida em que ética, honestidade, respeito, compromisso com o bem comum cabem em todo lugar.

Blog: E, como a Responsabilidade Social faz parte do dia-a-dia dos negócios do Magazine Luiza? Qual sua importância e motivação?

Luiza Helena: Como já mencionei, são princípios arraigados em nossa cultura. Colocamos estes princípios em prática diariamente, no envolvimento de toda a equipe nas tomadas de decisões estratégicas, nos benefícios que vão além dos exigidos por lei e são estendidos aos familiares de nossos colaboradores, no relacionamento ganha-ganha com nossos fornecedores, na implantação de medidas que reduzem o impacto ao meio ambiente, no envolvimento com projetos comunitários, no incentivo à cultura local, no compromisso com o bom atendimento ao nosso cliente. Enfim, todos os processos de nossa empresa estão permeados pela responsabilidade social.

Blog: A maior ferramenta para a divulgação das Ações de Responsabilidade Social junto aos stakeholders (público) interno ou externo é o web site corporativo. Contudo, existem empresas optam pela não divulgação, como é o caso do Magazine Luiza. Qual a razão por esta opção?

Luiza Helena: Nossas ações são amplamente divulgadas, e somos inclusive considerados, há 9 anos consecutivos, uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, justamente pela conduta ética nos negócios. Publicamos também nosso Balanço Social, e em minhas palestras tenho como objetivo disseminar este jeito de ser. Blog: Para finalizar esta nossa conversa, gostaríamos que você falasse para o estudante de hoje que poderá ser um empresário amanhã, quais são os principais pontos para o sucesso de uma empresa varejista?

Luiza Helena: Tenho dito aos estudantes que o mercado está super competitivo e eles têm que ter uma visão global, entender do consumidor, ser humilde e saber lidar com pessoas.

Blog: Parabéns pelo sucesso empresarial alcançado por você. Obrigado Luiza Helena por tão simpática entrevista e o Blog Ética nos Negócios estará sempre aberto ao Magazine Luiza.

Luiza Helena: Tive muito prazer em participar de um site que divulga tanto a ética. Um grande abraço.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

João Dória Jr.: CEO do Grupo Dória Associados

Blog: Em primeiro lugar, o Blog Ética nos Negócios quer agradecer ao CEO do Grupo Dória Associados por esta oportunidade e registrar nossa satisfação em conversar com o empresário, jornalista, publicitário e apresentador do Programa Show Business, João Dória Jr..
João Dória Jr.: O prazer é todo meu em participar do Blog Ética nos Negócios e agradeço a gentileza do convite.
Blog: Muitas pessoas imaginam que o João Dória Jr. é o apresentador de um renomado programa de entrevistas exibido há muitos anos em rede nacional de televisão: o Show Bussiness. Mas, seu currículo é marcado por muito trabalho e grandes conquistas. Conte-nos sobre o João Dória Jr. e suas experiências profissionais.
João Dória Jr.: João Dória Jr. tem 48 anos, nasceu em 16 de dezembro de 1957. Jornalista e publicitário. Começou a trabalhar com 13 anos de idade, quando teve sua primeira Carteira de Trabalho assinada para atuar na Agência de Publicidade Standard, Ogilvy. Meu trabalho nesta agência era Assistente de Rádio e TV. Na verdade minha responsabilidade era preparar as apresentações em slides e filmes da agência e organizar todo o arquivo de áudio e vídeo desta empresa de publicidade em São Paulo. Na seqüência, fui para a Rede Tupi de Televisão, depois Rede Bandeirantes, novamente Rede Tupi, novamente Rede Bandeirantes e MPM Publicidade - que na época era a maior agência de propaganda do Brasil e a 17º maior do mundo. Neste período, fui convidado pelo falecido Governador de São Paulo, André Franco Montoro, para ser um dos coordenadores da campanha vitoriosa ao Governo do Estado de São Paulo. Na seqüência, fui indicado Secretário de Turismo da cidade de São Paulo, cargo que assumi com 22 anos. Fui o mais jovem Presidente da Paulistur e Secretário de Turismo do Estado de São Paulo. Três anos depois fui indicado Presidente da Embratur, no Governo Sarney, assumindo com 25 anos, o que me fez também o mais jovem Presidente da Embratur até hoje. Terminado este período como Presidente da Embratur, voltei ao setor privado, fundei minha Agência de Publicidade, depois vendi a um grupo multinacional e criei minha empresa de produção de televisão e há 14 anos produzo meu programa Show Business. Criando depois a Dórias Associados que é a empresa controladora de outras empresas que hoje compõem o Grupo Dória Associados: uma editora, uma produtora de TV, um Centro de Convenções e uma empresa de Marketing e Consultoria.
Blog: Que lições você tirou destas experiências políticas?
João Dória Jr.: As experiências no setor público foram hiper positivas. Aprendi a respeitar o setor público, o seu funcionalismo e a dimensão democrática que estabelece as responsabilidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e as relações com a comunidade. Aprendi sobretudo com dois grandes mestres da vida pública brasileira: Franco Montoro e Mário Covas. Exemplos de Franco Montoro e Mário Covas, e mais recentemente de Geraldo Alckmin, nos oferecem um horizonte ético e entusiasmante para a gestão política no Brasil.
Não posso deixar de registrar também, que no Governo Sarney, a quem servi como Presidente da Embratur, tive apoio e gestos generosos do Presidente José Sarney, assim como do ex-Ministro da Indústria e Comércio há época, José Hugo Castelo Branco. A todos eles sou muito grato pelas oportunidades que me ofereceram e pelo apoio que me disponibilizaram. As lições da experiência política foram enormes, sobretudo da humildade, da consciência e de não tomar decisões precipitadas. A política ensina muito e traz sabedoria para quem quer aprender.
Blog: Você também chegou a ser professor numa das mais tradicionais faculdades do país. Fale pra gente desta experiência e do seu aprendizado.
João Dória Jr.: Fui professor de Marketing na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) durante três anos. Na verdade eu me formei aos 21 e aos 22 já era professor na mesma universidade onde eu havia me formado no ano anterior. Foi uma experiência também muito rica, muito importante. Foi muito enriquecedor poder ensinar e compartilhar com os alunos suas próprias experiências. Melhor aprendizado neste período como professor foi o da disciplina e a capacidade de interpretar adequadamente os alunos e exercer o sentido de justiça nas suas avaliações.
Blog: Quais as lições colhidas durante sua atuação na televisão nas décadas de 70 e 80?
João Dória Jr.: A Rede Bandeirantes foi uma escola tanto quanto a Rede Tupi de Televisão. Nestas duas redes aprendi a gostar de televisão e a respeitar os profissionais que atuam para produzir uma das melhores televisões do mundo que é a brasileira.
Blog: O programa “Show Business” traz matérias voltadas para o debate econômico em âmbito empresarial. Dirigido a um público alvo qualificado, o programa discute as idéias, os princípios e a prática da vida empresarial no Brasil nos seus diferentes níveis, do universo das micro ao das grandes empresas. A que se dá esse sucesso? Já existem algumas mudanças e novidades programadas para 2007?
João Dória Jr.: O Programa Show Business está no ar há 14 anos, próximo de completar seus 15 anos, ininterruptamente no ar, todos os domingos às 11 da noite. A razão do sucesso do programa está na qualidade dos entrevistados, na formulação das perguntas, na presença no mesmo dia e horário e emissora durante tantos anos, criando uma audiência cativa e renovando também essa audiência com jovens empreendedores e, particularmente, com as mulheres, que hoje representam 48% do público telespectador do Show Business.
Em 2007 nós teremos um novo cenário e novas vinhetas, mas vamos manter o conteúdo e o formato básico do programa que, felizmente, está consagrado.
Pesquisa do Instituto DataFolha realizada em maio deste ano revelou que 94% dos telespectadores do programa confiam nas informações e no seu apresentador. Isso é a melhor prova da essência e da credibilidade do programa.
Blog: O Grupo Dória Associados realiza também workshops. Para que serve este tipo de evento? Quais são os públicos-alvo? Quais os objetivos e os benefícios a serem alcançados pelos participantes?
João Dória Jr.: Nós realizamos o FAMILY WORKSHOP ®, o FÓRUM EMPRESARIAL ® de Comandatuba e também o MEETING INTERNACIONAL ®. São três eventos importantes que reúnem presidentes das maiores empresas privadas do Brasil para discutir temas de interesse comum à economia privada do país. O FAMILY WORKSHOP ® especificamente, é um encontro além de discutir temas de ordem empresarial, discute também o papel e a importância da família no posicionamento de empresários e empresários ou dirigentes de corporações. Eu costumo sempre dizer que pais felizes são dirigentes de empresas mais justos e eficientes.
Blog: Dizem que o homem tem que plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Você já conseguiu realizar tudo isso, mas na sua opinião, o que mais dever ser acrescentado nesta frase visando complementar tudo aquilo que o homem dever fazer e praticar neste mundo?
João Dória Jr.: Felizmente eu plantei várias árvores, tenho três filhos e escrevi dois livros, mas a vida é movida a desafios, quem perde o sentido do horizonte na sua vida, começa a diminuir a sua razão de existência. O ser humano precisa encontrar sempre os seus desafios pessoais, espirituais, empresarias e culturais para poder se manter ativo, apaixonado, com vontade de viver na plenitude.
Blog: Você também atua no Terceiro Setor? Porque? Comente conosco a importância em se participar neste segmento de nossa sociedade?
João Dória Jr.: Sempre defendi a participação dos indivíduos e de empresas em programas do Terceiro Setor. País pobre e com enormes limitações como o Brasil obriga você a ter uma visão social em torno do que você faz e onde você vive. Você não pode agir de forma egoísta, pensando apenas no seu bem, no seu conforto e no seu bem estar. Há muitos anos eu dedico parte do meu tempo e também realizo investimentos pessoais e corporativos em instituições do Terceiro Setor.
Fundei o ISO – Instituto Solidariedade; faço parte da Fundação S.O.S. Mata Atlântica; fundei e presidi a AME Campos – Associação dos Amigos de Campos do Jordão; fundei e sou presidente de honra da AMEM – Associação dos Amigos do Menor pelo Esporte Maior e também fundei a AME Jardins – Associação dos Amigos dos Jardins que fica em São Paulo.
Além disso, colaboro com 5 instituições do Terceiro Setor e criei o EDH – Empresários para o Desenvolvimento Humano, braço social do LIDE – Grupo de Líderes Empresarias que em parceria com o Instituto Ayrton Senna desenvolve programas voltado para a educação das camadas mais pobres da população brasileira.
Blog: Gostaríamos que você comentasse um pouco mais sobre o LIDE – Grupo de Líderes Empresarias e como outras empresas interessadas podem participar?
João Dória Jr.: O LIDE é o maior e mais importante movimento empresarial do país. Hoje são 400 empresas, 800 dirigentes empresariais e 40% do PIB privado brasileiro reunido no LIDE. O objetivo deste movimento é valorizar a ética, defender a livre iniciativa, promover programas de responsabilidade social e defesa ambiental, e fortalecer as relações empresariais.
O LIDE além do EDH – Empresários para o Desenvolvimento Humano possui também o LIDEM que é o Grupo de Mulheres Líderes Empresariais, presidido por Chieko Aoki que tem por objetivo valorizar a presença da mulher em posições de liderança nos setores público e privado no Brasil.
O LIDE exige que as empresas tenham um faturamento mínimo de R$ 200 milhões. É fundamental que as empresas tenham, pelo menos, um Programa de Responsabilidade Social, Governança Corporativa e, se tiverem atuação na área ambiental, serem empresas que possuam a necessária responsabilidade ambiental.

Blog: Acreditamos que a Atuação Responsável de uma empresa engloba, necessariamente, a Responsabilidade Ética, a Responsabilidade Social e a Responsabilidade Ambiental e, a essas responsabilidades, damos o nome de Tripla Responsabilidade Corporativa. Na sua opinião, qual a relevância da ética nos negócios e da responsabilidade social e ambiental na gestão e no dia-a-dia das empresas?

João Dória Jr.: Empresas modernas são empresas que respeitam seus funcionários, que respeitam também os Programas de Responsabilidade Ética, Social e Ambiental. Para isso, não importa o tamanho da sua empresa e nem sua área de atuação, o que importa é o seu grau de consciência ética e de responsabilidade.

Blog: Além disso, quais são os principais avanços alcançados pelas empresas nesta tripla responsabilidade neste início de século e o que pode ser melhorado?

João Dória Jr.: O Brasil melhorou muito nos últimos quinze anos no seu padrão de Responsabilidade Social e Ambiental. Apenas na ética não acompanhou o mesmo ritmo. Infelizmente, os exemplos negativos do setor público acabam, muitas vezes, contaminando o setor privado, especialmente aqueles que mantêm relações com os governos. Ainda temos um longo caminho para melhor o posicionamento ético, tanto no setor público quanto no setor privado no Brasil.

Blog: O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios tem a principal função de fomentar a ética nos negócios e a responsabilidade social e ambiental, especialmente entre as crianças, jovens e adolescentes, em razão dos estudantes de hoje serem os futuros colaboradores, executivos, dirigentes e proprietários das empresas de amanhã. Para isso, conta com o Projeto RSC na Escola e com os Blogs Ética nos Negócios e Entrevista CEO. E, com estes projetos, acredita que possa contribuir com a formação de adultos-cidadãos e líderes socialmente responsáveis. O que você acha desta atuação?

João Dória Jr.: A proposta do Instituto Ética nos Negócios é louvável, sobretudo conscientizando os jovens da importância do respeito à ética. O grande movimento pela transformação do Brasil passa pela educação e neste sentido, passa também pelo ensinamento e obediência a ética junto às crianças e especialmente aos adolescentes.

Blog: Queremos voltar no assunto do EDH – Empresários pelo Desenvolvimento Humano para saber de que forma as empresas podem participar deste importante movimento.

João Dória Jr.: Empresas privadas podem ser voluntárias e apoiar os programas do EDH, mas essa colaboração passa, necessariamente, pela integração das empresas ao LIDE e a partir do LIDE terem uma atuação no plano social através do EDH. O trabalho de informações sobre o LIDE os leitores e participantes do Blog Ética nos Negócios podem consultar nosso Web Site.

Blog: Para finalizar, qual o conselho que você pode dar para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho ou àqueles que vislumbram crescer profissionalmente em suas empresas?

João Dória Jr.: O melhor conselho que eu posso oferecer aos jovens é confiar nas suas iniciativas, serem perseverantes, serem éticos, terem espírito de equipe, nunca perderem a humildade e colocarem os seus sonhos como objetivos a serem alcançados.

Blog: Foi uma enorme satisfação para o Blog Ética nos Negócios conversar com o João Dória Jr.. Nosso espaço estará sempre aberto para você. Um abraço grande.

João Dória Jr.: Eu queria agradecer o Blog mais uma vez pela oportunidade da entrevista, portanto fica aqui o meu sincero agradecimento.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Paulo Skaf - presidente da FIESP

Antes de iniciarmos as entrevistas com os principais executivos das empresas instaladas no Brasil, o Blog Ética nos Negócios abre o Entrevista CEO com um bate papo com o Sr. Paulo Skaf, empresário do ramo têxtil e que atualmente comanda a FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Confira esta agradável conversa:
Blog: Gostaríamos de abrir esta entrevista conhecendo o Paulo Skaf cidadão, empresário e o presidente de uma das mais importantes e influentes instituições deste país: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp. Fale um pouco do senhor.
Paulo Skaf: Sou um cidadão que ama este país e luta muito por seu desenvolvimento. Defendo esta meta como a causa maior de cada um dos brasileiros e de toda a Nação. É com este espírito e compromisso ético que pautamos nossa gestão na Fiesp.
Blog: A Fiesp é a entidade máxima de representação da indústria paulista e tem como objetivo tornar este importante segmento mais competitivo. Quais são os principais obstáculos encontrados e quais os desafios para superá-los? E, qual a participação e contribuição dos governos neste sentido?
Paulo Skaf: Os principais obstáculos enfrentados pela indústria e as instituições que a defendem, como a Fiesp e a CNI, são os mesmos que atormentam todos os segmentos produtivos de nosso país: uma política econômica extemporânea, permeada pelos mais altos juros do mundo, câmbio irreal, impostos exagerados, ausência de políticas mais ousadas visando ao desenvolvimento, burocracia excludente, legislação trabalhista onerosa e inflexível, penosos gargalos de infra-estrutura, tudo isto se somando para desestimular e tornar mais cara a produção e menos competitiva nossa economia.
Quanto à participação/contribuição dos governos para superar esses obstáculos, não é possível analisar isto de modo tão linear. O Governo Federal, é verdade, tem insistido, nos últimos 12 anos, em manter o monetarismo exacerbado como remédio contra a inflação. Nesse sentido, podemos dizer que tem atrapalhado o País, pois tal modelo já se esgotou como solução no mundo globalizado. Precisamos de uma política econômica mais ousada, criativa e com olhar mais amplo. A Fiesp tem realizado numerosos estudos e os colocado à disposição das autoridades competentes, além de cobrar soluções.
Chamo isto de exercício legítimo da autoridade produtiva. Pode-se dizer que quando os governos - da União, estados e municípios - acolhem sugestões pertinentes da sociedade, estão ajudando na solução dos problemas.
Blog: Além das 133 entidades sindicais filiadas - representando os mais diversos segmentos da indústria paulista - sabemos que a Fiesp é integrante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e, também o Sistema Fiesp engloba e disponibiliza inúmeros serviços através do Sesi (Serviço Social da Indústria) e do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). O senhor pode comentar sobre cada uma destas instituições e o que elas contribuem para o cumprimento dos objetivos da Fiesp?
Paulo Skaf: A CNI é a entidade nacional da indústria, com a qual o Sistema Fiesp mantém absoluta sinergia na defesa do setor e do desenvolvimento brasileiro.
Os sindicatos aos quais você refere-se são a própria razão de existir da Fiesp. São eles os legítimos representantes de cada segmento da indústria paulista e a eles nos reportamos em cada passo em defesa de nosso setor.
No tocante ao Senai-SP, a capacitação profissional e a assistência técnica e tecnológica que disponibiliza às empresas são ferramentas estratégicas para as indústrias que desejam oferecer diferenciais tecnológicos e respostas rápidas e eficientes a seus clientes. Anualmente, são emitidos cerca de 800 mil certificados de conclusão nos diversos cursos e treinamentos, que abrangem: Aprendizagem Industrial, para jovens de 14 a 24 anos, em 38 áreas ocupacionais; Cursos Técnicos, de nível médio, em 41 habilitações; Formação continuada, treinamentos de curta duração para especialização e aperfeiçoamento de trabalhadores da indústria; Faculdades de Tecnologia - formação de tecnólogos, em nível superior e Pós-Graduação, nas áreas: Ambiental, Vestuário, Tecnologia Gráfica e Mecatrônica.
O Senai-SP é uma das maiores instituições do gênero do País.
Quanto ao Sesi-SP, precursor no desenvolvimento de ações de responsabilidade social empresarial, está presente em 115 municípios paulistas, por meio de 211 centros educacionais e 51 Centros de Atividades. É a maior rede de ensino privado do País. Atende 125 mil alunos por ano, matriculados nos cursos de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Em nossa gestão, estamos implementando o Ensino Médio. Aos jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos na idade convencional, a instituição ministra cursos especiais, ofertando mais de 60 mil vagas por ano. Além disto, o Sesi-SP mantém amplos programas de saúde, esportes, lazer, cultura e alimentação, acessíveis aos industriários, suas famílias e também à comunidade.
Blog: O Instituto Roberto Simonsen (IRS) é o espaço de discussão de idéias nos campos político, econômico, jurídico e social da indústria. O IRS é formado por quem e qual a sua importância?
Paulo Skaf: Em nossa gestão, consideramos o Instituto Roberto Simonsen tão importante, que eu próprio, como presidente da Fiesp, também o presido. O IRS é um centro de estudos avançados, gerador de idéias e indutor de projetos culturais, hoje integrado por algumas das mais lúcidas mentes deste país. É responsável pela publicação de pesquisas, documentos e obras literárias e a promoção de palestras e seminários, como o Fórum Euro-Latino-Americano, que já teve três edições, uma delas em Lisboa, Portugal. O IRS coordena, também, as reuniões dos Conselhos Superiores Temáticos – órgãos técnicos estratégicos, cuja função é promover o debate e análise de questões relevantes para a indústria de São Paulo e do Brasil. Integrados por cientistas políticos, intelectuais e figuras de destaque no cenário político e econômico brasileiro, os Conselhos Superiores são responsáveis pelas diretrizes estratégicas da Fiesp.
Na atual gestão, o diálogo institucional entre o setor produtivo e o Poder Legislativo foi significativamente ampliado. Deputados e senadores têm participado das reuniões dos Conselhos, na qualidade de convidados especiais da Presidência. De outro lado, a Fiesp mantém escritório em Brasília, visando a acompanhar a tramitação de projetos de lei ou emendas constitucionais de interesse do setor produtivo. Toda essa relação, sempre permeada pela liberdade e pela independência das partes.
Blog: Quais os principais serviços que a Fiesp presta aos seus associados?
Paulo Skaf: A atual estrutura da Fiesp reflete o pensamento estratégico e o tratamento homogêneo que confere às várias cadeias produtivas e aos sindicatos, independentemente do porte das empresas ou do segmento a que pertencem. Para tanto, foram criados, na atual gestão, os Comitês de Cadeias Produtivas - fóruns de análise de desempenho, fatores críticos e necessidades, com vistas ao crescimento setorial harmônico em cada sistema industrial, nos aspectos institucional, organizacional, técnico e tecnológico.
A Fiesp mantém articulações com os principais agentes setoriais, públicos ou privados, fazendo-se representar em mais de uma centena de fóruns, de âmbito estadual e nacional.
Eis alguns outros importantes serviços da entidade: orientação ao investidor estrangeiro; consultoria sindical e jurídica; Certificado de Origem, necessário na exportação, emitido em apenas 24 horas; orientação técnica e assessoria em comércio exterior; ações para o fortalecimento das micro, pequenas e médias indústrias; parcerias para aumentar a oferta de crédito e orientar nas questões de financiamento; divulgação das licitações do setor público, facilitando a participação das indústrias; programas ambientais; e aprimoramento tecnológico.
Blog: Existem regionais da Fiesp em todo o Estado de São Paulo? Quais são suas principais atribuições e atividades junto às indústrias locais?
Paulo Skaf: Em nossa gestão, criamos o Departamento Regional (Depar). O propósito foi justamente o de levar a todo o Estado, por meio de Diretorias Regionais, os serviços aos quais nos referimos na questão anterior.
Costumo dizer que, em nossa administração, a Fiesp deixou de ser uma entidade da Avenida Paulista, transformando-se, de fato, numa entidade paulista. São mais de 50 regionais cobrindo todo o estado.

Blog: Quando falamos em indústria, imediatamente pensamos nas grandes empresas. A micro, pequena e média indústria também pode fazer parte da Fiesp? Existem serviços direcionados e na medida certa para este pequeno empresário? Como ele pode proceder para se filiar à Fiesp?

Paulo Skaf: Claro que as pequenas e microempresas podem fazer parte da Fiesp. E fazem! Devem filiar-se por meio dos sindicatos representativos de seus segmentos industriais. Em nossa gestão, uma das prioridades é a pequena e microempresa. Em sua defesa, temos atuado ao lado do Sebrae-SP e do Sebrae-Nacional. A mobilização da Fiesp foi decisiva para o encaminhamento e aprovação, na Câmara dos Deputados e no Senado, da Lei Geral da Micro e da Pequena Empresa, que melhorará muito as condições para a sua criação e desenvolvimento.

Blog: Acreditamos que o desenvolvimento econômico e o crescimento devam estar alicerçados no desenvolvimento sustentável que tem nas melhores práticas empresarias - aquelas que envolvem a ética nos negócios e a responsabilidade social e ambiental - seus pilares para a sustentabilidade, inclusive contribuem para a sobrevivência da própria empresa. Qual a participação da Fiesp neste ponto e quais as estratégias e ferramentas oferecidas às indústrias para auxiliá-las na formulação e implantação de uma política voltada para a Responsabilidade Social Corporativa (RSC)?

Paulo Skaf: A Fiesp tem-se pautado pela disseminação da ética e da responsabilidade social como pressupostos inalienáveis do desenvolvimento da indústria e do País. Exemplo disto se expressa no posicionamento e nas ações da entidade no campo ambiental. Entendemos que administrar de maneira eficiente o passivo ambiental é questão prioritária para a sustentabilidade das indústrias. Consciente desse compromisso, a Fiesp assessora os sindicatos e empresas associadas no cumprimento dos requisitos ambientais, conciliando-os com os interesses e negócios da indústria. Dentre as várias ações institucionais, a entidade organiza anualmente a Semana do Meio Ambiente, seminário internacional com workshops e entrega do Prêmio Fiesp do Mérito Ambiental. Visando a estimular o consumo racional e a preservação dos mananciais hídricos, criamos o Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água. A meta é difundir boas práticas e medidas efetivas na redução do consumo e desperdício.

Blog: Já que estamos falando de meio ambiente. Uma das grandes preocupações do mundo atualmente é com o Aquecimento Global ocasionado pelo efeito estufa em razão do excesso de emissão de gases, especialmente o CO², na atmosfera terrestre. Esses gases são emitidos, em sua maioria, por veículos e pelas indústrias. Qual tem sido o posicionamento da indústria paulista neste sentido? E qual será a contribuição da Fiesp?

Paulo Skaf: Preocupação, aliás, muito justificada. Afinal, em setembro último, a Nasa, numa assustadora notícia, informou o mundo sobre o lamentável recorde do buraco na camada de ozônio. O risco é real! A indústria paulista, com todo o empenho e apoio da Fiesp, conforme explicitei anteriormente, busca cada vez mais o caminho da produção limpa, incluindo processos para mitigar a emissão dos gases do efeito-estufa. Isto é primordial.

Blog: Isso vale para qualquer segmento da indústria independente do seu porte? Por quê?

Paulo Skaf: Os compromissos com o ético, a responsabilidade social, a consciência ecológica e a sustentabilidade das atividades econômicas são valores inexoráveis dos sistemas produtivos e, portanto, de toda a ação da Fiesp.

Blog: O senhor pode comentar sobre as diretrizes e importância do ConSocial da Fiesp e qual sua importância neste contexto?

Paulo Skaf: Para tratar deste importante tema, a Fiesp constituiu o ConSocial - Conselho Superior de Responsabilidade Social Empresarial sob a coordenação do ex-ministro Paulo Renato de Souza, e integrado por personalidades como, por exemplo, Viviane Senna, fundadora e presidente do Instituto Ayrton Senna (IAS). Entendida como ferramenta para a competitividade, o crescimento e o lucro, a responsabilidade social vem sendo disseminada como instrumento de gestão de negócios, capaz de gerar resultados e benefícios para os trabalhadores e a comunidade, sobretudo para a empresa. Para isso, o Sistema Fiesp utiliza duas importantes ferramentas de difusão das boas práticas: o Programa Sou Legal, de combate à informalidade e à não-conformidade técnica dos produtos, e o Programa SESI de Qualidade no Trabalho (PSQT).

O PSQT oferece um diagnóstico gratuito para a empresa sobre as possibilidades de melhoria em sua gestão para gerar lucro e empregos, garantir a sustentabilidade da indústria, ter colaboradores satisfeitos e produtivos e, dessa forma, contribuir para o bem-estar social. As 100 empresas participantes da edição 2006, entregamos o Relatório de Consultoria.

Blog: Sabemos que o Brasil terá enorme destaque global nos Créditos de Carbono. O senhor pode explicar sobre este novo mercado e como as indústrias participantes contribuirão para a preservação do meio ambiente? E existem benefícios financeiros com esses créditos?

Paulo Skaf: Os créditos de carbono foram instituídos no âmbito do Protocolo de Kioto. Em síntese: as empresas brasileiras emissoras dos gases do efeito-estufa que realizarem projetos comprovadamente capazes de reduzir ou extinguir tais emissões podem vender essa equivalência em créditos de carbono. Isto significa exportar consciência ecológica, com direito a ganhar dinheiro com esta virtude.

Até 2012, quando terminará o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kioto, é importante que o Brasil possa desenvolver todo o seu potencial no desenvolvimento desses projetos de produção limpa, que geram divisas e empregos, além de contribuírem para a melhoria da qualidade de vida das comunidades.

Blog: Para finalizar este nosso bate papo. Qual o conselho que poderia ser dado aos futuros empresários quanto à importância e os benefícios de uma Gestão Responsável bem como da Ética nos Negócios?

Paulo Skaf: Vale a pena cultivar e praticar esses valores. Nosso país será tão bom quanto a nossa capacidade de promover o seu desenvolvimento sobre o alicerce da ética, justiça social, ambiente saudável e qualidade de vida.

Blog: Queremos agradecer a participação do Sr. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no Blog Ética nos Negócios e dizer que este espaço estará sempre à sua disposição.

Paulo Skaf: A satisfação é toda nossa! Até a próxima oportunidade e um abraço a todos.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Novidade do Blog Ética nos Negócios

O Blog Ética nos Negocios está lançando uma nova e importante seção. Trata-se do Entrevista CEO que estará publicando um bate-papo com os principais executivos das empresas instaladas no Brasil e assim, estaremos conhecendo os pontos de vista e como são conduzidas as questões relacionadas a Ética nos Negócios, a Responsabilidade Social e Ambiental, e ao Desenvolvimento Sustentável.
Estas importantes opiniões poderão servir de exemplo e modelo de Gestão Responsável a outros profissionais e empresários, e especialmente, aos adolescentes e jovens-executivos que serão os Líderes Socialmente Responsáveis das empresas de amanhã.
Em breve, estaremos postando a primeira entrevista.
Vale a pena aguardar!
Saudações,
Douglas Linares Flinto
Diretor Presidente