quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O presente de aniversário não poderia ser melhor

Há um ano nascia o Blog Ética nos Negócios e com ele o Blog Entrevista CEO. E, neste primeiro aniversário não poderíamos receber um presente melhor!

A partir de hoje, fazemos parte da equipe de colunistas e blogueiros do jornal on-line Último Segundo e por este motivo, estamos hospedados num dos maiores e mais respeitados portais do país: o Internet Group (iG), unidade de Internet da Brasil Telecom, reunindo os portais iG, iBest e BrTurbo.

O iG conta com mais de 20 milhões de UV/mês, ocupa o primeiro lugar entre os provedores discados da América Latina, o segundo em banda larga e um dos três maiores portais de conteúdo do Brasil. Além disso, tem 8 milhões de e-mails ativos.

Na estréia do Blog Entrevista CEO no iG, fomos honrados com a presença do presidente da maior empresa em atuação no país, José Sérgio Gabrielli, da Petrobras.

Nosso novo endereço no iG é http://entrevistaceo.blig.ig.com.br/.

Faça uma visita, divulgue esta novidade entre seus amigos e, se preferir, você poderá ser avisado a cada novo post publicado. É só clicar aqui.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Resultado Pesquisa do Blog

QUAL O PRINCIPAL ÔNUS DE SER UM CEO?

  • Pouco tempo para a família: 44,83%

  • Pressão por resultados 20,69%

  • Excesso de trabalho 10,34%

  • Solidão 24,14%

A opção com maior votação foi exatamente o pouco tempo que altos executivos têm para passar com suas famílias. Este é o maior sacrifício para subir na carreira. Será que dá para conciliar o trabalho com a família? Dê sua opinião!

Logo depois vem a opção "solidão" com quase ¼ dos votos. Como declarou à imprensa o porta-voz do ex-presidente americano, Bill Clinton, resolveu criar um cão labrador na Casa Branca: “o presidente quer ter pelo menos um amigo leal”. Será que é assim mesmo? Eu penso que sim, e você?

Observação Importante: Em virtude da novidade que está sendo preparada para você, a qual nos pronunciaremos logo mais no início de agosto/07, não realizaremos novas enquetes por aqui.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Max Gehringer

O Blog Ética nos Negócios tem a satisfação de receber um dos maiores e mais respeitados palestrante do Brasil. Além disso, o que ele fala em suas crônicas ou escreve em seus livros, não é resultado apenas do aprendizado teórico adquirido nas salas de aula, mas sim, de quem viveu intimamente no mundo dos negócios, conquistando degrau por degrau, por isso mesmo transmite sua mensagem com tamanha autoridade, inteligência, sensibilidade e muito bom humor, fazendo com que reflitamos sobre nós mesmos e até mudemos nossos paradigmas, atitudes e comportamentos.

Seu currículo é para deixar qualquer chairman e o conselho de administração confortáveis e confiantes em entregar em suas mãos o comando e a condução dos negócios da companhia: administrador de empresas, com pós graduação pela FGV e ocupante de cargos executivos em grandes empresas, dentre eles: presidente da Pepsi-Cola e da Pullman, diretor industrial e de vendas da Elma Chips, diretor de sistemas da PepsiCo Foods nos Estados Unidos.

Comentarista de empregos e carreiras na revista ÉPOCA, cronista da Rádio CBN no programa Mundo Corporativo e, mais recentemente, começou a apresentar o quadro Emprego de A a Z no programa Fantástico, da TV Globo. Como se não bastasse, é autor de sete livros que descrevem o lado irônico da vida corporativa, como: Relações Desumanas no Trabalho, Comédia Corporativa, Não Aborde Seu Chefe No Banheiro e O Melhor de Max Gehringer na CBN.

Nosso entrevistado comprova que é possível subir na carreira com dedicação, empenho e integridade ética de conduta. Seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi de auxiliar de faxina e o último foi de CEO da Pullman.

O Blog Ética nos Negócios tem a imensa satisfação de conversar com Max Gehringer que muito gentilmente aceitou nosso convite, nos honrando com sua presença.

Blog: Nossos leitores já conhecem o profissional Max Gehringer. Seria possível conhecermos também a pessoa do Max Gehringer. Fale de você.

Max Gehringer: Nasci em Jundiaí, cidade que fica a 60 Km de São Paulo. Meu pai era mecânico, minha mãe tecelã. Ambos trabalharam até a aposentadoria, e conseguiram construir uma casa própria, o grande sonho dos trabalhadores até a década de 1960. Cresci numa época em que “ter uma colocação por toda a vida” era a grande meta profissional para os filhos das classes mais baixas (tecnicamente, minha família pertencia à classe C).

Blog: Sua trajetória profissional comprova, apesar de toda competitividade que existe no mundo corporativo, que é possível subir os degraus dentro da empresa. Quais as qualidades mais admiradas num profissional e que impulsionaram sua carreira?

Max Gehringer: Eu nunca me preocupei em fazer planos de carreira. Acredito que as coisas tenham dado certo porque eu sempre estive preparado para aproveitar as oportunidades que apareceram. Olhando em retrospectiva, eu sempre consegui gerar resultados acima de meus objetivos, e sempre me dei bem com meus chefes e meus colegas. Por mais conceitos de nomes complicados que tenham aparecido nas últimas décadas, são essas duas coisas que continuam impulsionando carreiras

Blog: Em 1999, quando ainda era CEO da Pepsi no Brasil, você foi escolhido em pesquisa do jornal Gazeta Mercantil, como um dos "30 Executivos Mais Cobiçados do Mercado" e isso, sem dúvida alguma, foi um enorme reconhecimento coroando sua bem sucedida carreira profissional. Entretanto, nesse mesmo ano, você tomou uma rara decisão no mundo dos negócios trocando o certo pelo duvidoso, ou seja, deixou a vida de alto executivo para ingressar num mundo até então desconhecido para você: escrever e dar palestras pelo Brasil. Quais os motivos que o levaram a mudar radicalmente sua vida profissional? Oito anos depois, valeu a pena?

Max Gehringer: Sem dúvida, valeu. Quando eu decidi deixar de ser executivo para ser escritor, aos 49 anos, todo mundo me disse que eu tinha perdido o juízo. Mas eu estava mirando no futuro. Eu poderia passar mais 10 ou 15 anos em empresas, mas teria mais 30 ou 40 anos de vida. Decidi então antecipar minha entrada nessa fase pós-empresas. Foi uma das decisões mais sensatas que tomei na vida.

Blog: Um executivo competente é sempre lembrado. Nestes anos todos, você já recebeu alguma proposta para retornar ao mercado? Pensou em voltar?

Max Gehringer: Nunca. Alguns head hunters me sondaram, nos dois anos seguintes à minha decisão de parar. Mas eu agradeci a lembrança, e recusei. Até porque minha nova carreira progrediu muito rapidamente. Ganhei espaços nas duas principais revistas do país, numa das rádios de maior audiência do Brasil, e no principal programa da TV brasileira. Essa visibilidade gerou e continua gerando mais convites para palestras do que eu posso atender. Na verdade, nunca tive um bom motivo para voltar à vida empresarial. E, do ponto de vista de qualidade de vida, nem há comparação.

Blog: Em sua opinião, quais foram as mudanças de maior relevância que ocorreram no mundo dos negócios nos últimos anos e o que ainda esta por vir?

Max Gehringer: A principal mudança foi a do controle da carreira. A vida profissional era delegada a uma empresa, que tudo provia e tudo decidia. Hoje, passou a ser uma responsabilidade de cada um. Desapareceu o conceito de “obediência irrestrita” e surgiu o conceito de utilidade mútua e recíproca. Por isso, as pessoas já não têm receio de pedir demissão quando surge uma oportunidade. Também por isso, as empresas estão demitindo sem piedade. Essa nova situação gerou uma geração de prestadores de serviços autônomos, de terceirizados e de empreendedores, por necessidade ou vocação. O trabalho com carteira assinada foi um fenômeno típico do século XX. Não existia antes, e aos poucos está deixando de ser a principal opção no século XXI.

Blog: Os negócios devem ser conduzidos com a razão ou com o coração?

Max Gehringer: Com a razão, sem dúvida. No Brasil, os times de futebol são conduzidos com o coração, e por isso estão todos quebrados. Na Europa, eles são dirigidos como empresas, racionalmente, visando o lucro. E por isso se tornam cada vez mais fortes. É muito importante adicionar sentimentos à rotina de uma empresa, porque isso cria bons ambientes de trabalho. Mas as decisões importantes precisam ser racionais.

Blog: Quais são as principais responsabilidades, atribuições e desafios que os CEOs enfrentam em seu dia-a-dia? E, quais as maiores preocupações, receios e anseios?

Max Gehringer: O CEO está se tornando um neurótico de carteirinha, coitado. Espera-se dele, ao mesmo tempo, a capacidade de acertar em todas as decisões de curtíssimo prazo, e a habilidade para desenvolver estratégias viáveis de longo prazo. Espera-se que ele tenha um alto grau de preocupação com as pessoas, e ao mesmo tempo tenha que, eventualmente, dispensá-las para preservar a lucratividade. Não é de estranhar que, dos 100 CEOs das maiores empresas do mundo há 10 anos, apenas 10% tenham conseguido se manter na posição. E a maioria não saiu porque recebeu proposta melhor. A maioria foi, simplesmente, dispensada, porque os resultados ficaram abaixo das expectativas dos acionistas.

Blog: Muitas empresas separam as funções de Chairman e CEO. Outras, porém, fazem questão de que seu principal executivo exerça os dois cargos. Existem vantagens e desvantagens em cada caso? Em sua visão, qual a melhor opção para a empresa?

Max Gehringer: Quando as duas funções existem, o Chairman se encarrega das estratégias, e o CEO da operação. Isso, em teoria. Na prática, não raramente, um quer derrubar o outro e ficar com o bolo inteiro. Nas empresas pelas quais eu passei, e que tinham as duas funções, minha impressão sempre foi a de que uma das duas estava sobrando.

Blog: Certa vez, o porta-voz de Bill Clinton, quando ele resolveu criar um cão labrador na Casa Branca, declarou a imprensa: “o presidente quer ter pelo menos um amigo leal”. Isso também ocorre na vida do principal executivo de uma companhia? Como isso é enfrentado e superado?

Max Gehringer: O CEO, enquanto está no cargo, é como o cantor Roberto Carlos: tem um milhão de amigos. O tempo se encarrega de separar os amigos por interesse dos amigos de verdade. Em meus tempos de diretor e presidente, eu convivi, bem de perto, com mais de 500 pessoas. Dessas, hoje, 5 são amigos com quem eu me encontro rotineiramente. A maioria dos meus amigos vem dos tempos de infância e juventude, quando a gente construiu uma amizade com base na afinidade pessoal, e não no interesse profissional. Muitos CEOS não têm essa noção de que toda a badalação provém do cargo, e não das qualidades pessoais do ocupante dele. Além disso, muitos se acostumam com as benesses, como se elas pertencessem de fato a eles. Falam “meu carro”, “meu motorista”, “meu celular”, “meu clube”, quando todas essas coisas são concessões temporárias da empresa ao ocupante de um cargo. Por isso, é maravilhoso ser CEO. Mas deixar de ser é uma desgraça, se a pessoa não estiver bem preparada. Porque tudo o que era doce desaparece de repente.

Blog: Entretanto, para muitos que estão de fora, apenas enxergam o poder, o glamour, a remuneração e os privilégios que cercam a vida dos alto executivos. Porém, se esquecem das pressões e dos sacrifícios que são realizados, especialmente, em relação à vida pessoal e familiar. Nos dias de hoje, ainda é possível conciliar a vida profissional e pessoal? Como isso pode ser feito?

Max Gehringer: Não, não é possível. É uma ilusão. Altos executivos trabalham de 12 a 14 horas por dia. E ficam à disposição da empresa, através de celulares e e-mails, 24 horas por dia, fins de semana incluídos. Esse é o preço que se paga para chegar ao topo. É verdade que altos executivos podem passar férias em lugares maravilhosos, comer em restaurantes refinados, colocar os filhos nas melhores escolas. Tudo isso funciona como uma compensação pela dedicação quase integral à carreira. Quando um executivo diz que se exercita às 5 da manhã, e faz ioga à meia noite, isso está longe de ser qualidade de vida. É mais uma confissão de que ele não é dono de seu próprio tempo. Mas, embora tudo isso possa parecer negativo, qual seria a alternativa? Ganhar pouco e ficar décadas na mesma função? A maioria das pessoas que entra no mercado de trabalho está disposta, e de bom grado, a sofrer o que um CEO sofre.

Blog: Muito se fala sobre o papel social das empresas. Para você o que significa Responsabilidade Social Corporativa? Isso é um modismo, uma onda, uma nova ferramenta do marketing ou uma tendência natural que veio para ficar e se desenvolver?

Max Gehringer: Para entender o que isso significa, é preciso recuar no tempo. A história das civilizações foi construída através da barbárie, embora os livros de História tentem dar a essas conquistas uma aura heróica. Os espanhóis chegaram à América do Sul e dizimaram as culturas asteca, inca e maia. Os colonizadores britânicos praticamente exterminaram os índios da América do Norte. Na Europa, a quantidade de massacres entre povos encheria uma enciclopédia de 50 volumes. Ao mesmo tempo, a natureza ia sendo depredada sem dó. Em nome do progresso, florestas desapareceram, rios foram poluídos, e combustíveis tóxicos eram o padrão da indústria. O conceito de que os recursos naturais são finitos é muito recente. Foi só na segunda metade do século XX que algumas empresas começaram a perceber que sua responsabilidade ia além dos muros da fábrica. E se estendia à comunidade e à natureza. Esse é o futuro, e ele chegará tão rápido quando mais rapidamente as pessoas comuns adquirirem responsabilidade social. E passarem a só comprar produtos de empresas que usam parte de seus lucros para melhorar o mundo. Ou para impedir que ele continue piorando. Por enquanto, as poucas empresas que aderiram à responsabilidade social usam isso como Marketing. Um dia, e tomara que esse dia chegue logo, a responsabilidade social será uma obrigação de todos.

Blog: Quando olhamos o universo das empresas no Brasil, o que as empresas estão fazendo certo, o que pode ser melhorado e o que falta ser realizado quando o assunto é Responsabilidade Social?

Max Gehringer: O primeiro passo é destinar recursos no orçamento para programas de responsabilidade social. Essa é a diferença entre empresas com uma estratégia de longo prazo, e empresas que gastam mil reais para plantar uma dúzia de árvores, e dez mil reais para anunciar isso em jornais. Comparativamente, a área de responsabilidade social será o que a área de Recursos Humanos foi há 40 anos. De um departamento pessoal burocrático, ela se transformou numa Diretoria com peso equivalente a Vendas, Marketing, ou Produção. Esse é o grande salto que as empresas darão: ter um diretor de responsabilidade social, subordinado diretamente à presidência, e não um setor que fica perdido no meio do organograma, implorando por recursos.

Blog: Recentemente, criamos uma seção chamada Pesquisa do Blog e a primeira enquete foi a seguinte: “Qual a maior qualidade de um CEO”. Dentre as opções: foco em resultados, determinação, um exemplo para todos, saber tratar as pessoas, integridade de conduta e motivar os funcionários. Os participantes escolheram, com quase 60% dos votos, um exemplo para todos. Você pode comentar quais as razões que levaram as pessoas a votar maciçamente nessa opção?

Max Gehringer: Nas empresas, há algo chamado “cultura interna”. Ela está descrita em Manuais, é reproduzida em quadros de avisos, e está pendurada numa placa na recepção, com os imponentes títulos de “Nossa Visão” e “Nossa Missão”. Tudo isso é louvável, mas, não raramente, é um desperdício de energia e de recursos. Uma cultura interna se constrói de cima para baixo, a partir de exemplos práticos dos líderes. E, principalmente, do líder mais visível, o CEO. É ele quem motiva, quem inspira e quem mostra o caminho. Foi exatamente isso o que a pesquisa do blog revelou: as pessoas precisam de modelos de carne e osso, e não de literatura.

Blog: A segunda opção mais votada, com 25% dos votos, foi à integridade de conduta. Porque a ética está tão em evidência nos dias atuais? O que ela significa para os negócios?

Max Gehringer: Olhando de fora da empresa para dentro dela, é uma reação aos escândalos, antigos e recentes, que levaram à criação de leis para proteger os acionistas, principalmente os minoritários, das barbaridades perpetradas por dirigentes inescrupulosos. É o que se chama de Governança Corporativa. Mas quem respondeu à pesquisa está tendo outra visão: a de quem está dentro das empresas, olhando de baixo para cima, e tentando construir uma carreira. São profissionais que querem ter oportunidades iguais de promoção, que querem ter um bom trabalho reconhecido, e que querem ser avaliados por seus méritos, com transparência e isenção. Para que tudo isso aconteça, é preciso que existam gestores administrando com base na integridade e transparência.

Blog: Com a pressão por resultados ficando maior a cada budget, como podemos enfrentar e superar os dilemas éticos que encontramos a todo o momento?

Max Gehringer: A Ética é um conjunto de qualidades morais que uma sociedade define como aceitável. Isso pode parecer meio óbvio, mas não é. Durante milhares de anos, escravizar seres humanos foi considerado aceitável. O Brasil padece de um mal histórico: o da apologia à esperteza. Isso é endêmico, está em nossa cultura. Somos críticos com relação a quem se beneficia de algo por linhas tortas, e é por isso que os políticos se tornaram uma classe tão pouco respeitada. Mas a quantidade de gente disposta a aceitar esses mesmos benefícios, se uma oportunidade se apresentar, é enorme. Como povo, nós não reagimos com indignidade quando a secretária do médico pergunta: “Com ou sem nota fiscal?”, uma indagação que nos transforma em cúmplices de sonegação de imposto. Como povo, desde o século XVI, nós furamos filas, desrespeitando o direito de quem chegou antes. Como empregados, nós não vemos problema em levar uma caneta da empresa para casa. O que custa uma caneta para uma empresa que fatura milhões por mês? Os pequenos exemplos de esperteza do dia-a-dia são incontáveis. Essa cultura, espelhada na lei de Gérson, é a maior inimiga da Ética. E só há uma maneira de combatê-la. É punindo exemplarmente os faltosos (coisa que o Brasil não faz). Por isso, a Ética ainda vai continuar apanhando durante algum tempo, até que surja uma geração de brasileiros consciente de que atropelar a ética pode trazer pequenas vantagens individuais, mas causa enormes prejuízos coletivos.

Blog: Muitos Códigos de Ética corporativos determinam aos stakeholders, inclusive e principalmente os funcionários, que reportem qualquer irregularidade ou desconformidde aos órgãos competentes ou ao superior imediato. Como você encara essa questão? O denunciante não pode ser visto como “dedo duro”? O que fazer numa situação dessas? Mesmo o próprio Código de Ética expressar que a empresa não permitirá qualquer tipo de represália, o denunciante não corre risco?

Max Gehringer: Eu, pessoalmente, não conheço nenhum caso de alguém que tenha denunciado a empresa em que trabalha a algum órgão público. Conheço casos de pessoas que foram despedidas e denunciaram depois, mais por represália do que por princípios morais. Mas a implantação dos Códigos de Ética não deixou de ser um avanço notável. Eles são uma demonstração de que a empresa tem como objetivo ser transparente e íntegra no atacado, embora pequenos deslizes possam continuar ocorrendo no varejo. Eu trabalhei em duas empresas que tinham Códigos de Ética, e eles eram respeitados. Porque as denúncias eram apuradas, e os responsáveis eram punidos. E, principalmente, porque os altos executivos eram os primeiros a respeitar o que estava escrito.

Blog: O principal objetivo de uma empresa é e sempre será o lucro, pois sem resultados nenhuma empresa poder exercer suas responsabilidades as quais, em nossa opinião, envolvem a responsabilidade ética, social e ambiental, e elas devem ser inseparáveis e até indistinguíveis, sendo que o exercício dessas responsabilidades fará a empresa trilhar o caminho da tão sonhada sustentabilidade. A sustentabilidade nos negócios é possível ou se trata apenas uma utopia empresarial?

Max Gehringer: A utopia está mais na estrutura do que na vontade. Existem no Brasil cerca de 3 milhões de empresas privadas legalmente constituídas. Cerca de 90% delas são pequenas e micro empresas. Com a carga exagerada de impostos que pesa sobre elas, o empresário brasileiro primeiro precisa pensar na sobrevivência, para depois poder pensar em programas de responsabilidade social. Quando falamos em Governança Corportiva e em programas ecológicos, ambientais ou comunitários, estamos enfocando um universo muito pequeno de empresas. Umas 2%, se tanto, que empregam no máximo 10% da força de trabalho. Portanto, nós ainda temos uma distância enorme a percorrer. Focamos nossas cobranças nas grandes empresas, principalmente as multinacionais, porque são elas, através do exemplo prático, que mostrarão às demais a direção a seguir. Estamos no começo de um longo caminho, mas a boa notícia é que já botamos o pé na estrada.

Blog: Para finalizar, quais seus conselhos para aqueles jovem-executivos que sonham em se tornar presidente de suas empresas? Essas dicas também valem para as jovem-executivas?

Max Gehringer: Vale, claro. Daqui a uns 15 ou 20 anos, pelo menos a metade dos CEOs será do sexo feminino, porque a geração que atualmente ocupa cargos gerenciais irá ascender, e metade dos gerentes do Brasil já são mulheres. Meu conselho é que os jovens dêem importância igual ao estudo e ao networking. Atualmente, 80% das boas vagas vêm sendo preenchidas através de indicações diretas de pessoas que já trabalham na empresa. Portanto, montar um currículo acadêmico atrativo é mais do que recomendável, mas não é mais suficiente para abrir portas. A montagem desse círculo de relacionamento profissional começa na escola, com os professores e os colegas – principalmente aqueles colegas que têm pais bem colocados no mercado de trabalho.

Blog: Foi um bate papo muito agradável e um enorme prazer receber você no Blog Ética nos Negócios. Obrigado Max!

Max Gehringer: Eu que agradeço.

PERFIL

Nome: Max Gehringer

Idade: 57 anos

Aniversário: Nunca comemorei

Uma grande emoção: Ser pai

Um sonho realizado: Uma bela família

Uma meta futura: Viver mais e planejar menos

A maior paixão: Escrever

Melhor livro que escreveu: O próximo

Melhor livro que leu: A Bíblia

Filme inesquecível: Golpe de Mestre

Pontos fortes: Adaptação a novas situações

Pontos fracos: Pouca resistência a críticas

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Resultado Pesquisa do Blog

O CEO de sua empresa é um exemplo positivo para você?
  • SIM: 61,5%
  • NÃO: 38,5%
O resultado demonstra a importância das atitudes de um CEO que sempre serão um exemplo para toda a empresa.
Participe de nossa nova pesquisa!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Luiz Fernando Edmond da AMBEV

O Blog Ética nos Negócios tem a satisfação de conversar com o diretor-presidente da América Latina da maior indústria privada de bens de consumo do Brasil, a maior cervejaria da América Latina e referência mundial em gestão, crescimento e rentabilidade.

Nosso bate papo de hoje é com o CEO da Ambev – Companhia de Bebidas das Américas, Luiz Fernando Edmond.

A companhia que ele comanda é a líder no mercado brasileiro de cervejas, detentora do maior portfólio do país no setor de bebidas, está presente em 14 países e está consolidando a participação de suas marcas de cervejas, haja vista que seu market share passou de 63,2% (dez/03) para 68,1% (dez/04), perfazendo um aumento de quase 5 pontos percentuais, segundo a AC Nielsen, mantendo-se neste patamar em 2005.

Além disso, a AmBev atua em quase toda a América Latina por meio de operações próprias (Venezuela, Guatemala, Peru, Equador, Nicarágua, El Salvador e República Dominicana) e da associação com a Quilmes (Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile), na qual detém hoje participação de mais de 91%. Além disso, com a aliança global firmada com a InBev, no início de 2004, a Ambev passou a ter operações na América do Norte com a incorporação da Labatt canandense, tornando-se a Cervejaria das Américas.

Blog: Bom dia Luiz Fernando. Primeiramente queremos te agradecer, pois mesmo com seus inúmeros afazeres, você está concedendo essa entrevista ao Blog Ética nos Negócios. Obrigado por essa oportunidade. Já é uma tradição no Entrevista CEO iniciar nossa conversa, informando aos nossos leitores, um pouco sobre a pessoa que será entrevistada. Por essa razão, você pode nos contar quem é o Luiz Fernando Edmond?

Luiz Fernando: Bom dia é um prazer participar dessa entrevista com vocês. Bom, sou formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. E antes de ingressar na então Companhia Cervejaria Brahma em 1990, tive uma rápida passagem pelo Banco Nacional.

Blog: Esse ano você completa 17 anos de empresa. Iniciando no primeiro grupo do Programa de Trainees da Brahma. Conte-nos sobre sua trajetória profissional até assumir a presidência para a América Latina da Ambev? E, qual a importância dos programas de trainees para o sucesso de uma organização?

Luiz Fernando: Entrei na Cia em 1990, na primeira turma de trainees da então Companhia Cervejaria Brahma. Desde então, ocupei diversas posições nas áreas Comercial, de Operações e Distribuição da AmBev. Em 1994 fui para a Argentina participar da primeira operação internacional da Companhia e em 1996 tornei-me diretor regional naquele país. Em 2002, fui nomeado Diretor de Vendas e Distribuição da empresa. E em janeiro de 2005, assumi a direção-geral da AmBev. Atualmente, a Cia tem 16 diretores que ingressaram como trainees assim como eu, ou seja, pode-se afirmar que de cada turma de trainees da AmBev saiu um diretor. O Programa Trainee AmBev já formou mais de 500 pessoas e o consideramos a principal porta de entrada na Cia.

Blog: Você poderia nos relatar um case de sucesso durante todos esses anos de companhia que possa servir de exemplo a outros executivos?

Luiz Fernando: Em 2006 realizamos o projeto Gente do Bem, que considero um dos mais importantes cases de responsabilidade corporativa da AmBev. O evento contou com a colaboração de cerca de 15 mil funcionários e atingiu todas as unidades AmBev no Brasil. Nós abrimos as portas das nossas fábricas e centros de distribuição para as comunidades locais e junto com os nossos funcionários os convidados assistiram a um vídeo produzido a partir do tema do livreto ‘Como falar sobre uso do álcool com seus filhos’ elaborado pelo CISA – Centro de Informação sobre Saúde e Álcool.

Blog: A Ambev é a 5ª maior cervejaria do mundo; líder do mercado brasileiro; 10 bilhões de litros de bebidas vendidos por ano; única cervejaria que abastece todas as Américas; com atuação em 14 países; 51 fábricas nas Américas e 1 milhão de pontos de venda no Brasil. Quais os desafios para administrar uma companhia deste porte?

Luiz Fernando: Sonhar o impossível com ousadia, coragem e disposição são os maiores desafios. Nossos consumidores estão em primeiro lugar, nossa gente faz a diferença e atuamos como líderes. Sendo assim, fazemos as coisas acontecerem com paixão pela execução.

Blog: A Ambev não é somente uma empresa de cervejas. Ela é uma Companhia de Bebidas. Quais as conquistas da Ambev no segmento de bebidas não alcoólicas? Quais as perspectivas futuras?

Luiz Fernando: Você está certo! A AmBev contém um vasto portifólio de produtos e está sempre atenta às tendências do mercado. Dentro do segmento de bebidas não alcoólicas além dos refrigerantes, isotônicos, chás prontos e água mineral, no ano passado tivemos o lançamento da cerveja Líber com 0,0% de álcool. No final deste ano a cia lançou mais um sabor para o isotônico Gatorade e o recém-lançado H2OH, que está sendo muito bem aceito por nossos consumidores.

Blog: A Ambev se consolidada a cada ano no mercado de cervejas. Quais as precauções e os desafios que a líder de mercado tem que ter para manter sua liderança ao longo do tempo?

Luiz Fernando: Acreditamos que uma de nossas principais expectativas futuras é disponibilizar para o mercado as melhores marcas, produtos e serviços que possibilitem a criação de vínculos fortes e duradouros com consumidores e clientes, além de consolidar a expansão internacional da Companhia.

Blog: A Ambev é referência mundial entre as indústrias de bebidas, especialmente, por seus resultados excepcionais. Primeiro, pela receita líquida da Ambev ficar na casa do R$ 15,9 bilhões em 2005 superando em 32,9% o valor de 2004. Depois por seu lucro líquido em 2005 cravar a marca de R$ 1,5 bilhões, crescimento de 33,1% em relação a 2004. E, especialmente, por um outro importante indicador de desempenho do setor, o chamado EBITDA (earnings before interest taxes, depreciation and amortization). A companhia em 2005 cresceu 39% em relação a 2004, pois o EBITDA consolidado atingiu R$ 6,3 bilhões ante os R$ 4,5 bilhões de 2004 - que já havia tido significativo crescimento frente os 3,07 bilhões apresentados em 2003. Em sua opinião a que se deve estrondoso sucesso? Qual o peso do Jeito Ambev e da Gente Ambev nesses resultados?

Luiz Fernando: Com uma estratégia de crescimento fundamentada em princípios de gerenciamento de receita e custos, a AmBev considera como sua principal vantagem competitiva seus funcionários e a sua cultura. A Gente AmBev tem realmente, uma grande parcela nesses ótimos resultados da cia, nossos vendedores, por exemplo, visitam cada ponto de venda em média duas vezes por semana. O dia de trabalho começa com uma animada e motivadora reunião geral das equipes, quando são estabelecidas metas, estratégias e táticas para a melhor execução no ponto de venda. Os vendedores saem para as ruas equipados com palm tops que permitem acesso a uma base de dados sobre cada estabelecimento (histórico de pedidos, estoques, tipos de embalagens, preço médio, etc). Pela diversidade de formatos de canais de venda, esse modelo torna mais efetivo o processo de negociação e permite apresentar uma proposta de vendas que atenda às necessidades do cliente até a próxima visita.

Blog: Os resultados neste ano serão semelhantes aos de anos anteriores? Por quê?

Luiz Fernando: Bem, os resultados do terceiro trimestre indicam que 2006 foi um ano muito especial para a AmBev. A liderança na operação no Brasil tem em seus alicerces a busca constante por novas ações e a relação de parceria com os pontos-de-venda. Com relação aos anos anteriores posso lhe fazer uma rápida comparação do market share do ano passado para este. No terceiro trimestre de 2005 tínhamos 68,1% e em 2006 este número subiu para 68,6% na comparação com o mesmo período.

Blog: Quais os planos e perspectivas de negócios para 2007 no Brasil? E, para o exterior? Já existem lançamentos de novos produtos previstos dentro e fora do país?

Luiz Fernando: Por se tratar de uma empresa de capital aberto, informações financeiras, investimentos e dados contábeis da Cia. não podem ser divulgados isoladamente.

Blog: O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios acredita que as empresas possuem três distintas, mas inseparáveis e até indistinguíveis responsabilidades, são elas: a Responsabilidade Ética, a Responsabilidade Social e a Responsabilidade Ambiental, a qual chamamos de Tripla Responsabilidade Corporativa. E, é o exercício dessas responsabilidades que conduzirá uma empresa para a sustentabilidade. Gostaria de iniciar tratando da Ética nos Negócios. Qual a importância desse tema para uma companhia como a Ambev? Quais as vantagens competitivas que podemos conquistar ao tratar nossos negócios com integridade ética?

Luiz Fernando: Este tema é muito relevante para a AmBev, uma companhia que conjuga desenvolvimento com sustentabilidade. Por este motivo, investimos em contrapartidas sociais e ambientais nas localidades onde atuamos. Esse é um compromisso que extrapola a crescente criação de empregos e a arrecadação de tributos, que em 2005 atingiu R$ 7,2 bilhões. Compartilhamos conhecimento e gestão com a cadeia produtiva, investimos na formação de talentos, em políticas de preservação ambiental, no fomento à cultura e às manifestações culturais dos países onde estamos presentes e somos pioneiros em ações de consumo responsável de bebida alcoólica. As vantagens obtidas com a adoção deste modelo são inúmeras. Para citar um exemplo, a AmBev desenvolve no município de Maués (AM) uma série de ações para renovar e aumentar a produtividade dos guaranazais da região. Estas ações incluem doação de mudas, incentivos aos produtores, cultivo e estudo de mudas de alta produtividade, etc. O aumento da produtividade beneficia tanto para os produtores – que aumentam seus ganhos – como para a AmBev, que garante a qualidade do guaraná, usado para produzir o Guaraná Antarctica.

Blog: Recentemente, nossa instituição divulgou o resultado da 1ª Pesquisa sobre Código de Ética Corporativo realizada no Brasil. Nela a Ambev aparece como uma das empresas no país que elaborou, adotou e divulga seu Código de Ética entre seus stakeholders internos e externos. Em sua opinião, qual a importância desse instrumento? Quais as suas principais funções e objetivos?

Luiz Fernando: O Código de Ética Corporativo é extremamente importante porque define quais são os valores que vão nortear a atuação de uma empresa. Na AmBev, por exemplo, o jeito AmBev de fazer as coisas orienta nossas ações e nosso comportamento, além de nos diferenciar e mostrar quem somos, incluindo valores, crenças, práticas e princípios gerenciais.

Blog: Que orientações você daria àqueles empresários e executivos que desejam elaborar seu Código de Ética Corporativo? Vale a pena?

Luiz Fernando: Antes de elaborar um código de ética corporativo, a empresa precisa definir quais são as suas competências, valores, cultura e objetivos. Só desta maneira é possível discutir as melhoras formas de se atingir os resultados e, posteriormente, elaborar um código de ética para a empresa.

Blog: Além de sua credibilidade e bem querer junto aos consumidores, a Ambev conquista mais um importante rótulo junto a toda opinião pública e a imprensa: o de Empresa Socialmente Responsável, pois foi uma das empresas-modelo indicada pelo tradicional Guia de Boa Cidadania Corporativa da Revista EXAME, em função da promoção do Consumo Responsável de Bebida. Você acredita que, por ser a Ambev fabricante de cervejas, aumenta sua responsabilidade social? Por quê?

Luiz Fernando: Acredito que é dever de todas as empresas agir com responsabilidade social, independentemente do setor que atuam. Como foi respondido anteriormente, a AmBev é uma companhia investe em contrapartidas sociais e ambientais nos locais onde atua. Em Maués (AM), por exemplo, a Companhia desenvolve o Projeto Maués para contribuir com o desenvolvimento sustentável da região; desde 2001, a AmBev também realiza campanhas de consumo responsável para orientar o público sobre os riscos de beber e dirigir. Por fim, a Companhia também procura reduzir os impactos da produção no meio ambiente por meio da adoção de práticas de gestão ambiental.

Blog: Quais as ações mais importantes da Ambev para conscientizar e disseminar o conceito de Consumo Responsável de Bebidas? Existem ações específicas sobre os perigos de se beber e dirigir e também a proibição de vendas de bebidas alcoólicas a menores de idade?

Luiz Fernando: A AmBev desenvolve de maneira pioneira, desde 2001, o Programa AmBev de Consumo Responsável para alertar os consumidores sobre o risco de beber e dirigir. O Programa é norteado pelas premissas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e é disseminado por meio de peças publicitárias, distribuição de painéis e banners com a mensagem “Se beber não dirija”, campanhas de orientação voltadas para proprietários de bares e restaurantes sobre a proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, doação de mais de 20 mil bafômetros para governos das principais capitais nacionais, realização de ações específicas em eventos, como Skol Beats e Boteco Bohemia, que incluem oferecimento de transporte gratuito, táxi com desconto e distribuição de material educativo. A Companhia também é uma das patrocinadoras do CISA - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, uma que reúne dados científicos e oficiais sobre o tema.

Blog: Um dos destaques da Ambev em relação ao tratamento dado ao meio ambiente são seus indicadores de EcoEficiência. Você pode nos detalhar essa política? A ecoeficiência acaba melhorando a rentabilidade da empresa?

Luiz Fernando: Todas as fábricas da AmBev adotam práticas para reduzir os impactos da produção no meio ambiente. Estas práticas foram sistematizadas e padronizadas em 1996 com a criação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e hoje são aplicadas em todas as unidades da Companhia. O objetivo do SGA é atingir a ecoeficiência, ou seja, garantir a competitividade da Companhia sem prejudicar o meio ambiente. Para atingir este resultado, as fábricas da AmBev procuram diminuir a necessidade de captação de água, reduzir o consumo de energia, aumentar o índice de reciclagem dos resíduos e diminuir a emissão de poluentes. Os resultados de 2005 mostram que as fábricas da Companhia economizaram 1,3 bilhão de m3 de água, reaproveitaram cerca de 97% dos resíduos e deixaram de emitir 99,4 mil toneladas de CO2 na atmosfera. Atingir a ecoeficiência também é rentável para a AmBev. Ao reduzir o consumo de recursos hídricos, a Companhia poupou R$ 1,2 milhão no ano passado; com o reaproveitamento dos subprodutos, foi gerado R$ 51 milhões; a substituição das fontes tradicionais de energia por fontes limpas também fez com que a Companhia economizasse R$ 5,7 milhões.

Blog: Um dos focos das ações de responsabilidade social da Ambev é a educação. Em sua visão, qual a importância de uma empresa investir em educação? E, quais os principais projetos patrocinados pela Ambev nesta área?

Luiz Fernando: A competência mais importante para a AmBev é recrutar, formar, motivar e manter os melhores profissionais com o compromisso de desenvolvimento de seus funcionários. Um dos principais projetos voltados para este compromisso é a Univeridade AmBev (UA). Criada em 1995, proveniente da Universidade Brahma, a UA tem o papel de garantir o aprimoramento da Gente AmBev. Para se ter uma idéia, em 2006 houve um investimento de R$ 18 milhões em bolsas de graduação e pós-graduação, com isso, cerca de 50% dos funcionários foram treinados pelos cursos da UA, totalizando um número aproximado de 3.100 profissionais capacitados pela UA. Alguns dos principais apoios da UA são bolsas de graduação, pós-graduação e treinamentos na função de vendas, supply, marketing, operações, logística, administrativo, financeiro etc. A UA também financia cursos de idiomas para seus funcionários com maior interface com a InBev e com as unidades de América Latina Hispânica (operações internacionais).

Blog: Você já falou um pouco sobre a reciclagem anteriormente, mas gostaríamos que nos contasse um pouco mais sobre a importância da reciclagem para uma empresa, para uma sociedade e para um país?

Luiz Fernando: No ano passado, as fábricas da AmBev reciclaram 97% dos resíduos sólidos, sendo que 12 delas ultrapassaram o percentual de 99% de reaproveitamento. Para atingir estes resultados expressivos, as unidades da Companhia tratam os resíduos como subprodutos. Por exemplo, o bagaço de malte, derivado da produção de cerveja, é utilizado como fonte de proteína para ração animal; o fermento é utilizado na composição de aromatizantes usados em sopas e caldos; a polpa dos rótulos é utilizada como matéria-prima em fábricas de papel e papelão; a terra infusória descartada da filtração de cerveja é usada como adubo orgânico. A reciclagem é importante para poupar os recursos naturais e, conseqüentemente, proteger o meio ambiente.

Blog: Para a Ambev o que significa Desenvolvimento Sustentável? E, quais as atitudes corporativas que estão sendo implementadas visando a conquista da sustentabilidade nos negócios?

Luiz Fernando: Desenvolver-se de maneira sustentável significa para a AmBev ser lucrativa e, ao mesmo tempo, responsável. Como foi respondido em outras perguntas, a Companhia investe em programas de consumo responsável, em políticas de preservação ambiental e no desenvolvimento social dos locais em que atua.

Blog: Para finalizar, você tem algum outro assunto que queira comentar? Fique à vontade!

Luiz Fernando: A AmBev cumpre rigorosamente seus compromissos fiscais. Tanto é verdade que entre as empresas privadas, a AmBev é a quinta maior pagadora de impostos do Brasil. Por esta razão, a Companhia comemora a decisão da Receita Federal de estender para as fábricas de refrigerante a obrigatoriedade dos medidores de vazão. O equipamento, que envia dados sobre o volume de bebida produzido por cada linha diretamente ao Fisco, é fundamental no combate à evasão fiscal no setor, que é estimada em R$ 600 milhões/ano. A medida é decisiva para aumentar a arrecadação e permitir o crescimento sustentado do País, além de bastante positiva para as empresas do setor que cumprem suas obrigações tributárias.

Blog: Agradecemos a participação do Luiz Fernando Edmond – Diretor-Presidente da Ambev para a América Latina por tão honrosa participação no Entrevista CEO. Muito obrigado!

Luiz Fernando: Eu que agradeço. Até a próxima!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Marco Bologna da TAM

O serviço prestado por essa empresa proporciona a alguns poucos clientes um tremendo frio na barriga misturado com o sentimento de medo, porém para muitos, é uma sensação única, bastante prazerosa e um dos sonhos da humanidade que foi realizado pela primeira vez, há 100 anos por um brasileiro, pois afinal de contas: Você Nasceu Para Voar!

Essa empresa é 100% nacional, fundada no início da década de 60 e se tornando a maior companhia do setor com quase 50% de market share, cobrindo toda a extensão do território nacional, transportando em 2006 22,5 milhões de passageiros nas 48 cidades de sua operação e no mercado internacional 2,5 milhões em seus 11 destinos além daqueles realizados através de acordos comerciais com as maiores companhias do mundo.

O sucesso dessa companhia se deve em parte pela herança de rotas de três tradicionais empresas que acabaram deixando de existir por má administração, mas sua maior performance se deve a competência e a paixão na qual seu fundador conduziu os negócios da empresa até 2001, ano de sua morte. Esse homem foi o saudoso Comandante Rolim e até hoje seu DNA está impregnado na filosofia e nas ações corporativas da TAM que atualmente conta com 100 aeronaves (Airbus A330, A320, A319, MD-11 e Fokker-100) e com mais de 13.000 funcionários.

Nosso convidado de hoje é Marco Antonio Bologna, presidente da TAM desde Janeiro de 2004 e o responsável por conduzir e manter a companhia na liderança do mercado de aviação no Brasil.

Blog: O Blog Ética nos Negócios agradece a presença do CEO da TAM. É uma imensa satisfação recebe-lo. Como sempre fazemos, queremos iniciar esta entrevista conhecendo a pessoa do Marco Antonio Bologna. Fale de você!

Marco Bologna: Sou paulistano, palmeirense, motociclista.

Blog: Conte-nos sobre sua carreira profissional e suas experiências até chegar a cabine de comando da TAM como CEO.

Marco Bologna: Sou engenheiro de produção pela Escola Politécnica da USP, formado em 1978. Possuo extensão em Serviços Financeiros pela Manchester Business School - UK, em 1988.
Trabalhei de novembro de 1977 a março de 2001 no mercado financeiro, passando pelo Banco Francês e Brasileiro, Lloyds Bank, Chase Manhattan, Banco Itamarati, Banco SRL e Banco Inter American Express, de onde saí como Diretor Superintendente.
Em março de 2001, atendendo ao honroso convite do fundador da TAM, comte. Rolim Adolfo Amaro, vim para a companhia para ser Vice-Presidente de Finanças e Gestão e Diretor de Relações com o Mercado. Em 19 de janeiro de 2004, assumi a presidência da companhia.

Blog: O Comandante Rolim implantou a Política da TAM que se baseia em duas regras fundamentais: 1ª Regra - O cliente sempre tem razão e a 2ª Regra - Se o cliente alguma vez estiver errado, releia a 1ª regra e também os 7 Mandamento da TAM que resume a filosofia na qual a companhia deve conduzir os negócios. Seu estilo, competência e paixão pela empresa acabaram revolucionando o mercado de aviação no Brasil em função, principalmente, das ações impostas pela TAM que surpreendiam e encantavam seus clientes. Exemplo disso é o tapete vermelho e a presença do comandante da aeronave cumprimentando todos os passageiros quando do embarque. O mundo mudou, o mercado também e hoje existe até empresa de baixo custo. Como esses valores e princípios funcionam na prática no dia-a-dia da TAM e qual sua importância? E, como a TAM consegue preservar suas raízes neste novo cenário?

Marco Bologna: A forte cultura corporativa legada de nosso fundador, Comandante Rolim Adolfo Amaro, permeia todos os níveis da Companhia e continua a nortear as ações da Administração em seu dia-a-dia. Essa cultura é evidenciada por toda nossa linha de frente e integra os treinamentos oferecidos aos novos colaboradores de forma que toda a companhia atue em consonância com as melhores práticas e nosso diferencial de serviços.
Nossa prioridade estratégica para o futuro continua sendo consolidar e ampliar a liderança no mercado doméstico de passageiros, obtendo rentabilidade. No mercado internacional, a TAM irá aproveitar a oportunidade apresentada em função do novo cenário competitivo para consolidar sua atual posição de liderança nesse segmento. Buscamos essas metas através da oferta de serviços com relação valor-preço superior, da continuidade da redução de custos e do melhor aproveitamento do capital empregado.

Blog: O Blog Ética nos Negócios publicou um post com o seguinte título: O Risco da Empresa Líder de Mercado demonstrando uma sutil ameaça que somente paira sobre o ambiente corporativo das líderes. Para chegar ao topo do mercado é necessário um conjunto de fatores e, sobretudo ações corporativas de excelência que são incentivadas pelo desejo natural de ser a "número 1". Por muitas vezes, as empresas líderes acabam, digamos assim, deitando em berço esplendido e correndo o risco desnecessário de poder ver desmoronar tudo o que foi orquestrado e apoderado com muito empenho, dedicação e determinação, e sabemos que, reconquistar o espaço perdido é muito mais difícil e requer maiores investimentos. Quais os antídotos da TAM para ficar imune a esse risco?

Marco Bologna: Conforme ressaltamos na apresentação do Relatório Anual de 2006, chegamos aos 30 anos de existência da Companhia sem perder de vista iniciativas alinhadas aos ganhos de eficiência e de produtividade para manter serviço diferenciado com preço competitivo. Esses são os pilares que dão a sustentação ao nosso crescimento e que nos motivam a perseguir sempre os melhores padrões de gestão ética que assegurem a perenidade de nossa Companhia. Ainda como legado de nosso fundador, Comandante Rolim Amaro, temos como um de nossos mandamentos A Humildade é Fundamental que, na verdade, nos disciplina a medir constantemente a qualidade de nossos serviços pela satisfação dos clientes. E, conseqüentemente, a buscar sempre o aprimoramento de nosso atendimento.

Blog: A TAM cumpriu e superou praticamente todas as suas Metas Operacionais para 2006 com exceção da redução de custos, especialmente em função dos aumentos no preço dos combustíveis de aviação. Comente sobre esse resultado, quais os principais objetivos para 2007 e as perspectivas de negócio na aviação nacional e internacional.

Marco Bologna: A TAM encerrou o exercício de 2006 com receita bruta total de R$ 7,7 bilhões, aumento de 30,3% em relação a 2005. Nos mercados doméstico e internacional, a empresa transportou 27,9% mais passageiros em relação ao ano anterior, totalizando 25 milhões de pessoas. O segmento de cargas continuou avançando e contribuiu para o resultado positivo da empresa, com crescimento de receita em 19,5%. O Programa Fidelidade – com 3,8 milhões de associados e mais de 4,1 milhões de bilhetes distribuídos – também se consolidou como fonte de receitas para TAM e as parcerias com o programa reverteram em R$ 207,2 milhões, aumento de 143,7% em faturamento. O lucro líquido apurado em 2006 foi de R$ 556 milhões. Em US GAAP (padrão contábil dos EUA), o lucro foi de R$ 808,8 milhões.
Para 2007, estimamos crescimento do mercado doméstico entre 10% e 15%. Estamos prevendo participação no mercado brasileiro (“market share”) acima de 50% e taxa de ocupação dos aviões na casa dos 70%. No segmento internacional, buscaremos aumentar nossas operações e ampliar sua participação entre as empresas brasileiras que voam ao exterior. Além do já anunciado vôo a Milão, pleitearemos mais uma nova freqüência de longo curso neste ano e avaliaremos atentamente as oportunidades que surgirem nesse mercado.
A perspectiva de crescimento contínuo do mercado doméstico aliada às oportunidades que se apresentam no segmento internacional nos faz acreditar que a aviação comercial no Brasil tem forte potencial para manter sua trajetória de ascensão observada nos últimos anos.

Blog: O Brasil vive, desde o ano passado, um caos nos aeroportos e essa situação impacta nos resultados e acaba maculando a imagem das companhias aéreas. A que se deve essa inusitada situação? O que se deve ser feito por todos os envolvidos? O que os clientes devem esperar para os próximos meses?

Marco Bologna: Os episódios mostraram que há deficiências a serem resolvidas e gargalos relacionados à infra-estrutura a eliminar. Entendemos que o desconforto vivido pelos passageiros nos aeroportos nos últimos meses foi resultado de um momento atípico da aviação civil em que diversos fatores adversos agiram simultaneamente e evoluíram para uma situação que acreditamos ser inaceitável para todas as partes envolvidas. Mas acreditamos que essas questões estão encaminhadas e todas as pontas dessa cadeia de serviços estão empenhadas em resolvê-las o mais rapidamente possível.
Ainda dentro deste contexto, olhando pelo lado positivo, observamos que o aumento de número de pessoas viajando de avião e o uso mais intenso do avião como transporte pela sociedade brasileira vêm contribuindo para uma maior popularização do transporte aéreo. Porém, é claro que essa expansão reflete nos aeroportos e em todos os serviços a eles relacionados.

Blog: Os especialistas alegam que o duopólio do mercado de aviação brasileiro pode prejudicar o consumidor, mas na prática, não é isso que notamos: novas empresas estão entrando no mercado e a disputa por passageiros nunca esteve tão acirrada com inúmeras promoções. Qual sua opinião a esse respeito? O que nós, consumidores, podemos esperar?

Marco Bologna: Entendemos que o mercado brasileiro de aviação civil é pulverizado em termos de participantes. Atualmente existem 14 empresas operando, há liberdade de preços, liberdade para voar, as regras são democráticas. A dinâmica concorrencial tem contribuído para que não haja elevação de preços e para uma busca constante de eficiência do transporte. Portanto, não concordamos que haja monopólio ou duopólio no setor.
Quanto ao fato de termos atualmente no Brasil duas empresas com posições relevantes de mercado, se observarmos o mapa da aviação no mundo, veremos que esse cenário se repete na maioria dos mercados. É assim na França, na Alemanha e mesmo nos Estados Unidos. Por ser de capital intensivo, nosso negócio precisa de escala. A cadeia produtiva também tem essa característica. Duas ou três empresas fornecem aviões, duas vendem o combustível, uma única fornece o aeroporto, outras poucas fornecem peças etc. Com relação aos consumidores, acreditamos que prevalecerá um ambiente de concorrência saudável que beneficiará os passageiros considerando que as empresas ampliaram suas frotas levando em conta o crescimento da demanda.

Blog: Ano após ano, a TAM vem conquistando prêmios. Fale sobre os de maior destaque. Qual o peso dos Diferenciais da TAM nesses reconhecimentos?

Marco Bologna: A TAM foi eleita em março de 2007 a Companhia Aérea do Ano pela revista especializada Avião Revue, premiação que elege a mais completa companhia aérea brasileira com base em avaliações feitas por um júri composto por 14 especialistas que avaliaram itens como frota, manutenção dos aviões, imagem da companhia, índices operacionais, serviço de bordo, entre outros.
Fomos honrados ainda com os seguintes prêmios no decorrer de 2006: As Empresas que mais Respeitam o Consumidor e Excelência em Serviços ao Cliente, premiações conferidas pela revista Consumidor Moderno na categoria Companhias Aéreas; O Melhor de Viagem e Turismo – na categoria Melhor Companhia Aérea de 2006, pela revista Viagem e Turismo, da Editora Abril; Marcas de Cofiança na categoria Companhia Aérea, apurada a partir de pesquisa do Ibope/Solutions; As Empresas Mais Admiradas no Brasil, na categoria Melhor Empresa Aérea Brasileira em 2006, pela revista Carta Capital; e Melhora Companhia Aérea pela revista Aero Magazine, entre outras.
Consideramos conquista relevante a entrada de nossa companhia para o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, em conseqüência da constante preocupação da empresa com a implementação de boas práticas de responsabilidade social e ambiental presentes no mundo moderno.
Também destacamos a escolha da TAM como melhor companhia em práticas de Governança Corporativa da América Latina pelo IR Global Rankings, a partir de critérios como responsabilidade de prestação de contas da administração, conselho de administração, proteção de minoritários, estrutura de capital e transparência.

Blog: Uma das maiores responsabilidades de uma companhia aérea seja em relação as vidas humanas, principalmente em razão de sua atividade fim. Apesar das estatísticas comprovarem que o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, os acidentes, geralmente, são fatais. Como a TAM exerce essa sua responsabilidade?

Marco Bologna: A segurança de vôo constitui importante mandamento da TAM legado pelo Comandante Rolim (Mais importante que o cliente é a segurança) e é a base para se operar a Companhia como organização de prestação de serviços em transportes aéreos de forma segura e eficiente.
A TAM segue rigorosamente normas e padrões estabelecidos pelas autoridades aeronáuticas brasileiras, subordinadas ao Comando da Aeronáutica - e pelas organizações internacionais -ICAO (International Civil Aviation Organization) e IATA (International Air Transport Association). É filiada aos mais importantes órgãos de segurança de vôo da aviação civil no mundo, entre eles a FSF (Flight Safety Foundation), a maior organização mundial não-governamental de safety.
A Companhia participa ativamente na coordenação do Comitê Regional de Segurança de Vôo (RCG) para as Américas, da IATA. Além disso, a Companhia segue as regulamentações da FAA (Federal Aviation Administration), órgão que controla a aviação civil norte-americana e do NTSB (National Transportation Safety Bord) e DoT (Department of Transportation), atendendo plenamente aos seus rigorosos padrões de qualificação para operar no espaço aéreo norte-americano.
A TAM está permeada em todos os seus níveis, pela cultura “safety”, descrita como: “a geratriz de todo um elenco e prevenção indispensável à preservação de recursos humanos e materiais” e que adota como princípio que “a Companhia tem que ser segura como um todo, onde a participação de cada um é vital e imprescindível”.
Em julho de 2006, três meses antes de iniciarmos nosso vôo diário para Londres, tornamo-nos integrante efetiva do United Kingdom Flight Safety Committee (UKFSC), associação de entidades e profissionais dedicados ao aprimoramento da segurança de vôo na aviação comercial no Reino Unido. No mesmo ano, passamos a membro do steering committee do Emergency Response and Planning Task Force (ERPTF) da IATA.
Em janeiro de 2007, recebemos a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), o mais completo e aceito atestado internacional em segurança operacional. Essa certificação inclui oito aspectos principais para uma operação segura em uma companhia aérea: controle operacional; operações de vôo; despacho operacional de vôo; engenharia e manutenção das aeronaves; operações de cabine, ‘ground handling’ (check-in e serviço de solo); operações de carga e security. Esses itens englobam mais de 700 requisitos que necessitam ser integralmente atendidos para se obter a certificação IOSA.

Blog: Vamos começar a falar sobre atuação responsável. Como são conduzidas as questões relacionadas a Ética nos Negócios na TAM? Qual a importância desse tema para o sucesso de uma empresa?

Marco Bologna: Acreditamos que a ética está diretamente vinculada ao objetivo de assegurar a perpetuidade da companhia. É por esse motivo que a TAM lançou em 2006 o Código de Conduta Ética, reunindo e documentando os princípios, valores, os compromissos e as crenças para uma atuação empresarial ética, abrangendo as partes interessadas tais como: empregados, fornecedores, consumidores/clientes, comunidade, governo e acionistas minoritários.
Além disso, como mais uma ação da campanha de Ética e Governança Corporativa, a TAM estabeleceu uma parceria com uma empresa norte-americana para exercer o papel de ouvidoria (interna e externa). Com este novo serviço, batizado de Canal de Ética TAM, todos os Empregados TAM do Brasil e dos demais países onde a empresa atua podem externar suas preocupações relacionadas à ética pela internet ou por telefone.

Blog: O Comandante Rolim dizia que “Ser participativo é uma questão de respeito, de solidariedade e de amizade. Ser participativo é uma questão de amor". O que significa Responsabilidade Social para a TAM?

Marco Bologna: A TAM tem um senso muito claro das suas obrigações sociais e das relações com a comunidade. Além de cumprir com seus deveres legais e estar rigorosamente em dia com suas obrigações, a empresa preza por agir de forma exemplar no relacionamento com a sociedade, tendo como prática de gestão aspectos relacionados à ética e a transparência para com todos os públicos com os quais se relaciona.

Blog: Fale sobre os principais Projetos Sociais da TAM?

Marco Bologna: A TAM mantém uma política de responsabilidade social baseada em duas vertentes: ações externas (através de investimento social, doações de passagens aéreas para projetos sociais, parcerias com instituições ligadas ao Terceiro Setor, tratamentos de saúde e transporte de órgãos, além da doação para entidades carentes de itens remanescentes das aeronaves e advindos de campanhas de arrecadação junto aos seus colaboradores) e ações internas (direcionadas aos seus colaboradores).
Desde sua implantação, diversos projetos foram e continuam sendo apoiados pelo programa. Entre eles, estão a organização social brasileira Faça Parte, as atividades do Brazil Foundation, o Instituto Ayrton Senna, o Projeto Próximo Passo, o Projeto Escravo Nem Pensar, a Associação Asas de Socorro, o EcoTAM e o TAM Show.
Em 2005, o programa foi remodelado sob a denominação Sob as Asas da TAM e ganhou nova dimensão, inclusive com a publicação do primeiro Balanço Social consolidando todas as ações da Companhia realizadas pela empresa em 2004.
Como resultado da reestruturação e com o objetivo de concentrar esforços de forma planejada e estratégica, os investimentos sociais de 2006 passaram a ser orientados sob o foco na área temática da Cidadania e realizados por meio de apoio a projetos enquadrados nos temas de Geração de Trabalho e Renda, Desenvolvimento Local Sustentável e Meio Ambiente e que atingiram mais de 250 pessoas diretamente através de capacitação, conscientização e auxilio no desenvolvimento local e na sustentabilidade das comunidades em que os projetos estão situados.
A vertente das ações de responsabilidade social voltadas para o público interno, constituído pelos funcionários diretos, estagiários, prestadores de serviços e outros profissionais que atuam no dia-a-dia da companhia, é focada principalmente em comunicação, preservação da saúde dos profissionais e inclusão social.

Blog: A TAM também é uma empresa preocupada com o meio ambiente. Cite os programas de maior destaque?

Marco Bologna: A TAM tem desenvolvido diversas ações ambientais em especial no Centro Tecnológico em São Carlos, onde a empresa realiza a manutenção de toda sua frota de aviões. Nele, são realizadas ações como segregação na origem e reaproveitamento de resíduos, tratamento de efluentes, plantio em áreas de reserva legal e manutenção de viveiro.
Além disso, todos os processos de licenciamento e monitoramentos ambientais para a renovação das licenças de operação da TAM buscam as boas práticas de preservação do meio ambiente.
Com relação aos resíduos sólidos, em toda a TAM eles são separados por classes e para cada tipo de resíduo são emitidas licenças específicas e dado um destino apropriado, conforme determinações dos órgãos ambientais. Todos os recicláveis são encaminhados para venda e a renda é revertida para o Programa Estilo de Vida.
Trabalhando na preservação da natureza também fora da companhia, a TAM apóia o núcleo de fauna do IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – desde 2005, colaborando no projeto de repatriação da fauna silvestre por meio do transporte de animais aos seus respectivos habitats naturais.
O meio ambiente é um de nossos focos na área de Responsabilidade Social para 2007. Nós voltaremos aos projetos de proteção florestal e reflorestamento, também incentivando pesquisas na área do desenvolvimento sustentável. Mobilizaremos recursos humanos e financeiros em iniciativas de transformação da realidade do país sempre voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Blog: Falando em meio ambiente, um dos assuntos que estão na agenda de qualquer empresa responsável é o aquecimento global. Quais os planos da TAM para contribuir com a redução das emissões dos gases de efeito estufa? A TAM já estuda uma maneira de tentar neutralizar parte ou a totalidade das emissões de suas aeronaves?

Marco Bologna: Esta é uma questão muito importante para o nosso setor. Estamos acompanhando e participando ativamente das discussões deste tema.

Blog: Como você comentou, a TAM acaba de integrar o cobiçado e invejado ndice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) que contempla as empresas que apresentam alto grau de comprometimento com sustentabilidade e a responsabilidade social. O que isso representa para a TAM?

Marco Bologna: A TAM passou a integrar no último dia 1º de dezembro o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa na carteira que vigorará até 30 de novembro de 2007, num reconhecimento de nossa constante preocupação com a implementação das boas práticas de responsabilidade social e ambiental presentes no mundo moderno. Além do ISE, também estamos presente no site Em Boa Companhia da Bovespa, no qual constam todas as novidades e projetos que as empresas listadas nessa Bolsa têm desenvolvido nesta área, demonstrando nosso comprometimento para um futuro melhor para todos.

Blog: O que significa Sustentabilidade para a TAM? Qual o caminho que sua companhia esta trilhando para alcançar esse objetivo que é o sonho de toda empresa-cidadã?

Marco Bologna: O conceito de sustentabilidade para nós significa trilhar o caminho que assegure a perpetuidade da TAM. Após o reconhecimento dado pelo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, investimento em ouvidoria interna e externa, ações de preservação do meio ambiente, estabelecimento de um código de ética e investimento em programas sociais, além de outras ações, acreditamos que estamos preparados para dar novos passos no caminho trilhado por algumas das melhores empresas do mundo rumo à responsabilidade social.

Blog: A TAM não investe somente em projetos sociais e ambientais. Ela também incentiva a cultura. Conte pra gente sobre o Museu Asas De Um Sonho.

Marco Bologna: Em 1996, preocupados em preservar para as futuras gerações a história da aviação, o comandante Rolim e seu irmão João Amaro tiveram a idéia de criar o Museu Asas de um Sonho, que conta a história da aviação, homenageando seus criadores, construtores, mecânicos, heróis e pilotos. O objetivo é preencher uma lacuna da preservação da história nacional. O museu foi aberto ao público em 12 de novembro de 2006, como parte das comemorações oficiais do centenário de Santos Dumont.
O Museu vem ampliando sua coleção com a aquisição de aeronaves, muitas vezes esquecidas por seus proprietários, contando com o apoio de empresas de porte internacional e amigos que doam de aviões a materiais históricos. Atualmente, possui 74 aeronaves próprias entre modelos civis, comerciais, militares e experimentais, construídos entre as décadas de 20 e 60, dos quais 32 modelos estão em exposição. Construído junto ao Centro Tecnológico de São Carlos, no interior de São Paulo, numa área de 86 mil m2, é o maior museu privado do mundo mantido por uma companhia de aviação e o maior museu do Brasil com aeronaves em condições de vôo, incluindo algumas raridades da 2ª Guerra Mundial.
Para assegurar uma das principais características do Museu, que é manter as aeronaves em condições de vôo como desejava o comandante Rolim, a TAM mantém em São Carlos suas oficinas de restauração e reparo, onde trabalham mecânicos, ferreiros, eletricistas, marceneiros, entre outros, coordenados por um grupo de engenheiros.
Passados dois meses da sua inauguração, mais de 11.000 visitantes já passaram pelo Museu, que estabeleceu como tarefa restaurar outras 42 aeronaves para exposição na sua segunda fase que vai contemplar também inúmeras peças pertinentes à aviação, tais como: cenários, motores aeronáuticos, auditório, biblioteca e inúmeros objetos iconográficos.
Além disso, a TAM desenvolve outras ações a favor da cultura, destacando-se o apoio à revista
Almanaque Brasil, publicação mensal dedicada ao resgate e preservação da cultura popular brasileira que é distribuída nos vôos nacionais e internacionais da TAM.

Blog: Quais as dicas que você poderia dar ao jovem que busca seu primeiro emprego?

Marco Bologna: Acredito que hoje, além do conhecimento técnico da área, algumas características são fundamentais ao profissional. Na TAM, definimos competências que norteiam nossas contratações. São qualidades para as quais os jovens também devem estar atentos, logo em suas primeiras atividades, e que fazem a diferença no ambiente profissional. No nosso caso, a base é o “espírito de servir”, que nada mais é do que buscar constantemente a satisfação dos clientes com ações e soluções. É ter atitude e demonstrar envolvimento, sempre com entusiasmo e preservando o bom humor.

Blog: Para finalizar esse nosso bate papo, com o anúncio da aquisição da Nova Varig pela Gol, a TAM irá rever seus planos para o curto e médio prazos? Porque? O que este negócio irá significar para o setor de avião brasileiro?

Marco Bologna: A compra da Nova Varig pela Gol tira um fator de incerteza no mercado brasileiro. O controle passado era de um fundo americano, considerado não estratégico, o que gerava uma dúvida em quem seria o novo controlador. Isto é bom para o mercado dissipando qualquer especulação de novos controladores. Além disso, sacramenta o aval do governo e órgãos controladores que este é um setor que requer escala de operação.
Portanto temos, agora, duas empresas eficientes, competentes, em alto nível de governança corporativa, lucrativas e ferrenhas concorrentes que detém mais de 90% do mercado, demonstrando claramente, que as discussões de desconcentração de mercado não são lógicas e não seguem a dinâmica deste setor em todo o mundo. Na Europa, temos companhias que tem quase 100% do mercado (Air France, British Airways, Lufthansa, Ibéria, TAP, Alitália, etc). Na Ásia (Singapore, Quantas, etc) e nos EUA (por região, American, United, Delta, etc).
É um setor normalmente duopolizado ou pouco fragmentado. E, em todos estes mercados e, inclusive no Brasil, cada vez mais, as tarifas são mais acessíveis gerando crescimento de tráfego e novos passageiros para o setor.
Fico feliz que o governo está permitindo esta concentração e entendendo a dinâmica saudável do mercado, onde as empresas estão saudáveis, competitivas, estimuladoras de tráfego, cumpridoras de suas obrigações. Óbvio que, agora, falta a infra-estrutura acompanhar esta dinâmica.
Para a TAM é excelente, porque teremos maior racionalidade competitiva. Ambas as empresas tem compromissos de governança, responsabilidade social e tem que entregar resultados para seus acionistas.

Blog: Obrigado por ter aceito nosso convite. Foi uma honra para o Blog Ética nos Negócios recebê-lo.

Marco Bologna: Eu que agradeço.

Perfil CEO da TAM
Nome: Marco Antonio Bologna
Idade: 51 anos
Aniversário: 22/Abr
Uma grande emoção: Filhos
Um sonho realizado: Filhos
Uma meta futura: Ter mais tempo com a família
A maior paixão: A família
Melhor livro: Blue Ocean
Filme inesquecível: O Aviador
Pontos fortes: Otimismo, iniciativa e simplicidade
Pontos fracos: Ansiedade e impaciência

sexta-feira, 9 de março de 2007

Charles Tang da Câmara Brasil China

O convidado de hoje diz ser brasileiro por opção e preside a Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC) que é a única legitimada pelo acordo que, desde 1988, mantêm com o CCPIT - Conselho Chinês para a Promoção de Comércio Internacional, órgão do Conselho de Estado da China, que têm entre suas funções, o reconhecimento das Câmaras bilaterais. Da mesma forma, a Federação das Câmaras de Comércio Exterior, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Conselho de Câmaras de Comércio Exterior reconhecem a CCIBC como a única Câmara bilateral Brasil China.

A China conta com 1,3 bilhão de consumidores, PIB estimado de quase US$ 9 trilhões que faz da economia chinesa a 4ª maior do mundo e que vem apresentando crescimentos anuais em torno de 10%. Cerca de 70% do PIB chinês provém de comércio internacional que cresce em média 30% ao ano. A renda per capita anual é de US$ 3,6 mil. A dívida externa representa 14% PIB chinês e as reservas internacionais são de aproximadamente US$ 734 bilhões. Em 2004, o comércio bilateral entre Brasil e China totalizou US$ 12,4 bilhões, um incremento de 55% em relação ao ano anterior. A China está em franco desenvolvimento sustentado, com uma taxa de juros anual de 2,5% e uma inflação inferior a 2,4%.

O Blog Ética nos Negócios conversa hoje com o CEO da CCIBC, Charles Tang.

Blog: Inicialmente, queremos conhecer o cidadão Charles Andrew Tang. Você pode nos contar um pouco sobre você?
Charles Tang: Nasci em Shanghai, fui criado nos EUA, Hong Kong e Brasil. Vivi, estudei e trabalhei em vários países, inclusive na Europa. Pude participar da fase do milagre econômico do Brasil quando, pelo Banco de Boston tive a missão de implantar leasing no Brasil nos anos 70. Nesta época, a maioria dos executivos internacionais, como aconteceu comigo, se apaixonavam pelo Brasil, um país que crescia como a China atual e aonde não existia violência. A maioria procurava empregos novos quando recebiam ordens de transferência a outros paises e em pouco tempo conseguiam oportunidades melhores.
Após estabelecer a 1a empresa de leasing no Brasil, o ex Ministro Mario Henrique Simonsen me solicitou para montar o Bozano Simonsen Leasing. Dr. Joseph Safra - a Safra Leasing, Dr. Flavio Pentagna Guimarães, a BMG Leasing. No final tinha criado empresas de leasing para onze grupos financeiros.
Meu CV resumido é: presidente binacional da Câmara de Comércio & Indústria Brasil-China; membro do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial; Bacharel pela Cornell University; Curso de Bacharel em Direito, Universidade Estácio de Sá; Curso de Doutorado, Paris V, Sorbornne; foi Professor Assistente da Universidade Estácio de Sá; Membro do Conselho Internacional do Governo de Wuhan e Conselheiro Econômico do Governo do Município de Jilin.
Blog: Muitas pessoas desconhecem o que é uma Câmara de Comércio e Indústria. Você pode comentar sobre as responsabilidades, atribuições, atividades e objetivos deste organismo? E, quais são as contribuições relevantes para o comércio e o desenvolvimento dos nossos países?
Charles Tang: A CCIBC foi criada em 1986 apos uma reunião para qual fui convocado pelo atual embaixador chinês, o Exmo. Sr. Chen Duqing, profundo conhecedor e admirador do Brasil, quando era jovem secretário em Beijing, com o então Ministro de Relações Exteriores da China e em seguida, Vice Primeiro Ministro. Nesta reunião foi sugerida a fundação de uma câmara bilateral que pudesse construir a ponte de amizade entre o povo chinês e o gigante da América do Sul.
Na época, poucos no Brasil se interessavam pela China e vice-versa. Tivemos o privilegio de ajudar em muitos projetos de empresas brasileiras que se instalaram na China e empresas chinesas que vieram ao Brasil. Em 2002 tivemos o orgulho de ter realizado a primeira feira de promoção comercial brasileira na China desde 1984. Pelas inúmeras palestras que proferimos em todo o Brasil, o nosso portal eletrônico e revista "Visão da China", bem como trabalho na área cultural, de cinema e de esportes, podemos dizer que tivemos sucesso e criar maior compreensão e amizade entre os povos dos dois gigantes.
Blog: A China é conhecida como um dos Tigres Asiáticos. Como surgiu essa expressão e o que ela significa?
Charles Tang: Foram apelidados de tigres asiáticos as nações que lutaram agilmente e ferozmente para enriquecer suas nações a partir dos anos 60 implementando um modelo econômico de prosperidade através de ganhos por exportação. Provaram ao mundo que o caminho de pobreza a riqueza não é nem muito longo ou demorado e nem tão difícil como imaginado.
Blog: Os especialistas divulgam que os países com maiores perspectivas de crescimento, desenvolvimento e potencial de consumo são a China, a Índia e o Brasil. E, que o Brasil poderá ser uma Superpotência Mundial. Você concorda com essas afirmações? Por quê? Como o Brasil pode aproveitar todo esse potencial declarado aos quatro cantos do mundo? Uma das formas é em relação ao tratamento dado aos investimentos estrangeiros? E, quais são as demais?
Charles Tang: Gostaria de responder esta pergunta com o artigo que escrevi para a Folha de São Paulo intitulado Para Um Brasil Próspero, publicado na coluna de Tendências & Debates, segunda feira, 19 de junho de 2006, onde afirmo que "o Brasil têm mais condições do que a China ou Japão de ser o maior tigre de exportações do mundo e ser uma superpotência econômica".
Blog: Falando ainda no potencial brasileiro. Especificamente, quais são as oportunidades do Brasil no comércio de seus produtos para a China? Existem estimativas de valores? Quais os produtos brasileiros de maior interesse das empresas e da população chinesa? O turismo faz parte disso?
Charles Tang: O comércio bilateral dos dois países passou de R$ 1.54 bilhões em 1999 a mais de dez vezes este valor em 2006 e esta estimada para chegar ao volume expressivo de US$ 35 bilhões em 2010. Além dos produtos estratégicos que a China necessita para seu crescimento continuado e para alimentação do seu povo de 1.37 bilhões, cada vez mais nichos de mercado se abrem para bens manufaturados do Brasil.
Quanto a turismo, 20 milhões de chineses, cada vez mais prósperos, estão viajando mais para conhecer o mundo. Com as dificuldades de visitar os EUA pós “11 setembro”, os chineses, que esperam receber mais de 64 milhões de turistas em 2010, podem fazer uma grande contribuição para a receita de turismo do Brasil.
Todavia enfrentam os seguintes problemas: a) a demora na concessão de vistos na embaixada e consulado na China sobrecarregados e sem recursos suficientes para atender a demanda crescente. b) Enquanto o acordo de turismo assinado pelo Ministro Valfrido dos Mares Guia ainda não esta totalmente operativo, existem vários preconceitos errôneos contra a vinda de delegações que estariam vindo ao Brasil para passeio. Ora enquanto gastem suas divisas no nosso país, estão ajudando. c) Um receio de situação ultrapassada onde nossos diplomatas acreditam que os chineses ainda querem imigrar ilegalmente da China cada vez mais próspera ao Brasil estagnado economicamente. O fato é que muitos chineses que emigraram estão voltando à China em função das oportunidades econômicas daquele país.

Blog: O chamado Custo Brasil acaba, de certa forma, tirando a competitividade desses empresários. Existem fórmulas para minimizar esses efeitos?
Charles Tang: Respondo com meus artigos O Modelo Econômico de Pobreza e Por Um Modelo Econômico de Riqueza publicados pela Folha de São Paulo, na coluna Tendências & Debates, em 14 de março e 20 de novembro de 2006, respectivamente.
Blog: Um jargão muito popular diz: “Vamos fazer um negócio da China”. Essa expressão já é ou será uma realidade bilateral? Você pode nos explicar?
Charles Tang: O Brasil realizou, nestes últimos seis anos, um gigantesco negócio da China, ao lucrar em cima dos Chineses, mais de US$ 8 bilhões em superávit nas trocas com aquele país.
Blog: Há um grande paradigma no Brasil em relação à China. Muitos atores econômicos alegam que os produtos chineses estão acabando com alguns mercados no Brasil, em razão da competição injusta imposta por esses produtos. Isso é uma realidade? O que pode ser feito? Como o meio empresarial pode tirar proveito disso?
Charles Tang: O empresário brasileiro que não conhece a China, a teme, e após conhecer melhor o país começa a enxergá-lo como fonte de múltiplas oportunidades para negócios da China!
Os que ainda pedem por salvaguardas e outras proteções artificiais devem entender que não irão impedir a expansão da China e a dos países de menor custo. Devemos sim adotar uma atitude de visão, coragem, e modernidade exigindo que nosso governo nos ofereça condições para a competitividade. Retirar os juros exorbitantes, a fauna exótica de 61 tributos escorchantes, a política cambial desfavorável, e modernizar nossa CLT que data de 1943. Respondo também com meu artigo Mais Do Que Salvaguardas, publicado pela Folha de São Paulo, na Terça feira, 15 de agosto de 2006.
Blog: E os pequenos e médios empresários têm alguma chance de combater essa situação e competir em igualdade de condição?
Charles Tang: Muitas empresas brasileiras de médio porte estão lucrando com a China. Com a ABIT Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção estamos tentando desenvolver programas onde os pequenos e médios podem ser ajudados a baratear os seus custos de produção com nosso auxílio em importar matéria primas, acessórios, máquinas e equipamentos baratos e de boa qualidade daquele país. Estamos também querendo levar a moda brasileira, dominada por pequenas e médias empresas, para participarem da semana de moda internacional de Beijing e de Shanghai.
Blog: Muito se fala em ética nos negócios. Na sua visão, quais são as bases éticas para um comércio internacional saudável?
Charles Tang: O respeito mútuo.
Blog: Você pode citar as principais particularidades, diferenças e semelhanças da prática da Ética nos Negócios na China e no Brasil em relação às empresas?
Charles Tang: Algumas práticas desonestas na China têm como penalidade a pena de morte por execução.
Blog: Recentemente lançamos a 1ª Pesquisa sobre Código de Ética Corporativo realizada no Brasil. Essa inédita pesquisa tem como principal objetivo motivar empresários e executivos na elaboração e adoção deste que, para nós, é o instrumento de maior relevância na gestão do que chamamos de Tripla Responsabilidade Corporativa, ou seja, a responsabilidade ética, social e ambiental que devem ser inseparáveis e até indistinguíveis, pois é o exercício dessas responsabilidades que conduzirá uma empresa à sustentabilidade. Para você, qual a importância do Código de Ética para uma empresa? Isso contribui para a melhoria dos negócios e acaba influenciando nos resultados?
Charles Tang: Desde meus tempos de aluno na “Cornell University” aprendemos que a responsabilidade corporativa em ética, social e ambiental, além de importantes para devolver um pouco dos benefícios conseguidos da sociedade de volta a sociedade, é também lucrativa uma vez que melhora e facilita os negócios, aumenta o tamanho do mercado, preserva melhor os recursos naturais e de matéria prima.
Blog: Essa pesquisa também nos revelou que a cultura e a prática corporativa na adoção do Código de Ética, apesar de haver evoluído muito, ainda se comporta de maneira tímida no Brasil. Como é essa cultura nas empresas chinesas? A bolsa de valores de lá exige a adoção deste instrumento como faz a NYSE – Bolsa de Nova Iorque?
Charles Tang: A cultura corporativa chinesa está cada vez mais consciente desta necessidade impulsionada pela filosofia do atual governo liderado pelo Presidente Hu Jintao que lançou a política da "Sociedade Harmoniosa". Esta filosofia prioriza a maior inclusão social do povo chinês com distribuição de riqueza conseguida pela sociedade chinesa de forma mais eqüitativa. O desenvolvimento do interior da China na sua política de "Go West" para desenvolver as cidades não costeiras do centro e oeste da China, menos avançadas que as costeiras. Cada vez mais a regulamentação nas bolsas de valores chinesas está sendo fortalecida.
Blog: Para o presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil China, o que é Responsabilidade Social? Como as empresas chinesas tratam esse assunto no dia-dia dos seus negócios em seu próprio país e no comércio exterior? Qual a importância desta questão? Há algo a ser melhorado?
Charles Tang: Anos atrás recebi carta do Presidente do "Prince of Wales Business Association" que prega a responsabilidade social para empresas. Temos responsabilidade de poder retribuir a sociedade o que lucramos dela. Isto se faz necessário num país como o nosso que carece de oportunidades e ainda não têm uma cultura de filantropia. Acredito que devemos apoiar educação, treinamento, melhoria no meio ambiente e acima de tudo o respeito à sociedade e ao ambiente pela nossa breve passagem na terra. Assim poderemos reduzir a violência dos excluídos, e manter uma evolução sustentada.
Blog: E, em relação a Responsabilidade Ambiental. Existe algum diferencial das empresas em atuação na China em relação àquelas em atuação no Brasil? O que pode ser conquistado neste sentido?
Charles Tang: Muitos projetos que podem criar riquezas e empregos estão emperrados pelo zelo, às vezes excessiva, de proteção ao meio ambiente. Na China, o meio ambiente é importante tanto que o país é signatário do Acordo do Kioto. Mas a China prioriza a eliminação da fome humana.
E foi esta prioridade que levou o governo chinês a conseguir a maior conquista de direitos humanos da historia da humanidade - a de tirar da pobreza nada menos do que 400 milhões de pessoas para viverem com maior dignidade participando das conquistas econômicas do país em somente duas décadas.
Aqui no Brasil nossas leis refletem o contrário. Se matar uma pessoa existe a possibilidade de fiança. Se matar um pássaro para saciar a fome, poderá estar cometendo um crime inafiançável.
Blog: Qual deverá ser a contribuição das empresas no efetivo combate aos efeitos devastadores – tanto ambientais como econômicos – do aquecimento global?
Charles Tang: As empresas deveriam entender que não podemos cometer suicídio coletivo das gerações futuras dos nossos filhos e netos. Devemos contribuir para corrigir os danos causados. Os créditos de carbono servem para aliviar os danos, mas o mais importante é que temos de impedir a depredação.
Blog: Na china, como os governos e as empresas vem tratando esse assunto? Charles Tang: Elas se enquadram dentro das prioridades da filosofia da “Sociedade Harmoniosa”.
Blog: O que você entende por sustentabilidade nos negócios? O que realmente deve ser realizado e buscado?
Charles Tang: Ao destruir o ambiente de negócios por métodos antiéticos, em não preservar e conservar nosso meio ambiente e em não zelar pelo social, teremos uma desagregação da sociedade que não daria sustentabilidade aos negócios e as empresas.
Blog: Queremos agradecer imensamente a participação do Charles Andrew Tang – presidente da CCIBC – Câmara do Comércio e Indústria Brasil China no Blog Ética nos Negócios. Obrigado Charles Chang!

segunda-feira, 5 de março de 2007

Resultado Pesquisa do Blog

QUAL A MAIOR QUALIDADE DE UM CEO?
  • foco em resultados: 8,0%

  • competência: 8,0%

  • determinação: 0,0%

  • um exemplo para todos: 58,5%

  • saber tratar as pessoas: 0,0%

  • integridade de conduta: 25,5%

  • motivar funcionários: 0%

Quase 60% dos participantes acreditam que o CEO tem como principal qualidade ser um exemplo para todos e a integridade de conduta foi a segunda mais votada.

A nova pesquisa já está aí ao lado. Participe!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Antonio Vives do BID

O entrevistado de hoje no Blog Ética nos Negócios é um cidadão espanhol, graduado em Engenharia Química pela Universidade Central da Venezuela, mestrado em Administração Industrial e doutorado em Finanças (Finanças das Empresas e Mercados de Capital) na Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, Pennsylvania, EUA. Foi professor na Universidade Simon Bolivar e na Escola de Pós-Graduação em Administração do IESA na Venezuela e também lecionou nas universidades Carnegie Mellon, George Washington e Virginia Tech nos Estados Unidos. Além disso, trabalhou como engenheiro de refinaria e consultor em administração.
É especialista em Responsabilidade Social Corporativa, financiamento de infra-estrutura, desenvolvimento de mercados financeiros e financiamento de microempresas e PME em economias emergentes. Participa freqüentemente de conferências internacionais como orador.
Escreveu um livro sobre avaliação financeira de empresas e publicou vários artigos sobre responsabilidade social das empresas, gestão financeira e infra-estrutura privada e está escrevendo um outro livro sobre a responsabilidade social das empresas nos mercados emergentes.
Há 26 anos trabalha no Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Seu nome é Antonio Vives, executivo responsável pelo Departamento de Desenvolvimento Sustentável e coordenador-geral da Iniciativa Interamericana de Capital Social, Ética e Desenvolvimento.
Blog: É uma satisfação muito grande receber no Blog Ética nos Negócios um dos maiores e mais respeitados especialistas em Responsabilidade Social Corporativa na atualidade. Gostaríamos de iniciar essa conversa com seu breve relato sobre o que é, o que faz e como opera o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Antonio Vives: O BID é uma instituição que financia o desenvolvimento econômico e social dos países da América Latina através de operações de empréstimo e de assistência técnica aos governos nacionais e locais, e ao setor privado. Além disso, promove a adoção de boas práticas no desenvolvimento econômico através de atividades de pesquisa e disseminação.
Blog: Você poderia fazer o mesmo em relação ao Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS) e a Iniciativa Interamericana de Capital Social, Ética e Desenvolvimento?
Antonio Vives: Dentro do BID, o Departamento de Desenvolvimento Sustentável é encarregado de preparar as políticas setoriais da instituição e de produzir as estratégias de apoio do Banco nos diferentes setores em que opera, dentre eles podemos citar: meio ambiente, mercados financeiros, micro, pequenas e médias empresas, responsabilidade social corporativa, populações indígenas, gênero e modernização do estado. Além do mais, tem a função de pesquisar e disseminar as boas práticas nestes setores.
Dentro do Departamento, a Iniciativa de Ética e Capital Social, promove a aplicação de princípios éticos tanto no setor público como no setor privado e o desenvolvimento do capital social nas comunidades, principalmente através de atividades de capacitação e disseminação.
Blog: Qual sua definição para Responsabilidade Social Corporativa? Seria possível você traçar um pequeno histórico sobre esse assunto, desde o seu surgimento até os dias atuais?
Antonio Vives: Toda empresa opera num determinado contexto e cujos elementos influem na própria empresa: os acionistas que aportam os recursos, os credores que financiam, os trabalhadores com seu esforço pessoal, os clientes que adquirem seus bens e serviços, a comunidade que dá a empresa permissão para operar em seu meio, o governo que define as regras gerais de funcionamento e o meio ambiente que lhe proporciona recursos naturais. A empresa tem responsabilidades ante todas esses públicos, ainda que com diferentes níveis e prioridades.
Uma empresa responsável é aquela que harmoniza suas atividades de tal maneira que satisfaz as expectativas de todas estes públicos. É óbvio que na maioria dos casos se apresentam conflitos a curto prazo, por exemplo, tratar bem os trabalhadores tem impactos sobre a rentabilidade da empresa, apoiar à comunidade implica em custos. Para resolver estes conflitos e tomar as decisões, a empresa deve ter uma visão de longo prazo, considerando não só os custos no curto prazo (que os executivos vêem com grande clareza) mas também os benefícios tangívels e intangíveis no longo prazo (que muitos executivos são incapazes de considerar). A rentabilidade e a responsabilidade não são duas opções excludentes, na grande maioria dos casos, as práticas responsáveis são rentáveis.
Não mencionamos o cumprimento das leis e regulações vigentes no país, as quais mais do que “responsabilidade”, é parte do negócio. A responsabilidade de que falamos é o comportamento que teria a empresa se todas as leis e regulações fossem perfeitas. Ante as deficiências predominantes nos países em desenvolvimento, a empresa deve operar como se essas regras existissem. “Faz aos outros o que te agradaria que lhe fizessem a você”. Na América Latina esta amplitude da responsabilidade social é ainda muito incipiente. A região vem de uma tradição filantrópica, de assistencialismo, de apoio às comunidades e organizações através de doações, em razão da influência da igreja católica e da predominância de empresas familiares. Estas práticas são ainda muito comuns, em alguns casos como obrigação moral, em outros como uma maneira de contribuir para reduzir as desigualdades e, lamentavelmente, em muitos casos, como uma maneira de obter publicidade favorável. A filantropia não é responsabilidade da empresa, é responsabilidade individual, dos proprietários ou dos empregados. Não se deve usar os recursos coletivos de uma empresa para satisfazer aspirações de caráter individual. Não é que estejamos na contramão da filantropia corporativa, mas se fizer, deve ser feito como estratégia explicita, aprovada pelos acionistas ou proprietários. A filantropia do Bill Gates e Warren Buffet é realizada com o dinheiro deles e não com o da Microsoft ou o da Berkshire Hathaway, as quais uma partes pertence a eles próprios, mas também a muitos outros acionistas.
A verdadeira responsabilidade social é parte integral da estratégia do negócio, é uma maneira de fazer negócio. Os comportamentos responsáveis serão sustentáveis no longo prazo quando, realmente, forem parte da estratégia empresarial. Caso contrário, é passageira e oportunista, como costuma ocorrer com a filantropia corporativa.
Blog: Para muitos, a responsabilidade social é apenas um modismo, algo passageiro e, especialmente, uma ferramenta de marketing com baixo custo utilizada pelas empresas, pois apresentam impactos muito positivos junto a sociedade. Você concorda com essa afirmação? Por quê?
Antonio Vives: É lamentável, mas para muitas empresas é assim, é algo que é realizado por que está na moda, utilizado como uma ferramenta para evitar críticas, para se defender, ou por relações públicas como promoção vazia. São empresas que produzem algum tipo de dano àquelas que são, legitimamente, responsáveis. Transferem ao movimento de responsabilidade social uma má reputação. Ainda são poucas as empresas que fazem por convicção, por um desejo de melhorar a qualidade de vida das populações, de devolver à sociedade parte do que esta lhe dá. É, definitivamente, uma tarefa pendente conseguir que as empresas sejam responsáveis porque é bom negócio, legítimo e aceitável, e também positivo para a sociedade. Além disso, deve ser uma atitude consciente e não de caráter oportunista. A empresa que melhora sua reputação pagando salários justos é uma empresa responsável. Aquela que pretende melhorar sua imagem fazendo uma doação a uma causa, ainda que seja boa, com a intenção de publicar uma foto e aproveitar a promoção que gera essa doação, pode se tornar numa atitude deplorável, especialmente se depois, nas demais atuações pertinentes a qualquer empresa, não apresentar um comportamento responsável.
Blog: O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios acredita que a ética nos negócios deve ser a base sustentável das empresas e a principal ferramenta de gestão dos valores e princípios que norteiam a verdadeira responsabilidade ética, social e ambiental a qual chamamos de “Tripla Responsabilidade Corporativa”, pois de nada adianta as empresas se dizerem socialmente responsáveis se não houver uma interação e sinergia dessas três responsabilidades que devem ser inseparáveis e andar sempre juntas. Qual sua opinião a respeito disso?
Antonio Vives: Concordo plenamente. Mas, para que uma empresa seja responsável deve antes ser rentável. Se não conseguir cobrir todos seus custos, incluindo o de capital, não pode ser uma empresa responsável, se assim o fizesse, seria uma irresponsabilidade. A responsabilidade mais importante é a de continuar operando, criando e mantendo empregos, pagando impostos e produzindo bens e serviços que a sociedade demanda. Mas há muitas maneiras de fazê-lo! Todas as atividades do negócio devem levar em conta o impacto sobre todas as partes afetadas e realiza-la de tal maneira que se maximize o impacto positivo e minimize o negativo. Essas atividades responsáveis se reforçam mutuamente, o bom trato aos empregados gera produtividade, sensibilidade ante a comunidade gera mercados, etc. A responsabilidade social e ambiental das empresas é rentável. E mais, algumas empresas fazem da responsabilidade seu negócio, por exemplo, produzindo produtos ambientalmente sustentáveis, pagando salários justos, que depois se transformam em oportunidades de vendas em mercados éticos onde se valorizam estes aspectos, como é o caso dos produtos de comércio justo.
Blog: Em função das proporções que o assunto em relação ao aquecimento global está tomando, poderá haver uma alteração do foco e da atuação empresarial da responsabilidade social para a responsabilidade ambiental? O que as empresa devem fazer para contribuir com a redução de emissões dos gases de feito estufa, visto que elas também são responsáveis por isso?
Antonio Vives: O aquecimento global tem impacto global e é o problema mais importante para os países em desenvolvimento, que tem quotas de emissões para cumprir. Para as empresas atuando em países em desenvolvimento é mais uma oportunidade do que uma obrigação. É obrigação no sentido de contribuir para se evitar um problema e no caso das grandes cidades, o problema da poluição acompanha o problema do aquecimento global e deve ser minimizado. Mas, também é uma oportunidade. Por exemplo, alguns dos projetos de geração de energia ou de eficiência energética poderiam aceder aos mercados de carbono ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kioto e vender os créditos gerados por ter poupado energia ou haver produzido de maneira limpa. Para grandes projetos pode ser uma fonte de rendimentos.
A tecnologia e o incentivo ao redor da preocupação pelo aquecimento global oferece oportunidades às empresas para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e o mais importante, pesquisar todas as possíveis formas eficientes de poupar energia (motores mais eficientes, uso eficiente das equipes, iluminação e calefação, etc.). Diminuem os custos e contribuem para a redução do aquecimento global. Também oferecem a oportunidade de se desenvolver toda uma indústria de produtos mais limpos e eficientes, que consomem menos energia como eletrodomésticos, automóveis, etc... Ganhamos todos!
Blog: Você está escrevendo um novo livro sobre um tema bastante interessante: a responsabilidade social nos países emergentes. Existem diferenças na atuação responsável de empresas atuando nos países desenvolvidos e nos emergentes?
Antonio Vives: Existem grandes diferenças no comportamento de algumas empresas em países desenvolvidos comparado com seu comportamento em países em desenvolvimento. No primeiro caso, a empresa está bem mais sujeita aos incentivos e pressões das partes interessadas, que nos países em desenvolvimento. Os grandes compradores, alguns consumidores, os bancos, os meios de comunicação, os empregados, a sociedade civil, o governo, etc.. exercem seu poder exigindo práticas mais responsáveis das empresas. Nos países de América Latina, a pressão vem das próprias empresas, de seus executivos, de seus proprietários ou da própria matriz se forem multinacionais.
Paradoxalmente, as responsabilidades que se têm para com a sociedade e o meio ambiente em países em desenvolvimento são maiores, já que as empresas enfrentam muito mais necessidades insatisfeitas da população em função dos Estados não serem capazes ou não poderem atender essas necessidades. Para poder operar, a empresa pode ter que suprir algumas destas deficiências, mas deve fazer com cautela, cuidando de não criar dependência nem substituir o governo. Não podemos alegar que fornecer água à comunidade ou construir um campo de futebol seja “responsabilidade” da empresa, isso costuma ser responsabilidade do governo local. Não obstante, pode ser desejável para a empresa reduzir o nível de violência na comunidade onde ela opera, fomentando o esporte e a saúde, conseguindo o apoio da própria comunidade. A empresa pode se beneficiar de menos faltas e maior produtividade de seus funcionários devido a melhores políticas de recursos humanos. Note a diferença entre esta motivação como parte do negócio e aquela que seria realizada como pura filantropia. No primeiro caso é parte de uma estratégia, no segundo é uma doação, que muito provavelmente será usada para efeitos promocionais.
Blog: Peguemos uma empresa com atuação global. O senhor acredita que possa haver diferenças de atuação da subsidiária dependendo do país em que ela está? A que se deve esse fato?
Antonio Vives: Efetivamente, há diferenças. Comecemos a dizer que a responsabilidade de uma empresa global num país não deveria ser menor aquela que possui em seu país de origem. Como já comentei aqui, a empresa não deve se aproveitar, por exemplo, de que nos países em desenvolvimento enconramos normas menos estritas e deficiências na hora de torná-las efetivas. As empresas devem ter os mesmos padrões que no país da sua matriz, mas deve adaptar sua atuação responsável à realidade atual de cada país, que por muitas vezes não fazem em seu país de origem. Por exemplo, dificilmente uma empresa do Reino Unido tem que apoiar escolas primárias em seu país, mas ao operar num país em desenvolvimento pode se ver ante a “responsabilidade” de fazê-lo, para cobrir as carências do Estado e poder ter no futuro uma população mais educada, seja como consumidor ou como futura mão de obra.
Blog: Em geral, como você vê a atuação responsável das empresas em atuação no Brasil em relação as da América Latina? E em relação à Europa e Estados Unidos?
Antonio Vives: Os temas sobre a atuação responsável está tomando corpo na América Latina e em particular no Brasil. No entanto, ainda se limita às grandes empresas, especialmente às empresas globais. Para as pequenas e médias empresas as atuações responsáveis se limitam as atuações que são as mais naturais e não são estratégicas, como o são as relações laborais e o consumo de alguns insumos, como água e eletricidade.
O Brasil é um dos países mais avançados na América Latina em relação a atuação responsável das grandes empresas, muitas delas globais. No caso da pequena e média empresa, o Brasil está relativamente atrasado com respeito a outros países da região, basta para isso, analisarmos os dados em nosso livro Responsabilidade Social nas Pequena e Médias Empresas. A América Latina como região ainda esta muito atrás da Europa, particularmente dos países do norte europeo. Estados Unidos e Europa Latina (França, Espanha, Itália e Grécia) estão um pouco menos avançados, ainda que o incentivo dos mercados internacionais (de bens e de capitais), dos consumidores e em especial da sociedade civil faz com que estejam muito mais avançados que nós.
Blog: Sempre escutamos falar que os stakeholders é que irão determinar quais as empresas que sobreviverão no futuro. Você concorda com isso? Por quê?
Antonio Vives: Sim concordo, porém ainda passarão muitos anos antes de que isto seja uma realidade. Nos países em desenvolvimento esses stakeholders são desinformados e não podem exercer seu papel como deveriam. Os clientes não têm informação para tomar decisões que favoreçam às empresas responsáveis, os meios de comunicação não denunciam às empresas irresponsáveis, os bancos não as questionam antes de fazer um empréstimo, os governos tentam mas encontram dificuldades em fazer com que elas cumpram as regras. De certa forma, o público que mais se desenvolveu nos últimos anos é a sociedade civil, as organizações não-governamentais, que atuam como controladores e incentivadores do comportamento responsável (ainda que algumas destas organizações deveriam ouvir seus próprios conselhos).
Não obstante neste panorama mais ou menos sombrio, há uma luz no fim do tunel, ainda há esperança. Os executivos e os funcionários das empresas estão tomando consciência das vantagens da responsabilidade. Cada dia há mais publicações que se encarregam de denunciar casos negativos e realçar casos positivos. Há bancos, em atuação no Brasil, que são líderes mundiais em comportamento responsável. De fato os únicos bancos na América Latina que assinaram os Princípios do Equador sobre financiamento responsável, são brasileiros. Há esperança de que os stakeholders se desenvolvam e pouco a pouco cada um cumpra sua função nesse mercado da responsabilidade.
Blog: Em sua opinião quais os caminhos que as empresas tem que percorrer para conquistarem a tão sonhada sustentabilidade nos negócios?
Antonio Vives: A primeira etapa para a resolução de um problema é o reconhecimento de que existe um problema. As empresas devem começar tomando consciência de que a responsabilidade, além de ser uma obrigação moral, é um imperativo dos negócios. Pode ser rentável. Como em todo mercado, os que chegam antes podem conquistar uma parcela maior dos benefícios. O que não é mau. Atuam como líderes e depois podem servir de modelo para outros e, se as condições são favoráveis, estender as praticas responsáveis a mais empresas.
A melhor maneira de se começar é com o convencimento dos executivos ou dos proprietários das empresas, para depois analisar o impacto que suas atividades tem na sociedade e no meio ambiente, estabelecendo metas realistas de melhoria nas condições da operação e, na medida do possível, o impacto sobre os custos e benefícios. Neste ultimo caso, é importante ter uma visão de longo prazo, evitar a visão de curto prazo, e considerar todos os benefícios, não só os mensuráveis. Os custos costumam aparecer como tangíveis, mensuráveis e imediatos, enquanto os benefícios costumam ser percebidos como intangíveis, de difícil mensuração e de longo prazo.
Uma boa fonte de idéias são os relatórios de sustentabilidade de outras empresas. Há vários deles no site www.corporateregister.com.
Blog: Quais os conselhos que você poderia deixar aos empresários e executivos das empresas em atuação no Brasil, especialmente aos jovem-executivos que serão os "líderes socialmente responsáveis" de amanhã?
Antonio Vives: Que não sejam desinformados, que a pressão pelos benefícios de curto prazo pode ser inimiga da sustentabilidade da empresa no longo prazo. O executivo de sucesso é aquele que, verdadeiramente, tem uma visão de longo prazo e ampliada, sobretudo no aspecto da atuação da empresa. Ser responsável com a sociedade e o meio ambiente é rentável no longo prazo... E, pelo menos nos permite dormir com a consciência tranqüila.
Blog: Queremos agradecer imensamente o Antonio Vives por ter aceito nosso convite e pela agradável entrevista que nos enriqueceu com seus conhecimentos. Muito obrigado.
Antonio Vives: Eu que agradeço e parabenizo vocês pelo excelente trabalho de divulgação e promoção da responsabilidade corporativa. CEO do DDS do BID
Nome: Antonio Vives
Idade: 43 anos
Aniversário: 8/set
Uma grande emoção: Os casamentos de meus filhos
Um sonho realizado: Escrever um livro
Uma meta futura: Escrever outro livro
A maior paixão: Ensinar
Melhor livro: Enciclica Centesimus Annus, João Paulo II, um tratado de responsabilidade social
Pontos fortes: Confiável
Pontos fracos: Impaciente

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Ricardo Bomeny do Bob´s

Com uma história de 50 anos essa empresa é uma das maiores e mais bem sucedidas franquias em atuação no Brasil, reconhecida nacionalmente por seus produtos de excelente qualidade e com sabor genuinamente brasileiro, vendendo seus saborosos hambúrgueres e sundaes, além do tradicional e inigualável milkshake de ovomaltine.
O sistema de franquia foi iniciado na década de 80 e hoje a rede é formada por mais de 500 lojas em 23 estados. Além disso, possui o Selo de Excelência em Franchising da ABF – Associação Brasileira de Franchising a mais importante instituição do setor no país.
Seu slogan é de dar água na boca: Gostoso é no Bob's.
O Blog Ética nos Negócios tem o prazer de receber Ricardo Bomeny, principal executivo do Bob´s.
Blog: Queremos começar esta entrevista pedindo para conhecermos um pouco do Ricardo Bomeny.
Ricardo Bomeny: É atualmente Sócio Gerente da VENBO Comércio e Alimetos Ltda (Bob's) e seu Diretor Superintendente desde Maio de 2002, acumulando também o cargo de CEO da Brazil Fast Food Corp., holding controladora da Rede Bob's. Exerce ainda a Vice-Presidência de Fast Food do SindRio (Sindicato de Restaurantes e bares do Rio de Janeiro), é Sócio Fundador e atual membro colaborador do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), é Vice Presidente recém eleito da ABF (Associação Brasileira de Franchising) e é colaborador voluntário da Endeavor. Nascido em 05/11/1969 atualmente com 37 anos, casado e com 3 filhas é Administrador de Empresas, com Pós Graduação em Marketing, MBA em Finanças Corporativas e MBA em Varejo. Desempenhou diversas funções em empresas de Fast Food (Bigburger, Pastello e Bob's) ao longo dos últimos 17 anos com experiências em várias regiões do Brasil e algumas passagens no exterior.
Blog: Conte-nos sobre o início do Bob´s até chegar ao que é hoje: uma das mais importantes Redes de Fast Food do Brasil e também os planos de expansão da rede.
Ricardo Bomeny: O Bob's teve sua primeira loja aberta em 1952, em Copacabana, por um tenista campeão de Wimblendon chamado Robert Falkenburg. Ele trouxe dos Estados Unidos os conceitos mais modernos e inovadores do fast-food, adaptando os sabores ao tempero brasileiro, Nesta loja, que virou mania entre os cariocas, surgiram novidades como o ham'n'eggs, hamburger, hotdog, sundae e milk-shake, até então desconhecidos entre nós. A fama do Bob's espalhou e novas lojas foram surgindo em outros bairros do Rio. Em 1984, a rede iniciou o sistema de franquia, inaugurando uma loja em Vitória-ES. Atualmente a rede Bob's conta com 530 operações em todo o País, sendo a capital do Acre, Rio Branco, a única capital dos Estados brasileiros, que ainda não possui uma loja operando, mas com contrato assinado e em fase de contrução. O Estado do Rio de Janeiro reúne 170 estabelecimentos, seguido por São Paulo com 105 operações. A estratégia é crescer forte nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Brasília. Para 2007 estaremos abrindo mais 150 novos pontos de vendas. Estamos, também, consolidando nossa presença nos principais eventos promovidos no Brasil, dentre os quais o Carnaval do Rio de Janeiro, o Carnaval de São Paulo e os Jogos Pan-Americanos.
Blog: Quais os maiores desafios e responsabilidades que você, como principal executivo do Bob´s, tem que enfrentar no seu dia-a-dia? E no médio e longo prazo?
Ricardo Bomeny: Dentre os principais desafios que temos pela frente, poderia destacar a formação de pessoas, base essencial para o sucesso de uma empresa atualmente, foco em ações que nos insira em um contexto social responsável com várias ações sobretudo na área de educação, que nosso país tanto precisa e finalmente gerar valor e resultado para os nossos acionistas. A médio prazo teremos uma grande preocupação com a inovação, a melhoria constante de nossos serviços prestados aos consumidores e com a concorrência internacional cada dia mais presente em nosso país.
Blog: É consenso entre os consumidores, que os sanduíches do Bob´s parecem com aqueles que fazemos em casa. Qual é a receita de sucesso deste diferencial de mercado?
Ricardo Bomeny: Desde sua origem o Bob's tem buscado a adaptação dos conceitos de fast food ao sabor brasileiro. Os insumos utilizados nos seus produtos são fabricados no Brasil por empresas que conhecem as características deste consumidor. Não é por acaso que nosso slogam é "Gostoso é no Bob's". Poder sentir orgulho de servir os produtos do mercado é uma obsessão da empresa.
Blog: Um dos carros-chefes do Bob´s é o irresistível e inigualável MilkShake de Ovomaltine? E o resultado da parceria com a Nestlé no lançamento dos produtos à base do Neston tem alcançado as expectativas? Existe algum lançamento previsto para 2007?
Ricardo Bomeny: O milk shake de ovomaltine do Bob's vem aumentando sua participação no mix ano após ano. Seu sabor e textura inconfundíveis fazem dele um dois ícones do Bob's. Ampliamos nossa linha de milk shakes lançando um novo sabor bem brasileiro que fez lembrar o que popularmente é chamdo de vitamina de banana. Os cereais da Neston deram ao produto um apelo de saudabilidae, pois incorpora um alto teor de fibras. A avaliação deste produto foi a muito positiva. Temos alguns lançamentos para este ano, mas por hora ainda não podemos divulgar.
Blog: Um dos seus maiores concorrentes vem atravessando problemas, inclusive já existem rumores e até interessados na aquisição da operação do Brasil. Isso é uma questão que vem afetando as franquias no país de uma maneira geral?
Ricardo Bomeny: O franchising no Brasil vai muito bem, crescendo e se profissionalizando ano após ano. Inclusive há várias empresas iniciando o processo de internacionalização da marca, o que significa que o setor está chegando na sua maturidade. Hoje o Brasil conta com aproximadamente 700 franqueadores, e é natural que alguma empresa possa passar por algum tipo de revisão, ainda que na mudança de seu controle societário.

Blog: Outra famosa franquia de alimentação americana acaba de desembarcar no país. Isso afeta, de alguma forma, o Negócio Bob´s? O que esta sendo feito para amenizar e combater esses efeitos?
Ricardo Bomeny: No Bob's, costumamos dizer que o que mais nos preocupa é a informalidade, e não as empresas que atuam de maneira tradicionalmente correta como na maioria das vezes o fazem as redes internacionais. De qualquer modo, o Bob's está preparado para enfrentar seus concorrentes, como uma estrutura unida e sempre com visão de crescimento, fortalecimento da sua marca e construção do varejo formal no Brasil.
Blog: Há algo que você queira acrescentar sobre o Bob´s antes que iniciemos as perguntas sobre Gestão Responsável?
Ricardo Bomeny: O Bob's é uma empresa brasileira, sobrevivente, e que está enraizada na cultura do cidadão local e isso hoje em dia é uma questão muito importante pois a solidez e confiança de uma marca nacional sem dúvida agrega valor ao nosso país. Sinto muito orgulho, como brasileiro, de conduzir uma empresa como esta, onde conseguimos construir valores muito fortes e que aos poucos vem sendo reconhecido por todos.
Blog: Muito se fala sobre a Responsabilidade Social das Empresas. Qual sua opinião sobre esta nova realidade empresarial?
Ricardo Bomeny: A Responsabilidade Social tem a missão de incorporar às empresas uma nova visão sobre seus empreendimentos, baseados em relações duradouras e éticas com todo o público com o qual ela se relaciona. Suas práticas têm como objetivo a sustentabilidade no âmbito econômico, social e ambiental. A ResponsabilidadeSocial vem como uma solução empresarial para os problemas enfrentados pela humanidade, que se estendem desde a desigualdade social ao tão comentado aquecimento global.
Blog: Essa forma de gestão é de exclusividade das grandes empresas? É possível exerce-la numa rede de fast food?
Ricardo Bomeny: A Responsabilidade Social pode ser exercida por empresas de qualquer porte e de qualquer segmento.
Blog: Quais são os avanços do Bob´s na Responsabilidade Social?
Ricardo Bomeny: Muitos foram os avanços da Responsabilidade Social no Bob's, que perpassam por toda gestão empresarial, através do comprometimento em ações sociais a entidades não-governamentais, processos internos mais transparentes de contratação e promoção, divulgação dos valores observados através do desenvolvimento do Código de Ética, realização do Balanço Social, aprimoramento das relações com fornecedores, seleção de franqueados cada vez mais comprometidos com os valores divulgados, melhorias no Clima Organizacional.
Blog: Isso é patente nas lojas próprias – com operação Bob´s - ou também se estende às lojas franqueadas? Como é feito esse processo de conscientização?
Ricardo Bomeny: Os temas propostos pela Responsabilidade Social são recorrentes nas reuniões do Comitê de franqueados, que por sua vez têm autonomia para desenvolver ações sociais específicas mediante a necessidade do seu entorno. Há um proposta de envolver todas as lojas próprias e franqueadas dentro de uma única ação social.
Blog: Existe algum trabalho de coleta seletiva de lixo nas lojas Bob´s? Isso envolve a conscientização dos franqueados, funcionários e consumidores?
Ricardo Bomeny: A coleta seletiva do lixo é realizada na sede administrativa do Bob's, com ampla conscientização dos recursos utilizados e descartados. Em 2006, algumas lojas serviram de piloto para um projeto da ONU de Produção Mais Limpa, que visa aumentar a eficiência na utilização das matérias-primas, água e energia, além da minimização e reciclagem dos resíduos, a idéia é dar sequência ao projetos nas demais lojas da rede própria e franqueada.
Blog: O Bob´s não divulga as Ações de Responsabilidade Social em sua web site. Fique a vontade para comenta-las e descreve-las.
Ricardo Bomeny: Dentre os principais projetos de Responsabilidade Social, se destaca o Programa Bob's Diversidade que atesta o comprometimento da empresa com a DIVERSIDADE. O Bob's que crê na adoção desse valor como princípio básico de cidadania. Praticar a diversidade significa ter compromisso ético com a sociedade, pois as empresas estão entre os principais promotores de oportunidades de trabalho. O Programa Bob's Diversidade engloba os projetos Melhor Idade, que visa a contratação de homens e mulheres acima de 50 anos que possuem a função de ser os anfitriões das lojas, recepcionando nossos clientes; Primeiro Emprego, que contrata jovens a partir de 16 anos abrindo-lhes as portas para o mundo profissiona; e Bob's PPD, um programa pioneiro no fast-food de contratação de pessoas portadoras de deficiência física e mental.
Blog: Outra questão bastante atual e que vem sendo combatida por governos, instituições e até a classe médica, é a que se refere a Gordura Trans. O que existe de concreto sobre este produto - muito utilizado na indústria alimentícia - e o que o Bob´s planeja ou já tem realizado em seus cardápios e também para a conscientização de seus consumidores sobre seus possíveis malefícios?
Ricardo Bomeny: O Bob's, sempre preocupado com a saúde de seus consumidores, esta trabalhando conjuntamente com seus fornecedores, a fim de reduzir, ou até mesmo eliminar a gordura trans de seus produtos, adequando seus cardápios. Para a conscientização, mesmo não estando enquadrado na Resolução RDC-360 MS, estamos disponibilizando em todo o país, as tabelas de informações nutricionais, que informam aos consumidores desde a quantidade de gordura trans até o valor energético dos produtos.
Blog:. Qual o conselho que poderia ser dado àqueles empreendedores que como você, desejam ou já iniciaram suas franquias?
Ricardo Bomeny: Meu maior conselho é que estudem muito o negócio antes de fazê-lo. Prepare um bom Plano de Negócios, e considere sempre que é fundamental adotar práticas éticas e formais para que o projeto seja perene. Procure formar e tratar bem das pessoas que estão colaborando com você, e finalmente trate seu cliente como se fosse único.
Blog: Existe alguma outra questão que você queira comentar? Se não, fale um pouco sobre Ética nos Negócios. Qual a importância desse tema para uma organização?
Ricardo Bomeny: A ética orienta princípios e conduz as relações interpessoais objetivando o bem-comum. O cultivo de valores éticos é fundamental para o sucesso da organização a longo prazo e de maneira sustentável. Não se pode falar de Responsabilidade Social Empresarial sem que a empresa seja ética na relação com os clientes, com o público interno, acionistas e a própria relação com o meio ambiente.
Blog: Queremos agradecer o principal executivo do Bob´s, Ricardo Bomeny, pela participação e contribuição para a seção Entrevista CEO do Blog Ética nos Negócios.
Ricardo Bomeny: Obrigado pelo convite.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Luis Domenech da Comgás

Na sua longa trajetória, essa empresa usou os mais diversos tipos de combinações para produzir combustíveis, de azeite a gás de hidrogênio carbonado, carvão, nafta, uma mistura envolvendo água e hulha, até chegar ao gás natural, o combustível ecológico do século 21. A implantação do gás natural, último ciclo de uma programação iniciada no final da década de 1980, foi considerada a fase mais importante de toda a história dessa companhia, que esteve presente na vida de São Paulo desde a extinção dos lampiões a azeite de baleia.
A meta da nova administração é expandir essa empresa e torná-la a maior distribuidora de gás natural da América Latina, tendo como base a qualidade, a segurança e o respeito pelo meio ambiente.
O Blog Ética nos Negócios entrevistou Luis Domenech, CEO da Companhia de Gás de São Paulo, conhecida por todos nós, como Comgás.
A Comgás é uma companhia centenária que faz parte da história do Estado de São Paulo. Foi em 1872 que essa empresa, recebendo autorização do Império, iniciou suas atividades que tinham como objetivo a exploração da concessão dos serviços públicos de iluminação em São Paulo.
No final da década de 90, durante o processo de privatização que visou a melhoria da qualidade dos serviços públicos oferecidos pelos governos aos cidadãos, o controle acionário da Comgás foi arrematado pelo consórcio formado pela inglesa British Gas e pela anglo-holandesa Shell, por R$ 1,65 bilhão. Desde o dia 21 de maio de 1999, a Comgás tem como novos controladores duas das maiores empresas de energia do mundo.
Blog: É uma grande satisfação receber você aqui no Entrevista CEO. Sempre iniciamos nosso bate papo conhecendo a pessoa convidada a falar ao Blog Ética nos Negócios. Por isso, gostaríamos que você falasse sobre o Luis Domenech.
Luis Domenech: Sou argentino, casado há 30 anos, tenho dois filhos que moram em Buenos Aires, minha formação profissional é administração de empresas. Moro há três anos no Brasil e estou adorando viver aqui, gosto do trabalho que tenho aqui, gosto da cidade de São Paulo e especialmente dos brasileiros.
Eu vim de Buenos Aires, onde era presidente da Metrogas, que é também uma empresa controlada pelo Grupo BG, principal acionista da Comgás. Foi o Grupo BG que me trouxe para o Brasil com a finalidade de continuar o trabalho de fazer a Comgás crescer, apresentando os melhores resultados financeiros possíveis, com elevado padrão de qualidade e de segurança.
Blog: De acordo com a Revista EXAME Melhores & Maiores – Edição 2006, a Comgás está entre as 100 maiores empresas em atuação no Brasil, ocupa a 29º colocação no ranking do Setor de Serviços e é a 7º melhor empresa no rol daquelas de Serviços Públicos. Como é conduzir uma empresa deste quilate? Quais seus maiores desafios como CEO?
Luis Domenech: A Comgás é uma empresa que está em franca transformação e expansão. A transformação começou quando os novos controladores, o Grupo BG e a Shell, assumiram a empresa, em maio de 1999. Hoje a Comgás distribui quatro vezes mais gás natural canalizado do que quando foi privatizada, conseguimos transformá-la em uma companhia de categoria mundial, com os mais elevados padrões de qualidade e segurança e tudo isso está ocorrendo dentro de um período de constante crescimento da empresa. Meu grande desafio é liderar essa transformação, fazendo que com que a companhia e todo o seus empregados cresçam juntos e que apresentem melhorias constantes. Procuramos sempre atuar com base nos sete indicadores desenvolvidos pelo Instituto Ethos, que pautam as empresas para a responsabilidade social. Tenho ainda que assegurar que a Comgás preste o melhor serviço possível aos nossos clientes e definir a melhor forma de conduzir os negócios. Além disso, trabalhamos para melhorar nossas práticas de governança corporativa, em linha com princípios éticos e de transparência vigentes nas melhores empresas.
Blog: Inúmeros serviços públicos foram privatizados no Brasil. Apesar das críticas de alguns setores, não há como negar que após a concessão houve intensivos investimentos, trazendo melhorias significativas nos serviços prestados à sociedade. Isso também ocorreu com a Comgás?
Luis Domenech: Sim, definitivamente. Desde a privatização, os novos controladores investiram quase R$ 2 bilhões para ampliar a rede e oferecer aos nossos clientes serviço de qualidade e dentro das normas mais rígidas de segurança. Nosso lema é: "faça com segurança ou não faça". O grande resultado colhido é que em sete anos como empresa privatizada, a Comgás cresceu muito mais que em toda a sua história e a Comgás completa este ano 135 anos. Fizemos muito e vamos continuar a fazer. Por exemplo: quando a Comgás foi privatizada tinha uma rede de pouco mais de 2 mil quilômetros. Hoje temos quase 5 mil quilômetros de rede de distribuição. Em 1999 atendíamos 17 municípios, hoje são 59 cidades que contam com o gás natural. O número de postos de GNV não chegava a 20 e hoje são mais de 370. São resultados muito significativos e o melhor é que trabalhamos com um combustível que é usado em substituição a outros que são mais poluentes, ou seja, colaboramos para um planeta melhor, menos poluído. Gostaria de lembrar também que na época da privatização, a Comgás tinha pouco mais de mil empregados e hoje geramos mais de 4 mil empregos diretos e indiretos.
Blog: E é por tudo isso que a Comgás é hoje a maior distribuidora de gás natural canalizado do país, atuando na distribuição do gás natural da região metropolitana de São Paulo, Vale do Paraíba, Baixada Santista e Campinas. Quais os principais objetivos conquistados em 2006 e quais as metas de destaque para 2007?
Luis Domenech: Ainda temos que continuar a ampliar nossa rede de distribuição de gás natural para levar nosso combustível a um número maior de clientes. Em 2006 conectamos quase 50 mil novos clientes, passamos a barreira dos 500 mil clientes conectados e vamos trabalhar para superar nossos resultados este ano. Por exemplo, temos como meta conectar 75 mil novos clientes em 2007, o que é um grande desafio, mas estou confiante de que o time Comgás vai conseguir se superar mais uma vez.
Blog: Muitas pessoas não sabem o que é o gás natural e, às vezes até o confundem com o conhecido gás de cozinha, o GLP. Você poderia explicar aos nossos leitores as características, os benefícios e as vantagens deste tipo de combustível? E porque o gás natural é chamado de “combustível verde”?
Luis Domenech: Vou começar falando dos benefícios e vantagens do gás natural. O gás natural é mais seguro que o GLP, que é o gás de botijão, porque o gás natural é mais leve que o ar e no caso de vazamento, por exemplo, se dissipa no ar, o que não ocorre com o GLP, que é mais denso e forma bolsões próximo do solo. Ainda no item segurança, é bom destacar que o gás natural não necessita de armazenagem, o usuário não precisa ficar com botijão dentro de casa, da indústria ou do comércio. Outro item é a praticidade devido ao fornecimento contínuo, o usuário não precisa se preocupar se o botijão está acabando e, além disso, o pagamento é feito somente após o consumo. Há ainda outras vantagens, como aproveitamento total do combustível, ser um produto ecologicamente correto e, além disso, há o Comgás 24 horas, que é um canal direto com os clientes, todos os dias e a toda hora.
O gás natural é considerado um “combustível verde” porque é muito menos poluente que o óleo combustível ou qualquer outro combustível fóssil. Trata-se de um combustível mais limpo e ecologicamente correto. A queima do gás natural emite quantidade menor de material particulado, que é a fumaça preta; é praticamente isento de SO2, que é o enxofre; e emite quantidades menores de CO2, (monóxido de carbono), hidrocarbonetos e óxido de nitrogênio.
Blog: Quais as principais aplicações do gás natural? Em quais segmentos de mercado ele pode ser utilizado? Existe algum tipo de resistência para trocar a utilização de um combustível mais poluente para o gás natural? Como esse paradigma vem sendo quebrado?
Luis Domenech: O gás natural pode ser usado nos segmentos residencial, comercial, industrial, automotivo e em termos de co-geração. Estamos conseguindo entrar em todos esses mercados. Eu gostaria de aproveitar essa questão ligada ao aspecto ambiental para lembrar que Cubatão, na Baixada Santista, há alguns anos era uma das localidades mais poluídas do Brasil, talvez do mundo. Hoje, a situação é bem diferente, melhorou muito e atualmente, ao contrário do passado negro, as grandes indústrias locais são abastecidas pelo gás natural.
Blog: Gostaríamos de nos concentrar na aplicação do gás natural na geração de energia, na indústria e nos transportes, haja vista que estes segmentos acabam sendo os grandes vilões do aquecimento global. Com exceção do elevado desmatamento que deve ser combatido com maior vigor, o Brasil ainda é um país privilegiado em virtude de sua energia ser gerada, basicamente, através de hidroelétricas, ou seja, nossa energia é de fonte limpa e renovável, e com isso, nossa economia irá se beneficiar do promissor mercado de créditos de carbono em expansão em todo o planeta. Contudo, na área industrial como vem sendo a aceitação à troca de combustíveis fósseis para o gás natural? Quais as principais razões para uma empresa passar a utilizar esse combustível? Em sua opinião, essa conversão pode ser encarada como uma responsabilidade ambiental dessas empresas?
Luis Domenech: Muitas empresas migram para o gás natural devido às questões ambientais, mas o fator que mais pesa para a mudança de combustível é a questão financeira, principalmente quando se trata do setor industrial, mas o gás natural invariavelmente é menos poluente que o óleo combustível, o diesel e todos os demais combustíveis fósseis e somos muito competitivos financeiramente.
Em relação à geração de energia elétrica, o gás natural terá um papel complementar ao do sistema hidrelétrico nacional, para dar maior confiabilidade na produção de energia elétrica.
Blog: Já no setor de transportes, o Brasil vem dando exemplos ao mundo. Primeiro, com o álcool que é um combustível de fonte renovável e já está sendo exportado para outros países, tanto o produto em si como a sua correspondente tecnologia. Seu principal benefício é o de emitir menos poluente na atmosfera em relação à gasolina e à própria emissão de CO² quando da queima do álcool combustível, acaba sendo compensada em função do seqüestro de carbono conseguido na plantação de sua matéria-prima, no caso do Brasil, a cana-de-açúcar. Agora chegou a vez do BioDiesel que também é outro combustível verde que contribuirá com a redução de poluentes. Qual a razão de não haver maior incentivo para a utilização do gás natural veicular (GNV) em outros tipos de veículos, como é o caso do nosso vizinho, a Argentina? E mesmo com pouco incentivo o mercado de GNV cresce a passos largos no país, por quê?
Luis Domenech: O mercado de gás veicular cresce a passos largos principalmente porque oferece economia ao usuário, chegando a 70%. Este é o principal motivo do sucesso. O uso do gás natural em veículos leves é indicado apenas para quem roda pelo menos perto de 100 quilômetros por dia, não é indicado para todos os usuários porque tem o custo da instalação do kit de GNV. Por exemplo, para o usuário que anda mais de 100 quilômetros com seu veículo por dia, demora cerca de seis meses para conseguir o retorno do investimento feito, para depois realmente economizar. Particularmente não sou a favor de subsidio para veículos leves a gás natural. Agora, sou um defensor ferrenho do uso do gás natural para ônibus urbanos e para transporte de carga de curta distância.
Blog: Recentemente, lançamos a 1ª Pesquisa sobre Código de Ética Corporativo no Brasil com o objetivo principal de motivar o maior número de empresas na elaboração e adoção desse instrumento. Nessa inédita pesquisa, constatamos que a Comgás possui sua Declaração de Princípios. Qual a sua importância?
Luis Domenech: A Comgás tem uma Declaração de Princípios e Valores e a ética é um dos nossos principais valores. Para a empresa é muito importante a transparência em tudo que é feito, tanto junto aos clientes, como ao acionista, ao regulador e a todos os nossos fornecedores e parceiros.
O RH da Comgás está desenvolvendo um grupo de trabalho para a formulação de um Código de Ética da empresa. Neste grupo membros representando todas as áreas da empresa construirão nosso Código de Ética.
Blog: O que significa Responsabilidade Social Corporativa para a Comgás?
Luis Domenech: Com a privatização, a Comgás passou por uma grande transformação e, desde então, tem trabalhado a questão da sustentabilidade nos seus processos, equilibrando o bom desempenho econômico-financeiro com respeito ao meio ambiente e a excelência na gestão de seu relacionamento com os diversos públicos de interesse, promovendo o desenvolvimento social por meio de iniciativas diversas e pela própria natureza de seu produto, o gás natural.
Blog: E é essa seriedade que levou a Comgás a elaborar a política de Investimento Social? Em linhas gerais, qual a finalidade dessa política?
Luis Domenech: Seriedade e busca pela excelência pautam a performance de nossos investimentos nesta área. Em 2000, motivada por seus acionistas (Grupo BG e Shell), a Comgás pôde desenvolver uma Política de Investimento Social sólida e avançada.
Ao elaborar a Política de Investimento Social e os projetos que dela derivaram, a empresa buscou fortalecer e sedimentar sua atuação na área social. Por isso, ancorou-a em seus valores corporativos, de forma estruturada (com alocação de recursos, planejamento de longo prazo e visando à sustentabilidade) e estratégica, de modo a gerar ações efetivas e inovadoras que possam ser disseminadas em parcerias com outros segmentos da sociedade.
A companhia busca sempre considerar a co-responsabilidade e a capacidade das comunidades de operar suas mudanças.
Blog: Quais as principais ações de responsabilidade social desenvolvidas pela Comgás?
Luis Domenech: De nosso política, originaram-se três programas:
1. Aprendiz Comgás: dirigido a jovens;
2. Projeto de Educação Ambiental: para crianças;
3. Voluntariado: para os empregados, terceiros e respectivos familiares.
Blog: Gostaríamos que você destacasse o exemplar Progama Aprendiz Comgás – o PAC? Quais seus objetivos e projetos mais significativos?
Luis Domenech: O Programa Aprendiz Comgás trabalha com jovens de 14 a 18 anos, estudantes de escolas públicas (80%) e privadas (20%). Os adolescentes são convidados a participar ativamente de programas em suas comunidades por meio de projetos que eles mesmos propõem e desenvolvem. Assim, o programa trabalha com o conceito de protagonismo juvenil, em que os jovens são atores e autores de iniciativas em prol de suas comunidades. Em consonância com a Política de Investimento Social que visa a geração de tecnologias sociais, o Aprendiz Comgás foi criado na cidade de São Paulo e expandido gradualmente em direção ao interior, na etapa chamada DisseminAção. Essa etapa forma educadores-multiplicadores que vão replicar o programa no interior.
Em 2005, o programa chegou aos municípios de Hortolândia, Americana, Indaiatuba, Jaguariúna e Pedreira, na região de Campinas. Em 2004, já havia contemplado São José dos Campos (Vale do Paraíba), São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul (no Grande ABC). Em 2006, a ação foi focada no município de Campinas.
Desde sua fundação, em 2000, já passaram mais de 1100 jovens em 200 projetos sociais em São Paulo. No interior, em dois anos, foram mais de 70 professores e 600 jovens de escolas públicas envolvidos na elaboração de projetos sociais nos seus municípios.
Blog: Em sua opinião, qual a importância de uma empresa elaborar seu Balanço Social? A Comgás é adepta a esta prática empresarial? Por quê?
Luis Domenech: Fundamental, sem dúvida. A Comgás publicou seu primeiro Balanço Social em 2002. Hoje, produzimos um relatório único, o de Sustentabilidade, mostrando a performance das três importantes vertentes do desenvolvimento sustentável de forma integrada: o ambiental, o social e o econômico. Seguimos o padrão GRI, Global Reporting Initiative, adotado mundialmente como referência.
As empresas hoje têm sua participação e atuação social ampliadas. É importante ser transparente e comunicar em que medida e como elas têm contribuído, interna e externamente, com a promoção do desenvolvimento sustentável.
Blog: A elaboração desse instrumento é característica de grandes empresas?
Luis Domenech: Não. Acredito que a intenção de comunicar seu desempenho com transparência é hoje percebida e valorizada pela sociedade, independente do porte da empresa.
Blog: Quais as dicas que você pode deixar aos jovens que desejam ser os Líderes Socialmente Responsáveis de amanhã?
Luis Domenech: Que comecem hoje. A Comgás tem um compromisso forte com a juventude. Por isso, investe no Aprendiz Comgás, seu carro-chefe na área social, e busca valorizar o empreendedorismo juvenil. Acreditamos que o jovem pode e deve ser estimulado a ser ator e autor de intervenções na comunidade, contribuindo de forma ativa na sociedade.
Blog: O Blog Ética nos Negócios quer agradecer imensamente o presidente da Comgás, Luis Domenech, por tão honrosa oportunidade. Muito obrigado por sua participação no Entrevista CEO. Um abraço!
Luis Domenech: A satisfação é toda nossa!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Jairo Yamamoto da Medley

O convidado de hoje no Entrevista CEO do Blog Ética nos Negócios é o líder da empresa que ocupava em 2000 a 28ª posição no ranking das indústrias farmacêuticas no Brasil e apenas cinco anos depois, saltou para a 3ª colocação, sendo impulsionada pelo pioneirismo na fabricação de medicamentos genéricos no final da década de 90, que contribuiu significativamente para esses resultados e até hoje, sua empresa é a líder de mercado desse importante segmento, auxiliando a transformar a saúde em um bem acessível a todos.
A sede desta companhia se encontra em Campinas, uma das principais cidades do país e a mais importante do Estado de São Paulo, depois da capital. Seu nome é Jairo Yamamoto e ele é o presidente da Medley S/A – Indústria Farmacêutica.
Blog: Boa tarde Jairo. É uma prazer receber você no nosso blog.
Jairo Yamamoto: Boa tarde, o prazer é meu, principalmente, pela possibilidade de conversarmos sobre um assunto tão importante como a ética nos negócios.
Blog: Sempre iniciamos nosso bate papo solicitando aos nossos entrevistados que falem sobre eles mesmos. Você pode nos contar quem é Jairo Yamamoto?
Jairo Yamamoto: Sou um profissional que adora o trabalho e acredita que a disciplina, persistência e a ética são valores fundamentais para o sucesso das pessoas, em qualquer aspecto de sua vida.
Blog: Conte-nos sobre sua carreira e como é ser o presidente de uma das melhores empresas para se trabalhar de acordo com o guia da Revista EXAME? Este clima organizacional acaba contribuindo para os fantásticos resultados alcançados pela Medley nesses últimos anos? E, qual o peso dos valores de sua empresa nestes resultados?
Jairo Yamamoto: Sou Economista com MBA em Finanças pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e MBA pela Fundação Dom Cabral. Iniciei minha carreira profissional no Banco do Brasil onde trabalhei por 15 anos. Estou na Indústria Farmacêutica também há cerca de 15 anos, sendo dez pela Medley, onde assumi a presidência em 2002.
Com certeza, o clima organizacional é um dos fatores mais importantes para o sucesso de uma empresa, pois, por mais avanços tecnológicos que aconteçam, as pessoas são e fazem toda a diferença nos rumos de uma corporação. Na Medley, temos a constante preocupação em garantir uma melhor qualidade de vida aos nossos colaboradores e trabalhar para que o ambiente organizacional seja sempre positivo.

Blog: Em 2006 a Medley comemorou 10 anos, certo? Quais foram os avanços significativos ocorridos durante essa década?

Jairo Yamamoto: Ao longo desses 10 anos muitos avanços aconteceram na Indústria Farmacêutica, na economia do país e, conseqüentemente, na Medley. Em especial, destaco o crescimento das indústrias farmacêuticas nacionais, principalmente, com o advento dos medicamentos genéricos, um grande avanço em termos de acessibilidade de medicamentos às pessoas. Além disso, a estabilização da economia nacional, e a melhora da qualidade de vida das pessoas, (que gerou um aumento na expectativa de vida dos brasileiros), foram fatos importantes para o crescimento da companhia.

Blog: Mas, esse sucesso não se dá apenas no Brasil? Você poderia comentar sobre os negócios da Medley na América Latina e na Europa?

Jairo Yamamoto: Há cerca de cinco anos a Medley iniciou o trabalho de exportação. Os negócios internacionais estão indo tão bem, que foi criado um departamento exclusivo para coordenar os trabalhos nessa área. Em 2007, além de ingressar em novos países da América Latina, a Medley estuda a possibilidade de ampliar a gama de produtos a serem exportados.

Blog: Atualmente, a Medley possui uma gestão executiva, ou seja, os integrantes da família que fundou a empresa transferem seus cargos diretivos para executivos. Quando ocorreu essa transição? Como ela se deu? Quais as semelhanças e diferenças de uma gestão familiar para a executiva? E, quais as vantagens desse tipo de gestão para os negócios?

Jairo Yamamoto: A transição aconteceu em 2001. Ela se deu de uma maneira muito estruturada, planejada e transparente. A família acionista deixou seus cargos diretivos e passou a comandar o conselho da corporação. Automaticamente, todos os cargos executivos foram profissionalizados. As mudanças estão na forma de conduzir o trabalho que não está diariamente sob a supervisão do acionista. Por um lado, temos mais autonomia nas decisões corporativas, por outro, muito mais responsabilidade. Porém, o importante nessa relação é a confiança entre acionistas e seus executivos. Na Medley, essa sintonia existe e agrega muito valor nos rumos da corporação.

Blog: Como foram os resultados da Medley este ano e quais as perspectivas para 2007? E, quais os desafios do mercado farma para esse final de década?

Jairo Yamamoto: O ano de 2006 foi muito positivo para a Medley. A empresa saltou da sexta colocação para a terceira no ranking setorial; bateu recordes na produção; no mercado de genéricos e no seu market-share total. O cenário da indústria farmacêutica mundial para esse final de década, aponta para a expiração de patentes de medicamentos muito importantes, e o crescimento do mercado dos medicamentos genéricos, centralizando a competição em grandes corporações. Por isso, mais do que nunca, a agilidade para se adaptar às transformações é um fator primordial para as corporações que pretendem continuar acompanhando os rumos do mercado.

Blog: A Medley é uma empresa farmacêutica e, evidentemente, produz medicamentos para a população. Quais as preocupações que uma empresa desse setor deve ter? Quais os aspectos importantes desenvolvidos por sua empresa nesse sentido?

Jairo Yamamoto: As principais preocupações de uma indústria farmacêutica sempre devem girar em torno da qualidade e eficácia de seus medicamentos. Na Medley, essa preocupação é encarada como respeito ao nosso consumidor, principalmente, pois, acima de tudo, trabalhamos para facilitar o acesso das pessoas aos medicamentos. Além de seguir rigorosamente todos os preceitos das autoridades sanitárias que regem o setor, a Medley procura aprimorar a sua cadeia de produção, seja por meio da implantação das práticas mais modernas e seguras de industrialização, como também na seleção e desenvolvimento dos parceiros envolvidos no processo.

Blog: Para muitas pessoas, os Medicamentos Genéricos, por serem muito mais baratos, não tem a mesma qualidade encontrada nos produtos tradicionais, inclusive recente pesquisa realizada no país, demonstrou que a população de maior poder aquisitivo é a maior consumidora dos produtos genéricos. A que se deve esse paradigma? Quais as ações que podem ser tomadas para reverter esse quadro e aumentar o consumo dos genéricos?

Jairo Yamamoto: Acho que a palavra chave nessa questão é informação. Para levar em sua embalagem o símbolo de um medicamento genérico (a letra G em fundo amarelo), todos os medicamentos são submetidos a rigorosos testes e controle de qualidade que garantem a mesma eficácia do produto referência. O preço mais barato é uma vantagem para a população que consegue ter acesso aos medicamentos e possibilidade de manter tratamentos com menor custo. A questão é entender que genérico (com o símbolo, a letra G na embalagem) é diferente dos medicamentos similares, muitas vezes mais barato, mas, que não possuem todos os testes de qualidades exigidos pelas autoridades sanitárias. A melhor maneira para quebrar esse paradigma é continuar comunicando os benefícios dos medicamentos genéricos. A Medley procura sempre levar essa mensagem em sua comunicação institucional. Seria muito importante que o governo continuasse a divulgar os benefícios dos genéricos, pois, com certeza, auxiliaria na qualidade de vida das pessoas.

Blog: Você pode comentar um pouco sobre a Farmácia Popular. Quais são as vantagens deste programa criado pelo Governo Federal e quem pode se beneficiar?

Jairo Yamamoto: A Farmácia Popular é o primeiro programa de co-participação entre indústria e governo, onde o governo paga 90% do valor do medicamento e o paciente 10%. O intuito é o de facilitar o acesso de medicamentos às pessoas carentes do país. Desta maneira, a Medley que sempre esteve a frente de propostas com este objetivo, não poderia deixar de participar e incentivar o programa. As pessoas que utilizam medicamentos contínuos são as mais beneficiadas, pois podem adquiri-los a menor custo, o que barateia o tratamento. O programa deve ser mais estimulado, com a inclusão de novas moléculas.

Blog: No mês de dezembro foi comemorado o Dia Internacional contra a Corrupção. Um número divulgado pela própria ONU – Organização das Nações Unidas nos assustou bastante. O mercado de medicamentos mundial movimenta US$ 50 bilhões e 25% desse montante não chega a onde deveria chegar, ou seja, a corrupção abocanha US$ 10 bilhões em detrimento da saúde e da melhora da qualidade de vida dos cidadãos e das cidadãs. Em sua opinião, o que se pode fazer para combater os malefícios da corrupção que atrapalha e acaba corroendo o desenvolvimento das nações?

Jairo Yamamoto: A corrupção realmente é um mal que atinge diretamente na qualidade de vida das pessoas. Acredito que somente com implantação de políticas sérias e rigorosas, possa haver um maior controle desse problema.

Blog: A corrupção é a falta de ética na esfera pública. Para você, qual a importância da ética no mundo dos negócios? Quais são suas vantagens competitivas? Como engajar todos os colaboradores no dia-a-dia ético de uma empresa? Isso também vale para a cadeia produtiva?

Jairo Yamamoto: A ética é fundamental em qualquer esfera de sua vida. No mundo dos negócios ela é responsável por determinar a “alma” da empresa. Ser ético com seus colaboradores, parceiros, clientes, e consumidores tem uma implicação direta na imagem da corporação e na sua própria sustentabilidade.

Blog: Hoje a meta do meio empresarial são os negócios sustentáveis. O que isso significa? Qual sua importância? E, quais as ações corporativas de maior destaque que poderão fazer uma empresa alcançar mais rapidamente essa sustentabilidade?

Jairo Yamamoto: A busca pela sustentabilidade, ou seja, a continuidade dos negócios da empresa sem prejudicar as gerações futuras, e sim garantir suas necessidades por meio de ações equilibradas no presente, é uma grande aspiração da Medley. Atualmente, já desenvolvemos projetos que visam aperfeiçoar nossos relacionamentos e procuramos difundir, cada vez mais, princípios do Pacto Global e das Metas do Milênio, estabelecendo indicadores sociais, ambientais e econômicos, para promover e consolidar o tema entre os nossos stakeholders. Acreditamos que o trabalho em conjunto, auxiliando no desenvolvimento dos parceiros de nossa cadeia de produção é fundamental para alcançar o nosso objetivo.

Blog: Essa sustentabilidade passa pela Responsabilidade Social Corporativa. Para Medley, qual a relevância desse tema para os negócios? E, quais as atividades sociais desenvolvidas em 2006?

Jairo Yamamoto: Sim, com a estruturação do departamento de Responsabilidade Social Corporativa, definimos nossa atuação em torno de quatro pilares essenciais:

a) Responsabilidade individual: considerada um princípio fundamental, pois tem papel de destaque no processo de conscientização e disseminação das práticas socialmente responsáveis.

b) Responsabilidade econômica: pressupõe a eficiência econômica, a geração e distribuição de riqueza e lucro, em benefício do desenvolvimento da sociedade, com uma atuação ética.

c) Responsabilidade social: atua para fazer valer os direitos humanos, respeitar as leis e preocupar-se com a saúde e a segurança no trabalho.

d) Responsabilidade ambiental: busca a preservação dos recursos naturais, a partir de atitudes que evitem impactos negativos e despertem para ações pró-ativas na recuperação do meio-ambiente.

Essas diretrizes de sustentabilidade traduzem os esforços da empresa em seguir definições internacionais, como o Triple Botton Line, que ressalta a importância do equilíbrio entre os aspectos ambiental, social e econômico. A intenção é que todos os projetos desenvolvidos pela corporação passem a atender esses preceitos ao longo do tempo.

O departamento de Responsabilidade Social Corporativa tem por objetivo propagar um modelo de gestão diferenciada em que predomina a relação de respeito com os públicos que impactam e são impactados em nossos negócios. Alem disso, visa incentivar a cooperação e as estratégias de longo prazo. Acreditamos que este modelo de gestão e o caminho para a perenidade da empresa.

Blog: Uma empresa do setor farmacêutico também tem que se preocupar com o Meio Ambiente? Quais as ações ambientais realizadas pela Medley?
Jairo Yamamoto: Com certeza, as questões ambientais são muito importantes para a Indústria Farmacêutica e são vistas na Medley com extremo cuidado. A empresa se preocupa com a reutilização da água da companhia, incentiva e realiza a coletiva seletiva de lixo, promove campanhas internas e externas com esse objetivo e, recentemente, apoiou de maneira majoritária a construção de uma cooperativa modelo para reciclagem de lixo nas imediações da sede da empresa.
Blog: A Medley não coleciona vitórias somente nas vendas de medicamentos genéricos no Brasil, mas também nas pistas da principal categoria do automobilismo nacional: a StockCar. Qual a importância de uma empresa também investir no esporte? Quais os objetivos e os benefícios atingidos?
Jairo Yamamoto: Além do automobilismo, a Medley também apóia duplas de vôlei de praia, o iatista Robert Scheidt e atletas portadores de deficiência física. Por meio do trabalho de marketing esportivo, a Meldey associa sua marca e seus produtos a atletas de diversas modalidades que referendam os valores cultuados pela empresa, ligados à saúde e ao bem-estar. (Conheça os patrocínios da Medley)
Blog: Que conselhos você daria àquele jovem que deseja ter sucesso em sua carreira profissional?
Jairo Yamamoto: Trabalhe com energia e paixão. Procure fazer além do que lhe é pedido, porém, sempre atuando da maneira mais ética possível. Não desanime com tropeços iniciais, pelo contrário, procure tirar proveito das adversidades para transformá-las em oportunidades de aprendizagem e crescimento.
Blog: Você gostaria de falar sobre algum outro ponto importante? Fique a vontade!
Jairo Yamamoto: Gostaria de agradecer pela oportunidade de conversar sobre assuntos tão significativos, além de mostrar um pouco do trabalho que realizamos na Medley Indústria Farmacêutica, uma empresa nacional que tem orgulho de promover saúde e bem-estar.
Blog: Queremos agradecer o Jairo Yamamoto – CEO da Medley – por sua participação no Blog Ética nos Negócios. Este espaço estará sempre aberto a você e a empresa a qual você representa. Obrigado, foi uma satisfação para nós!
Jairo Yamamoto: Muito obrigado e fiquem a vontade para nos procurar.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Estamos de mudança...

O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios está mudando seu escritório... Por isso, ficaremos mais alguns dias fora do ar!
Aproveite e conheça as entrevistas anteriores.
Conheça também o Blog Ética nos Negócios.
Voltamos em breve!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Férias...

Amigos e Amigas,
Estamos em férias... Retornaremos em 29/01/07.
Aproveite e navegue pelo Entrevista CEO.
Conheça também o Blog Ética nos Negócios.
Um abraço.
Douglas Linares Flinto
Diretor-Presidente

domingo, 31 de dezembro de 2006

FELIZ 2007!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

FELIZ NATAL! Até 2007!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Luiza Helena: CEO do Magazine Luiza

O Blog Ética nos Negócios teve a satisfação de conversar com uma admirada executiva que espelha as inquestionáveis qualidades femininas e o crescente destaque da mulher no mundo dos negócios. Estamos falando da Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, superintendente de uma das maiores redes de varejo do país: o Magazine Luiza.
Blog: Sempre iniciamos nosso bate-papo no Entrevista CEO conhecendo um pouco da pessoa que estamos entrevistando. Por isso, gostaríamos que você nos contasse um pouco sobre a Luiza Helena.
Luiza Helena: Sou francana, casada e mãe de três filhos. Desde 1991, quando o Magazine Luiza criou uma holding, me tornei diretora-superintendente da empresa. Iniciei minhas atividades profissionais no Magazine Luiza aos 12 anos, quando abdiquei das férias escolares para trabalhar na loja. Quando ingressei profissionalmente na empresa passei por todos os departamentos do grupo, da cobrança à gerência, das vendas à direção comercial, até me tornar superintendente.
Coordenei a criação das Lojas Eletrônicas Luiza, um projeto pioneiro no varejo nacional, hoje chamado de Lojas Virtuais. Nestas lojas há um vasto catálogo de produtos que são demonstrados na tela de um computador. Participei da idealização da Liquidação Fantástica, que acontece sempre no início do ano e tem produtos com até 70% de desconto.
Blog: O Magazine Luiza foi fundado há quase meio século. Fale-nos desta história de sucesso, do seu início até os dias atuais.
Luiza Helena: O Magazine Luiza foi fundado por meus tios, Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato. A história começou quando eles adquiriram uma pequena loja de presentes, chamada ‘A Cristaleira’, em Franca, interior de São Paulo. Hoje, o Magazine Luiza possui 352 lojas, distribuídas por sete estados brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nosso desenvolvimento tem sido fundamentado no espírito da honestidade e no bom trato ao cliente, sem esquecer, é claro, da valorização de nossos maiores incentivadores, os mais de 10 mil funcionários do Magazine Luiza.
Blog: O Magazine Luiza é uma das maiores redes de varejo do país. Atuando em vários estados, com centenas de pontos de vendas e milhares de colaboradores. Quais são seus principais desafios, motivações e expectativas como superintendente? Minha principal expectativa, como superintendente, é que o Magazine Luiza continue crescendo, sem perder sua alma.

Blog: Temos acompanhado as mulheres ocupando, cada vez mais, posições de destaque tanto nas empresas como nos governos. Na sua opinião, porque isso vem ocorrendo? Quais as principais características e diferenças entre uma gestão feminina e masculina? E, se ainda existem preconceitos neste sentido e o que se pode fazer para supera-los?

Luiza Helena: Acredito que homens e mulheres têm as mesmas chances de ter sucesso, desde que se empenhem e mostrem seu valor. No Magazine Luiza não há diferenças para homens e mulheres, até nosso número de funcionários é equilibrado. Desta forma incentivamos a igualdade de direitos e preservamos um ambiente de respeito. Acredito que hoje em dia o mercado valoriza muito mais o trabalho das mulheres que provam sua capacidade por meio de muito esforço e dedicação. É claro que ainda há muitas barreiras a serem transpostas, mas já evoluímos muito. Para ter sucesso uma empresa precisa ter velocidade, rentabilidade e qualidade. Neste aspecto algumas qualidades femininas passaram a ser indispensáveis, como a flexibilidade, intuição, processo educativo e interação. Devido a todos esses aspectos as mulheres estão tendo um espaço muito maior porque a elas foi permitido desenvolver essas habilidades. Eu costumo dizer nas minhas palestras que toda mulher tem de conhecer a sua força, junto com isso respeitar profundamente a força masculina. Eu acredito na junção da força masculina e feminina. Quando elas se juntam, seja na educação dos filhos, nas empresas, em qualquer coisa, todos nós saímos ganhando muito mais.

Blog: Já que o assunto é tecnologia. Como o Magazine Luiza encara as novas tecnologias, em especial a internet, para a consolidação de seus negócios?

Luiza Helena: Quando criamos as Lojas Virtuais, em 1992, a internet praticamente ainda nem existia. Criamos esse novo conceito para tornar possíveis as vendas em pequenas cidades, sem termos um custo muito alto com a construção de lojas grandes. As lojas virtuais exigem uma pequena estrutura física, porque nelas não há exposição de produtos. As pessoas definem suas compras por meio de um terminal multimídia. Após termos consolidado essa experiência, criamos, em 1999, o site magazineluiza.com, que hoje é a melhor loja da rede em resultados de vendas. As lojas virtuais e o site respondem por 12% do faturamento da rede.

Blog: O Magazine Luiza possui muitos prêmios conquistados. Quais são os principais? E, a que se deve tamanho reconhecimento público?

Luiza Helena: Há nove anos figuramos entre as 10 melhores empresas para se trabalhar, segundo o guia do Instituto Great Place to Work. Em 2003, conquistamos o primeiro lugar. Todo esse reconhecimento se deve a atitudes inovadoras na gestão dos Recursos Humanos. Em 2006, o Magazine Luiza foi premiado em Caxias do Sul (RS), com o troféu O Mercador, como destaque do comércio pelo Sindilojas (Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul) e o Sindigêneros (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios). Também recebemos o Prêmio Empresa Mais Admirada, do segmento Varejo de Eletro-eletrônico, na 9ª edição da pesquisa realizada por CartaCapital/TNS InterScience. Conquistamos ainda o prêmio O Equilibrista, de Destaque do Comércio, que foi concedido pelo Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de Campinas.

Blog: Queremos começar este assunto, falando sobre as pessoas que compõe uma organização e são responsáveis por seu sucesso ou fracasso. Especialmente, no caso do Magazine Luiza, o atendimento ao público e aos consumidores devem ser uma marca de excelência numa empresa varejista. Atualmente, sua empresa conta com 10.000 colaboradores. Qual é a fórmula do Magazine Luiza para administrar, treinar, motivar e comprometer tanta gente? Quais os valores inerentes a sua empresa e que devem ser incorporados por cada um dos seus funcionários?

Luiza Helena: A política de Recursos Humanos do Magazine Luiza está baseada na valorização do ser humano e na crença da sua evolução. A empresa realiza uma série de programas que visam dar qualidade de vida, capacitação técnica e evolução pessoal, para que as pessoas tenham uma visão de mundo mais ampliada. A empresa tem grande investimento em treinamentos e cursos de técnicas de vendas, produtos e comportamentais. A empresa tem uma série de benefícios. Um deles é o cheque-mãe, uma ajuda mensal de R$ 200 para mulheres que trabalham na empresa e têm filhos de até 10 anos, para pagamento de creches e babás. O Magazine Luiza ainda oferece bolsas de estudos a todos os funcionários que queiram estudar. O percentual da bolsa varia de 20% a 70% do custo total da mensalidade. A ajuda é fornecida para qualquer tipo de formação, desde segundo grau até nível universitário, e outros cursos, como informática e inglês. Também há um plano de saúde nacional, que é extensivo a funcionários e dependentes. O Magazine Luiza negociou um plano odontológico muito bom. Nós temos alguns apoios para a construção da casa própria e casos de doenças graves, por exemplo. Para os pais dos funcionários, negociamos planos de saúde e odontológicos, com preços muito acessíveis. Temos convênios com algumas financeiras e bancos para oferecer crédito pessoal, com juros menores. A retaguarda do departamento de Recursos Humanos é colocada à disposição dos funcionários para ajudá-los nos problemas pessoais. Além disso, nós temos um plano de previdência privada para todos os colaboradores.

Blog: Como é encarada e também disseminada a ética no Magazine Luiza? Na sua opinião, qual a importância e as reais necessidades de uma empresa exercer a ética nos negócios?

Luiza Helena: Internamente temos um Código de Conduta Ética. Na integra, o texto diz o seguinte: “A Comunicação, na Empresa, é aberta e direta a todos. As lideranças têm por obrigação divulgar esta prática, em que os colaboradores podem se comunicar com qualquer pessoa, independente do nível hierárquico. Nenhum colaborador sofrerá pena, punição ou retaliação por denunciar ou testemunhar práticas de má fé ou lesão ao patrimônio da Empresa. Todos os colaboradores da Empresa têm acesso à Liderança (gerentes de departamento, gerentes regionais, diretoria, superintendência). O Magazine Luiza possui uma política de portas abertas.”

Blog: Por tudo que o Magazine Luiza representa no cenário nacional, sua empresa de ser admirada e formar a opinião de vários empresários do setor. Que conselho(s) e exemplo(s) você pode dar a estes varejistas em relação a ética nos negócios?

Luiza Helena: O que posso dizer é que a ética é imprescindível para quem deseja alcançar um crescimento sustentável.

Blog: Para muita gente, a Responsabilidade Social é um modismo passageiro e até uma nova ferramenta de marketing. O que essa expressão significa para você e o que a Responsabilidade Social representa para o Magazine Luiza?

Luiza Helena: O que hoje é chamado de Responsabilidade Social faz parte de nossa cultura desde que minha tia fundou sua primeira lojinha, em Franca-SP, no interior de São Paulo. Sempre tivemos a ética, a honestidade e o respeito aos clientes, aos funcionários e aos fornecedores como premissa básica em todas as nossas ações e decisões. Sempre participamos ativamente nas comunidades onde atuamos, não apenas gerando empresas, mas sendo uma empresa solidária e aliada nas ações voltadas para a melhoria da sociedade. Então, mesmo que a moda passar, continuaremos praticando estes princípios e estas ações, independente do nome que tiveram no passado e que vierem a ter no futuro.

Blog: A Responsabilidade Social é factível num ponto de vendas varejista? E numa cadeia de lojas como é o Magazine Luiza? Como isso é possível?

Luiza Helena: Em qualquer empresa, independente do tamanho, do número de funcionários, ou do ramo de negócio (lícito, é claro), é possível praticar a Responsabilidade Social, na medida em que ética, honestidade, respeito, compromisso com o bem comum cabem em todo lugar.

Blog: E, como a Responsabilidade Social faz parte do dia-a-dia dos negócios do Magazine Luiza? Qual sua importância e motivação?

Luiza Helena: Como já mencionei, são princípios arraigados em nossa cultura. Colocamos estes princípios em prática diariamente, no envolvimento de toda a equipe nas tomadas de decisões estratégicas, nos benefícios que vão além dos exigidos por lei e são estendidos aos familiares de nossos colaboradores, no relacionamento ganha-ganha com nossos fornecedores, na implantação de medidas que reduzem o impacto ao meio ambiente, no envolvimento com projetos comunitários, no incentivo à cultura local, no compromisso com o bom atendimento ao nosso cliente. Enfim, todos os processos de nossa empresa estão permeados pela responsabilidade social.

Blog: A maior ferramenta para a divulgação das Ações de Responsabilidade Social junto aos stakeholders (público) interno ou externo é o web site corporativo. Contudo, existem empresas optam pela não divulgação, como é o caso do Magazine Luiza. Qual a razão por esta opção?

Luiza Helena: Nossas ações são amplamente divulgadas, e somos inclusive considerados, há 9 anos consecutivos, uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, justamente pela conduta ética nos negócios. Publicamos também nosso Balanço Social, e em minhas palestras tenho como objetivo disseminar este jeito de ser. Blog: Para finalizar esta nossa conversa, gostaríamos que você falasse para o estudante de hoje que poderá ser um empresário amanhã, quais são os principais pontos para o sucesso de uma empresa varejista?

Luiza Helena: Tenho dito aos estudantes que o mercado está super competitivo e eles têm que ter uma visão global, entender do consumidor, ser humilde e saber lidar com pessoas.

Blog: Parabéns pelo sucesso empresarial alcançado por você. Obrigado Luiza Helena por tão simpática entrevista e o Blog Ética nos Negócios estará sempre aberto ao Magazine Luiza.

Luiza Helena: Tive muito prazer em participar de um site que divulga tanto a ética. Um grande abraço.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

João Dória Jr.: CEO do Grupo Dória Associados

Blog: Em primeiro lugar, o Blog Ética nos Negócios quer agradecer ao CEO do Grupo Dória Associados por esta oportunidade e registrar nossa satisfação em conversar com o empresário, jornalista, publicitário e apresentador do Programa Show Business, João Dória Jr..
João Dória Jr.: O prazer é todo meu em participar do Blog Ética nos Negócios e agradeço a gentileza do convite.
Blog: Muitas pessoas imaginam que o João Dória Jr. é o apresentador de um renomado programa de entrevistas exibido há muitos anos em rede nacional de televisão: o Show Bussiness. Mas, seu currículo é marcado por muito trabalho e grandes conquistas. Conte-nos sobre o João Dória Jr. e suas experiências profissionais.
João Dória Jr.: João Dória Jr. tem 48 anos, nasceu em 16 de dezembro de 1957. Jornalista e publicitário. Começou a trabalhar com 13 anos de idade, quando teve sua primeira Carteira de Trabalho assinada para atuar na Agência de Publicidade Standard, Ogilvy. Meu trabalho nesta agência era Assistente de Rádio e TV. Na verdade minha responsabilidade era preparar as apresentações em slides e filmes da agência e organizar todo o arquivo de áudio e vídeo desta empresa de publicidade em São Paulo. Na seqüência, fui para a Rede Tupi de Televisão, depois Rede Bandeirantes, novamente Rede Tupi, novamente Rede Bandeirantes e MPM Publicidade - que na época era a maior agência de propaganda do Brasil e a 17º maior do mundo. Neste período, fui convidado pelo falecido Governador de São Paulo, André Franco Montoro, para ser um dos coordenadores da campanha vitoriosa ao Governo do Estado de São Paulo. Na seqüência, fui indicado Secretário de Turismo da cidade de São Paulo, cargo que assumi com 22 anos. Fui o mais jovem Presidente da Paulistur e Secretário de Turismo do Estado de São Paulo. Três anos depois fui indicado Presidente da Embratur, no Governo Sarney, assumindo com 25 anos, o que me fez também o mais jovem Presidente da Embratur até hoje. Terminado este período como Presidente da Embratur, voltei ao setor privado, fundei minha Agência de Publicidade, depois vendi a um grupo multinacional e criei minha empresa de produção de televisão e há 14 anos produzo meu programa Show Business. Criando depois a Dórias Associados que é a empresa controladora de outras empresas que hoje compõem o Grupo Dória Associados: uma editora, uma produtora de TV, um Centro de Convenções e uma empresa de Marketing e Consultoria.
Blog: Que lições você tirou destas experiências políticas?
João Dória Jr.: As experiências no setor público foram hiper positivas. Aprendi a respeitar o setor público, o seu funcionalismo e a dimensão democrática que estabelece as responsabilidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e as relações com a comunidade. Aprendi sobretudo com dois grandes mestres da vida pública brasileira: Franco Montoro e Mário Covas. Exemplos de Franco Montoro e Mário Covas, e mais recentemente de Geraldo Alckmin, nos oferecem um horizonte ético e entusiasmante para a gestão política no Brasil.
Não posso deixar de registrar também, que no Governo Sarney, a quem servi como Presidente da Embratur, tive apoio e gestos generosos do Presidente José Sarney, assim como do ex-Ministro da Indústria e Comércio há época, José Hugo Castelo Branco. A todos eles sou muito grato pelas oportunidades que me ofereceram e pelo apoio que me disponibilizaram. As lições da experiência política foram enormes, sobretudo da humildade, da consciência e de não tomar decisões precipitadas. A política ensina muito e traz sabedoria para quem quer aprender.
Blog: Você também chegou a ser professor numa das mais tradicionais faculdades do país. Fale pra gente desta experiência e do seu aprendizado.
João Dória Jr.: Fui professor de Marketing na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) durante três anos. Na verdade eu me formei aos 21 e aos 22 já era professor na mesma universidade onde eu havia me formado no ano anterior. Foi uma experiência também muito rica, muito importante. Foi muito enriquecedor poder ensinar e compartilhar com os alunos suas próprias experiências. Melhor aprendizado neste período como professor foi o da disciplina e a capacidade de interpretar adequadamente os alunos e exercer o sentido de justiça nas suas avaliações.
Blog: Quais as lições colhidas durante sua atuação na televisão nas décadas de 70 e 80?
João Dória Jr.: A Rede Bandeirantes foi uma escola tanto quanto a Rede Tupi de Televisão. Nestas duas redes aprendi a gostar de televisão e a respeitar os profissionais que atuam para produzir uma das melhores televisões do mundo que é a brasileira.
Blog: O programa “Show Business” traz matérias voltadas para o debate econômico em âmbito empresarial. Dirigido a um público alvo qualificado, o programa discute as idéias, os princípios e a prática da vida empresarial no Brasil nos seus diferentes níveis, do universo das micro ao das grandes empresas. A que se dá esse sucesso? Já existem algumas mudanças e novidades programadas para 2007?
João Dória Jr.: O Programa Show Business está no ar há 14 anos, próximo de completar seus 15 anos, ininterruptamente no ar, todos os domingos às 11 da noite. A razão do sucesso do programa está na qualidade dos entrevistados, na formulação das perguntas, na presença no mesmo dia e horário e emissora durante tantos anos, criando uma audiência cativa e renovando também essa audiência com jovens empreendedores e, particularmente, com as mulheres, que hoje representam 48% do público telespectador do Show Business.
Em 2007 nós teremos um novo cenário e novas vinhetas, mas vamos manter o conteúdo e o formato básico do programa que, felizmente, está consagrado.
Pesquisa do Instituto DataFolha realizada em maio deste ano revelou que 94% dos telespectadores do programa confiam nas informações e no seu apresentador. Isso é a melhor prova da essência e da credibilidade do programa.
Blog: O Grupo Dória Associados realiza também workshops. Para que serve este tipo de evento? Quais são os públicos-alvo? Quais os objetivos e os benefícios a serem alcançados pelos participantes?
João Dória Jr.: Nós realizamos o FAMILY WORKSHOP ®, o FÓRUM EMPRESARIAL ® de Comandatuba e também o MEETING INTERNACIONAL ®. São três eventos importantes que reúnem presidentes das maiores empresas privadas do Brasil para discutir temas de interesse comum à economia privada do país. O FAMILY WORKSHOP ® especificamente, é um encontro além de discutir temas de ordem empresarial, discute também o papel e a importância da família no posicionamento de empresários e empresários ou dirigentes de corporações. Eu costumo sempre dizer que pais felizes são dirigentes de empresas mais justos e eficientes.
Blog: Dizem que o homem tem que plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Você já conseguiu realizar tudo isso, mas na sua opinião, o que mais dever ser acrescentado nesta frase visando complementar tudo aquilo que o homem dever fazer e praticar neste mundo?
João Dória Jr.: Felizmente eu plantei várias árvores, tenho três filhos e escrevi dois livros, mas a vida é movida a desafios, quem perde o sentido do horizonte na sua vida, começa a diminuir a sua razão de existência. O ser humano precisa encontrar sempre os seus desafios pessoais, espirituais, empresarias e culturais para poder se manter ativo, apaixonado, com vontade de viver na plenitude.
Blog: Você também atua no Terceiro Setor? Porque? Comente conosco a importância em se participar neste segmento de nossa sociedade?
João Dória Jr.: Sempre defendi a participação dos indivíduos e de empresas em programas do Terceiro Setor. País pobre e com enormes limitações como o Brasil obriga você a ter uma visão social em torno do que você faz e onde você vive. Você não pode agir de forma egoísta, pensando apenas no seu bem, no seu conforto e no seu bem estar. Há muitos anos eu dedico parte do meu tempo e também realizo investimentos pessoais e corporativos em instituições do Terceiro Setor.
Fundei o ISO – Instituto Solidariedade; faço parte da Fundação S.O.S. Mata Atlântica; fundei e presidi a AME Campos – Associação dos Amigos de Campos do Jordão; fundei e sou presidente de honra da AMEM – Associação dos Amigos do Menor pelo Esporte Maior e também fundei a AME Jardins – Associação dos Amigos dos Jardins que fica em São Paulo.
Além disso, colaboro com 5 instituições do Terceiro Setor e criei o EDH – Empresários para o Desenvolvimento Humano, braço social do LIDE – Grupo de Líderes Empresarias que em parceria com o Instituto Ayrton Senna desenvolve programas voltado para a educação das camadas mais pobres da população brasileira.
Blog: Gostaríamos que você comentasse um pouco mais sobre o LIDE – Grupo de Líderes Empresarias e como outras empresas interessadas podem participar?
João Dória Jr.: O LIDE é o maior e mais importante movimento empresarial do país. Hoje são 400 empresas, 800 dirigentes empresariais e 40% do PIB privado brasileiro reunido no LIDE. O objetivo deste movimento é valorizar a ética, defender a livre iniciativa, promover programas de responsabilidade social e defesa ambiental, e fortalecer as relações empresariais.
O LIDE além do EDH – Empresários para o Desenvolvimento Humano possui também o LIDEM que é o Grupo de Mulheres Líderes Empresariais, presidido por Chieko Aoki que tem por objetivo valorizar a presença da mulher em posições de liderança nos setores público e privado no Brasil.
O LIDE exige que as empresas tenham um faturamento mínimo de R$ 200 milhões. É fundamental que as empresas tenham, pelo menos, um Programa de Responsabilidade Social, Governança Corporativa e, se tiverem atuação na área ambiental, serem empresas que possuam a necessária responsabilidade ambiental.

Blog: Acreditamos que a Atuação Responsável de uma empresa engloba, necessariamente, a Responsabilidade Ética, a Responsabilidade Social e a Responsabilidade Ambiental e, a essas responsabilidades, damos o nome de Tripla Responsabilidade Corporativa. Na sua opinião, qual a relevância da ética nos negócios e da responsabilidade social e ambiental na gestão e no dia-a-dia das empresas?

João Dória Jr.: Empresas modernas são empresas que respeitam seus funcionários, que respeitam também os Programas de Responsabilidade Ética, Social e Ambiental. Para isso, não importa o tamanho da sua empresa e nem sua área de atuação, o que importa é o seu grau de consciência ética e de responsabilidade.

Blog: Além disso, quais são os principais avanços alcançados pelas empresas nesta tripla responsabilidade neste início de século e o que pode ser melhorado?

João Dória Jr.: O Brasil melhorou muito nos últimos quinze anos no seu padrão de Responsabilidade Social e Ambiental. Apenas na ética não acompanhou o mesmo ritmo. Infelizmente, os exemplos negativos do setor público acabam, muitas vezes, contaminando o setor privado, especialmente aqueles que mantêm relações com os governos. Ainda temos um longo caminho para melhor o posicionamento ético, tanto no setor público quanto no setor privado no Brasil.

Blog: O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios tem a principal função de fomentar a ética nos negócios e a responsabilidade social e ambiental, especialmente entre as crianças, jovens e adolescentes, em razão dos estudantes de hoje serem os futuros colaboradores, executivos, dirigentes e proprietários das empresas de amanhã. Para isso, conta com o Projeto RSC na Escola e com os Blogs Ética nos Negócios e Entrevista CEO. E, com estes projetos, acredita que possa contribuir com a formação de adultos-cidadãos e líderes socialmente responsáveis. O que você acha desta atuação?

João Dória Jr.: A proposta do Instituto Ética nos Negócios é louvável, sobretudo conscientizando os jovens da importância do respeito à ética. O grande movimento pela transformação do Brasil passa pela educação e neste sentido, passa também pelo ensinamento e obediência a ética junto às crianças e especialmente aos adolescentes.

Blog: Queremos voltar no assunto do EDH – Empresários pelo Desenvolvimento Humano para saber de que forma as empresas podem participar deste importante movimento.

João Dória Jr.: Empresas privadas podem ser voluntárias e apoiar os programas do EDH, mas essa colaboração passa, necessariamente, pela integração das empresas ao LIDE e a partir do LIDE terem uma atuação no plano social através do EDH. O trabalho de informações sobre o LIDE os leitores e participantes do Blog Ética nos Negócios podem consultar nosso Web Site.

Blog: Para finalizar, qual o conselho que você pode dar para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho ou àqueles que vislumbram crescer profissionalmente em suas empresas?

João Dória Jr.: O melhor conselho que eu posso oferecer aos jovens é confiar nas suas iniciativas, serem perseverantes, serem éticos, terem espírito de equipe, nunca perderem a humildade e colocarem os seus sonhos como objetivos a serem alcançados.

Blog: Foi uma enorme satisfação para o Blog Ética nos Negócios conversar com o João Dória Jr.. Nosso espaço estará sempre aberto para você. Um abraço grande.

João Dória Jr.: Eu queria agradecer o Blog mais uma vez pela oportunidade da entrevista, portanto fica aqui o meu sincero agradecimento.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Paulo Skaf - presidente da FIESP

Antes de iniciarmos as entrevistas com os principais executivos das empresas instaladas no Brasil, o Blog Ética nos Negócios abre o Entrevista CEO com um bate papo com o Sr. Paulo Skaf, empresário do ramo têxtil e que atualmente comanda a FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Confira esta agradável conversa:
Blog: Gostaríamos de abrir esta entrevista conhecendo o Paulo Skaf cidadão, empresário e o presidente de uma das mais importantes e influentes instituições deste país: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp. Fale um pouco do senhor.
Paulo Skaf: Sou um cidadão que ama este país e luta muito por seu desenvolvimento. Defendo esta meta como a causa maior de cada um dos brasileiros e de toda a Nação. É com este espírito e compromisso ético que pautamos nossa gestão na Fiesp.
Blog: A Fiesp é a entidade máxima de representação da indústria paulista e tem como objetivo tornar este importante segmento mais competitivo. Quais são os principais obstáculos encontrados e quais os desafios para superá-los? E, qual a participação e contribuição dos governos neste sentido?
Paulo Skaf: Os principais obstáculos enfrentados pela indústria e as instituições que a defendem, como a Fiesp e a CNI, são os mesmos que atormentam todos os segmentos produtivos de nosso país: uma política econômica extemporânea, permeada pelos mais altos juros do mundo, câmbio irreal, impostos exagerados, ausência de políticas mais ousadas visando ao desenvolvimento, burocracia excludente, legislação trabalhista onerosa e inflexível, penosos gargalos de infra-estrutura, tudo isto se somando para desestimular e tornar mais cara a produção e menos competitiva nossa economia.
Quanto à participação/contribuição dos governos para superar esses obstáculos, não é possível analisar isto de modo tão linear. O Governo Federal, é verdade, tem insistido, nos últimos 12 anos, em manter o monetarismo exacerbado como remédio contra a inflação. Nesse sentido, podemos dizer que tem atrapalhado o País, pois tal modelo já se esgotou como solução no mundo globalizado. Precisamos de uma política econômica mais ousada, criativa e com olhar mais amplo. A Fiesp tem realizado numerosos estudos e os colocado à disposição das autoridades competentes, além de cobrar soluções.
Chamo isto de exercício legítimo da autoridade produtiva. Pode-se dizer que quando os governos - da União, estados e municípios - acolhem sugestões pertinentes da sociedade, estão ajudando na solução dos problemas.
Blog: Além das 133 entidades sindicais filiadas - representando os mais diversos segmentos da indústria paulista - sabemos que a Fiesp é integrante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e, também o Sistema Fiesp engloba e disponibiliza inúmeros serviços através do Sesi (Serviço Social da Indústria) e do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). O senhor pode comentar sobre cada uma destas instituições e o que elas contribuem para o cumprimento dos objetivos da Fiesp?
Paulo Skaf: A CNI é a entidade nacional da indústria, com a qual o Sistema Fiesp mantém absoluta sinergia na defesa do setor e do desenvolvimento brasileiro.
Os sindicatos aos quais você refere-se são a própria razão de existir da Fiesp. São eles os legítimos representantes de cada segmento da indústria paulista e a eles nos reportamos em cada passo em defesa de nosso setor.
No tocante ao Senai-SP, a capacitação profissional e a assistência técnica e tecnológica que disponibiliza às empresas são ferramentas estratégicas para as indústrias que desejam oferecer diferenciais tecnológicos e respostas rápidas e eficientes a seus clientes. Anualmente, são emitidos cerca de 800 mil certificados de conclusão nos diversos cursos e treinamentos, que abrangem: Aprendizagem Industrial, para jovens de 14 a 24 anos, em 38 áreas ocupacionais; Cursos Técnicos, de nível médio, em 41 habilitações; Formação continuada, treinamentos de curta duração para especialização e aperfeiçoamento de trabalhadores da indústria; Faculdades de Tecnologia - formação de tecnólogos, em nível superior e Pós-Graduação, nas áreas: Ambiental, Vestuário, Tecnologia Gráfica e Mecatrônica.
O Senai-SP é uma das maiores instituições do gênero do País.
Quanto ao Sesi-SP, precursor no desenvolvimento de ações de responsabilidade social empresarial, está presente em 115 municípios paulistas, por meio de 211 centros educacionais e 51 Centros de Atividades. É a maior rede de ensino privado do País. Atende 125 mil alunos por ano, matriculados nos cursos de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Em nossa gestão, estamos implementando o Ensino Médio. Aos jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos na idade convencional, a instituição ministra cursos especiais, ofertando mais de 60 mil vagas por ano. Além disto, o Sesi-SP mantém amplos programas de saúde, esportes, lazer, cultura e alimentação, acessíveis aos industriários, suas famílias e também à comunidade.
Blog: O Instituto Roberto Simonsen (IRS) é o espaço de discussão de idéias nos campos político, econômico, jurídico e social da indústria. O IRS é formado por quem e qual a sua importância?
Paulo Skaf: Em nossa gestão, consideramos o Instituto Roberto Simonsen tão importante, que eu próprio, como presidente da Fiesp, também o presido. O IRS é um centro de estudos avançados, gerador de idéias e indutor de projetos culturais, hoje integrado por algumas das mais lúcidas mentes deste país. É responsável pela publicação de pesquisas, documentos e obras literárias e a promoção de palestras e seminários, como o Fórum Euro-Latino-Americano, que já teve três edições, uma delas em Lisboa, Portugal. O IRS coordena, também, as reuniões dos Conselhos Superiores Temáticos – órgãos técnicos estratégicos, cuja função é promover o debate e análise de questões relevantes para a indústria de São Paulo e do Brasil. Integrados por cientistas políticos, intelectuais e figuras de destaque no cenário político e econômico brasileiro, os Conselhos Superiores são responsáveis pelas diretrizes estratégicas da Fiesp.
Na atual gestão, o diálogo institucional entre o setor produtivo e o Poder Legislativo foi significativamente ampliado. Deputados e senadores têm participado das reuniões dos Conselhos, na qualidade de convidados especiais da Presidência. De outro lado, a Fiesp mantém escritório em Brasília, visando a acompanhar a tramitação de projetos de lei ou emendas constitucionais de interesse do setor produtivo. Toda essa relação, sempre permeada pela liberdade e pela independência das partes.
Blog: Quais os principais serviços que a Fiesp presta aos seus associados?
Paulo Skaf: A atual estrutura da Fiesp reflete o pensamento estratégico e o tratamento homogêneo que confere às várias cadeias produtivas e aos sindicatos, independentemente do porte das empresas ou do segmento a que pertencem. Para tanto, foram criados, na atual gestão, os Comitês de Cadeias Produtivas - fóruns de análise de desempenho, fatores críticos e necessidades, com vistas ao crescimento setorial harmônico em cada sistema industrial, nos aspectos institucional, organizacional, técnico e tecnológico.
A Fiesp mantém articulações com os principais agentes setoriais, públicos ou privados, fazendo-se representar em mais de uma centena de fóruns, de âmbito estadual e nacional.
Eis alguns outros importantes serviços da entidade: orientação ao investidor estrangeiro; consultoria sindical e jurídica; Certificado de Origem, necessário na exportação, emitido em apenas 24 horas; orientação técnica e assessoria em comércio exterior; ações para o fortalecimento das micro, pequenas e médias indústrias; parcerias para aumentar a oferta de crédito e orientar nas questões de financiamento; divulgação das licitações do setor público, facilitando a participação das indústrias; programas ambientais; e aprimoramento tecnológico.
Blog: Existem regionais da Fiesp em todo o Estado de São Paulo? Quais são suas principais atribuições e atividades junto às indústrias locais?
Paulo Skaf: Em nossa gestão, criamos o Departamento Regional (Depar). O propósito foi justamente o de levar a todo o Estado, por meio de Diretorias Regionais, os serviços aos quais nos referimos na questão anterior.
Costumo dizer que, em nossa administração, a Fiesp deixou de ser uma entidade da Avenida Paulista, transformando-se, de fato, numa entidade paulista. São mais de 50 regionais cobrindo todo o estado.

Blog: Quando falamos em indústria, imediatamente pensamos nas grandes empresas. A micro, pequena e média indústria também pode fazer parte da Fiesp? Existem serviços direcionados e na medida certa para este pequeno empresário? Como ele pode proceder para se filiar à Fiesp?

Paulo Skaf: Claro que as pequenas e microempresas podem fazer parte da Fiesp. E fazem! Devem filiar-se por meio dos sindicatos representativos de seus segmentos industriais. Em nossa gestão, uma das prioridades é a pequena e microempresa. Em sua defesa, temos atuado ao lado do Sebrae-SP e do Sebrae-Nacional. A mobilização da Fiesp foi decisiva para o encaminhamento e aprovação, na Câmara dos Deputados e no Senado, da Lei Geral da Micro e da Pequena Empresa, que melhorará muito as condições para a sua criação e desenvolvimento.

Blog: Acreditamos que o desenvolvimento econômico e o crescimento devam estar alicerçados no desenvolvimento sustentável que tem nas melhores práticas empresarias - aquelas que envolvem a ética nos negócios e a responsabilidade social e ambiental - seus pilares para a sustentabilidade, inclusive contribuem para a sobrevivência da própria empresa. Qual a participação da Fiesp neste ponto e quais as estratégias e ferramentas oferecidas às indústrias para auxiliá-las na formulação e implantação de uma política voltada para a Responsabilidade Social Corporativa (RSC)?

Paulo Skaf: A Fiesp tem-se pautado pela disseminação da ética e da responsabilidade social como pressupostos inalienáveis do desenvolvimento da indústria e do País. Exemplo disto se expressa no posicionamento e nas ações da entidade no campo ambiental. Entendemos que administrar de maneira eficiente o passivo ambiental é questão prioritária para a sustentabilidade das indústrias. Consciente desse compromisso, a Fiesp assessora os sindicatos e empresas associadas no cumprimento dos requisitos ambientais, conciliando-os com os interesses e negócios da indústria. Dentre as várias ações institucionais, a entidade organiza anualmente a Semana do Meio Ambiente, seminário internacional com workshops e entrega do Prêmio Fiesp do Mérito Ambiental. Visando a estimular o consumo racional e a preservação dos mananciais hídricos, criamos o Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água. A meta é difundir boas práticas e medidas efetivas na redução do consumo e desperdício.

Blog: Já que estamos falando de meio ambiente. Uma das grandes preocupações do mundo atualmente é com o Aquecimento Global ocasionado pelo efeito estufa em razão do excesso de emissão de gases, especialmente o CO², na atmosfera terrestre. Esses gases são emitidos, em sua maioria, por veículos e pelas indústrias. Qual tem sido o posicionamento da indústria paulista neste sentido? E qual será a contribuição da Fiesp?

Paulo Skaf: Preocupação, aliás, muito justificada. Afinal, em setembro último, a Nasa, numa assustadora notícia, informou o mundo sobre o lamentável recorde do buraco na camada de ozônio. O risco é real! A indústria paulista, com todo o empenho e apoio da Fiesp, conforme explicitei anteriormente, busca cada vez mais o caminho da produção limpa, incluindo processos para mitigar a emissão dos gases do efeito-estufa. Isto é primordial.

Blog: Isso vale para qualquer segmento da indústria independente do seu porte? Por quê?

Paulo Skaf: Os compromissos com o ético, a responsabilidade social, a consciência ecológica e a sustentabilidade das atividades econômicas são valores inexoráveis dos sistemas produtivos e, portanto, de toda a ação da Fiesp.

Blog: O senhor pode comentar sobre as diretrizes e importância do ConSocial da Fiesp e qual sua importância neste contexto?

Paulo Skaf: Para tratar deste importante tema, a Fiesp constituiu o ConSocial - Conselho Superior de Responsabilidade Social Empresarial sob a coordenação do ex-ministro Paulo Renato de Souza, e integrado por personalidades como, por exemplo, Viviane Senna, fundadora e presidente do Instituto Ayrton Senna (IAS). Entendida como ferramenta para a competitividade, o crescimento e o lucro, a responsabilidade social vem sendo disseminada como instrumento de gestão de negócios, capaz de gerar resultados e benefícios para os trabalhadores e a comunidade, sobretudo para a empresa. Para isso, o Sistema Fiesp utiliza duas importantes ferramentas de difusão das boas práticas: o Programa Sou Legal, de combate à informalidade e à não-conformidade técnica dos produtos, e o Programa SESI de Qualidade no Trabalho (PSQT).

O PSQT oferece um diagnóstico gratuito para a empresa sobre as possibilidades de melhoria em sua gestão para gerar lucro e empregos, garantir a sustentabilidade da indústria, ter colaboradores satisfeitos e produtivos e, dessa forma, contribuir para o bem-estar social. As 100 empresas participantes da edição 2006, entregamos o Relatório de Consultoria.

Blog: Sabemos que o Brasil terá enorme destaque global nos Créditos de Carbono. O senhor pode explicar sobre este novo mercado e como as indústrias participantes contribuirão para a preservação do meio ambiente? E existem benefícios financeiros com esses créditos?

Paulo Skaf: Os créditos de carbono foram instituídos no âmbito do Protocolo de Kioto. Em síntese: as empresas brasileiras emissoras dos gases do efeito-estufa que realizarem projetos comprovadamente capazes de reduzir ou extinguir tais emissões podem vender essa equivalência em créditos de carbono. Isto significa exportar consciência ecológica, com direito a ganhar dinheiro com esta virtude.

Até 2012, quando terminará o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kioto, é importante que o Brasil possa desenvolver todo o seu potencial no desenvolvimento desses projetos de produção limpa, que geram divisas e empregos, além de contribuírem para a melhoria da qualidade de vida das comunidades.

Blog: Para finalizar este nosso bate papo. Qual o conselho que poderia ser dado aos futuros empresários quanto à importância e os benefícios de uma Gestão Responsável bem como da Ética nos Negócios?

Paulo Skaf: Vale a pena cultivar e praticar esses valores. Nosso país será tão bom quanto a nossa capacidade de promover o seu desenvolvimento sobre o alicerce da ética, justiça social, ambiente saudável e qualidade de vida.

Blog: Queremos agradecer a participação do Sr. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no Blog Ética nos Negócios e dizer que este espaço estará sempre à sua disposição.

Paulo Skaf: A satisfação é toda nossa! Até a próxima oportunidade e um abraço a todos.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Novidade do Blog Ética nos Negócios

O Blog Ética nos Negocios está lançando uma nova e importante seção. Trata-se do Entrevista CEO que estará publicando um bate-papo com os principais executivos das empresas instaladas no Brasil e assim, estaremos conhecendo os pontos de vista e como são conduzidas as questões relacionadas a Ética nos Negócios, a Responsabilidade Social e Ambiental, e ao Desenvolvimento Sustentável.
Estas importantes opiniões poderão servir de exemplo e modelo de Gestão Responsável a outros profissionais e empresários, e especialmente, aos adolescentes e jovens-executivos que serão os Líderes Socialmente Responsáveis das empresas de amanhã.
Em breve, estaremos postando a primeira entrevista.
Vale a pena aguardar!
Saudações,
Douglas Linares Flinto
Diretor Presidente